Os Mello no Mundo
Pouco importa o que os outros pensam a nosso respeito. Pouco importa a notoriedade, o reconhecimento social. Em compensação, não neglicenciemos o impacto das marcas deixadas no espírito por nossas ações negativas. Essas marcas são determinantes para nosso futuro e nossa felicidade...Isso é que interessa.
PERFIS
Nomes: Ele - WAGNER Jr., Ela - ADRIANA e da Outra - ANA BEATRIZ.
Como se chamam em casa: Ele - Jú (sem sacangens hein!?), Ela - Tita e a Outra: BUBI.
Idades: Ele - 31 (mas não parece mesmo!!!), Ela - 29 (também não parece nem um pouco)e a Outra - 3 (mas parece ter mais, é muito madura!!)

Signos: Dele - Não poderia ser outro, leão, é claro!!!!, Dela - Aquário (alguém conheceria outro para aturar???) da Outra - Escorpião (ninguém merece)
Podem vir para todos: amigos, comentários e dinheiro(muito).

Tipo de Música: Ele - RAP, R&B e POP; Ela - MPB e Rock Nacional a Outra - Cássia Eller, Xuxa, Blue's Clues. Os três odeiam pagode.
Bandas Preferidas: Dele - ColdPlay e RadioHead, Dela - Titãs e da Outra - Barney (um dinossauro roxo e escroto)
Cantores: Dele - 50 Cents, Byoncee, Annie Lenox; Dela - Caetano e da Outra - Cássia Eller, Marisa Monte e Dos três: Igual aos da Outra.
Filme que fizeram pensar: Para os Dois - The hours e Para a Outra - Slepping Beauty (Ela tem medo do Bruxa) e a Snow White (Ela adora a Bruxa)

Lugar que vivem: New York, apesar de amarmos o Rio de Janeiro. Ele e a Outra gostam mesmo da praia!!!

O que cada um faz no BLOG: Ele só escreve, Ela só corrige e a Outra enche o saco antes, durante e depois.
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Quinta-feira, Outubro 30, 2003

A FESTA DA OUTRA

Hoje rolou a festa da Outra na escola. Apesar do número pequeno de convidados (6 pestes + 3 adultos), foi muito divertido. Teve cup cake, suco e brigadeiro (mais brasileiro impossível!!!). A Outra ganhou presentes e voltou para casa muito feliz. Agora aquele parabéns para você sem palmas...simplesmente não me conformo. Ninguém merece aquela musiquinha sem graça. Acredito que fica faltando um pouco de emoção, mas preciso me acostumar.

Amanhã ainda tem mais, pois ainda ficou faltando a Festa de Halloween. Hoje sai igual a um louco para comprar alguma fantasia. Nós até que fomos avisados que deveríamos comprar tais coisas com alguma antecedência...mas como bons brasileiros, não o fizemos. Então hoje foi um verdadeiro inferno para achar qualquer coisa. Juramos que ano que vem será diferente.

Comprei uma bailarina rosa da Barbie, muito bonito, mas ainda não consegui visualizar a Outra toda de rosa. E por falar em rosa, hoje a Outra foi de menina para escola. Saia quadriculada, com pregas, rosa, marron e preto...camisa de gola alta, meia fina e sapato boneca... tava linda!!!!!!

Comprei também duas bonecas (Cinderella e Ariel) e não vejo a hora da Outra abrir os embrulhos. Quero só ver a carinha dela de felicidade. Às vezes acho que a Cinderella é mais querida que nós dois (os pais) juntos... mas vai fazer o que???

Durante a festinha, rolou meio que uma apresentação das crianças, tipo musiquinha com coreografia. Fiquei com um bolo na garganta de vê-la cantando e dançando bonitinho... coisa de pai babão mesmo. Lembrei da minha mãe e do meu pai, e da falta que eles fazem por aqui. Sempre passa pela minha cabeça, o tamanho do sofrimento que causei à eles quando resolvemos ficar. Vivo me perguntando se tenho o direito de manter a neta deles afastada do contato e do amor que eles proporcionavam a Outra. Ontem quando falei com a minha mãe, ela me disse que ligaria para cá amanhã (aniversário da Outra), mesmo sabendo que a Outra não falaria com ela. Terminou dizendo o seguinte: "- Espero que no ano que vem a Outra queira falar comigo...". Fiquei muito triste pelo pedido, pela espera, pela resignação...enfim por tudo. Eu também espero que no próximo ano tudo seja diferente.

Com saudades
Ele com as mãos doendo de enrolar brigadeiro.

Os Mello, 11:52 PM

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RAMADÃ

O Ramadã é um dos cinco pilares do Islamismo, que inclui a recitação do credo Islâmico (Não existe nenhum deus além de Alá e Maomé, o seu profeta); preces cotiadianas (chamadas de slãts, feitas cinco vezes ao dia, cada vez em uma posição diferente e virados em direção à Meca); pagamento do zakat (imposto anual de 2.5% do lucro pessoal, como forma de purificação e ajuda aos pobres); perigrinação à Meca (ou Hajj, ao lugar do nascimento de Maomé, pelo menos uma vez na vida por todo muçulmano dotado de condições físicas e econômicas.) e Jihad ou guerra santa (entendida pelos não muçulmanos de forma errada).

Hoje começou o Ramadã. Esta data comemora a primeira revelação do Corão recebida por Maomé. É um jejum que dura um mês, praticado pelos muçulmanos. O jejum inicia-se pela manhã e termina quando o sol se põe. Segundo os muçulmanos, os portões do paraíso se abrem, os do inferno se fecham e os que jejuam nesta época tem seus pecados perdoados. O Ramadã acontece com cerca de dez dias de antecedência do ano anterior. E a época mais dificíl é quando cai no verão, onde os dias são mais longos e as noites mais curtas, além do calor, é claro!!! O jejum inclui água, cigarros e contatos íntimos.

Soube disso, pois um dos meus amigos do curso, Mouchine é muçulmano. Nasceu no Marrocos e desde dos doze anos pratica o Ramadã. Falou da paz e da purificação que sente após o longo jejum. Às vezes ele é até um pouco grosseiro com as pessoas, mas acredito que seja única e exclusivamente pelo fato de sofrer diariamente a perseguição na pele, só por ter feito uma escolha religiosa diferente dos demais por aqui. É foda e procuro entende-lo por este motivo!!!

Por aqui a diversificação é muito grande e fascinante. Nunca tive uma oportunidade como esta de saber de outras culturas e costumes. Infelizmente tem gente cretina que faz comentários preconceituosos sobre coisas que desconhecem completamente. Na aula de hoje, houve um comentário desse tipo. Não consegui ficar calado e sai em defesa dos muçulmanos que estudam comigo. Falei que não precisamos entender o motivo das coisas, muito menos acha-las certas ou erradas, pelo simples fato de não ser o nosso costume em faze-las. Precisamos, sim, aceita-las como são, respeitando as pessoas e ponto final.

Com saudades Ele que também é um pouco de cultura (só às vezes).

Os Mello, 11:50 PM


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Quarta-feira, Outubro 29, 2003

DIA ESPECIAL

Hoje completam dez anos que conheci Ela. Concluímos que ainda nos suportaremos por mais muitos outros dez anos, mesmo eu ficando velho e ranzinza. Nos conhecemos de forma pouco convencional. Tínhamos tudo para dar errado, mas não demos. Estamos juntos desde então.

Nosso primeiro encontro foi numa boate chamada "Blue Garden". Havia inaugurado à pouco, e nos não tínhamos qualquer plano de conhece-la. Costumava freqüentar as boates da zona sul, pois nessa época morava com o Tio Rada e a Tia Wanner na Tijuca (foram ótimos esses tempos!!!). Ela fazia Biologia no Fundão e morava em Copacabana. Estamos meio perdidos lá. Ela com umas amigas num final de semana "passeio de índio" num subúrbio distante e eu na caça, pois havia terminado um namoro horrendo há poucos meses. Nenhum dos dois jamais iria até lá, senão fosse o destino (por isso acredito tanto nisso).

No dia que a conhecia tive a certeza de que iria casar com Ela. Não sabia quando, não onde, não sabia porque. Só sabia que seria assim. Conforme disso tudo aconteceu certo de forma errado, pois tudo que eu mais odiava fazia parte da vida dEla.

Dez anos se passaram. Seis anos de casados. Uma filha peste. Tudo mudou depois que a conheci. Estamos mais velhos e muito melhores quando comparamos as fotos, apesar dos cabelos brancos que insistem em aparecer nas nossas cabeças. Penso, ajo e vivo diferente. Minha vida deu uma virada. Conheci e passei a dar importância a coisas novas. Mudei meu conceitos e minha visão do mundo. Aprendi a respeitar as coisas ditas diferentes. Não conseguiria sozinho, disso eu tenho a mais absoluta certeza. Hoje temos uma vida com algumas dificuldades, mas que já foi muito diferente e iremos modificá-la novamente. Estamos mais fortes, realizando um sonho antigo meu, num país distante. Distante dos amigos e da maior parte da família. Mas felizes paracaralho.

Adriana, obrigado por fazer parte da minha vida. Obrigado por ter me dado o melhor presente do mundo (a Outra). Obrigado por ter me transformado numa pessoa melhor. TE AMO MAIS MAIOR QUE O MUNDO.

Com saudades,
Wagner Mello.

Os Mello, 10:35 PM

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JANTAR INTERNACIONAL

Conforme prometido estou postando hoje o jantar de ontem. Nunca fui muito certo com horários, mas morar aqui tem me feito muito bem. Aprendi a respeitar horários e compromissos simples, tipo ligar quando falei que ligaria. Numa das festas que fiz na minha casa para comemorar meu aniversário, marquei por volta das 22:00h e o primeiro convidado chegou às 23:30h. A festa foi um sucesso, mas confesso que fiquei tenso por 1:30h, até a chegada do primeiro infeliz atraso. Tudo bem. Sobrevivi.

Ontem, exceto Ane e Franchesca ("from" Portugal e República Dominicana, respectivamente) chegaram no horário marcado às 8:00 pm, já o restante incluindo Akira ("from" Japão). Achei engraçado, pois acreditava ser uma mania nacional (brasileira) de atrasar-se em compromisso.

O lugar é ótimo. Acredito que o Rice & Beans seja o melhor restaurante de comida típica brasileira aqui em NYC. Depois de quase uma hora no frio e na chuva esperando o povo todo, conseguimos entrar. A maluca da dona do restaurante, que me conhece de outras situações, veio me cumprimentar em inglês. Pedi, em português, a ajuda para uma mesa para sete pessoas, sendo logo providenciada.

Estavam presentes no jantar: eu, Akira, Ane, Franchesca, Sylvia (Espanha), José Carlos (Caçapava) e José Chene (Ítalia). Nenhum deles, exceto José Carlos, conhecia a cozinha brasileira. Todos se deliciaram com feijão preto, arroz branco, frango com quiabo, picadinho da carne e legumes, além da banana frita, farofa, pimenta e cerveja brasileira.

Conversamos muito. Demos boas risadas. Falamos as maiores besteira do mundo, incluindo palavrões e sacanagens. Foi ótimo. Akira, como todo bom japonês, muito educado foi incapaz de pronunciar palavrões na sua língua. Num determinado momento, após três cervejas, eu soltei a seguinte pérola.
EU BEBADO: " - Akira, how can I say in Japanese - FUCK ???"
AKIRA (muito sem graça): "- Wagner, dosen't have some expression em Japanese...really."
EU BEBADO: "- Akira, I'm sorry but everybody in all over the world, fucks. I can't belivie!!!"

Nesse momento todos já estavam mijados de tanto rir e o Akira, vermelho igual ao pimentão do meu frango com quiabo. Concluímos depois que os Japoneses são assim mesmo...reservados, tímidos, mas muito companheiros.

A dona do restaurante ofereceu a sobremesa de graça para todos. A conta foi meio cara, pois cada cerveja custa U$ 5,50 e tomamos muuuitas, mas valeu cada penny gasto (assim todos falaram).

A diversão final ficou por conta da boate que fomos chamada Splash. Nada demais. Qualquer boate gay do Rio não fica para trás. Fomos só eu, Ela, Carlinhos e Chene. Muita gente bem arrumada e bonita. Alguns poucos casais héteros. Go-go boys dançando e recebendo dinheiro na cueca (literalmente). Boa música. Algumas outras coisas me impressionaram. Em momento algum vimos "pegação". Não rola aquele assédio tipo "estou no açougue" como no Rio. Rola muita droga o tempo inteiro (exctasy). E saímos com o mesmo cheiro que entramos, pois em NYC não se pode fumar em lugares fechados, incluindo boates. Ótimo!!!

Nos divertimos muito e cheguei a conclusão que o chefe dEla é a bicha mais bicha que conheci nos último tempos. Faz o estilo "puta". Se o Eduardo Tenório visse, diria que é do tipo "pão com ovo". Chegamos em casa por volta das 3:00 a.m e durante nossas conversas ficamos imaginando o Akira no meio de tudo... seria muuuito engraçado. Programaremos outras saídas.

Com saudades
Ele morrendo de sono, pois ainda fui ao curso hoje cedo (foi foda, mas fui).


Os Mello, 10:35 PM


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Terça-feira, Outubro 28, 2003

NA AULA

A aula de hoje foi meio especial. Duas pessoas estarão deixando o curso. Uma delas para ter um bebê e outra para trabalhar. É engraçado, pois esta turma já está meio junta à muito tempo. Eu, assim como outros, já sai e voltei. Coisa que não é muito comum de acontecer. Tamara, uma senhora de quase 70 anos, com dificuldade incrível para pronunciar algumas palavras, vai embora. Talvez nunca mais a veja. Talvez não. Acredito que todos sentirão sua falta. Apesar de quase não falar, ela é alguém que nunca faltava ou chegava atrasada. Nesses oito meses, pelo menos, foi desta maneira. Boa sorte para ela!!!

A professora é uma figuraça ímpar. Meio gorda, feia, algo desarrumada, mas com um humor incrível. Sempre arruma alguma maneira de sacanear. Comigo, sempre pega no pé de algumas palavras que pronúncio corretamente ou que falo errado. Hoje fui falar floresta e ao invés de forest, falei florest. Pronto!!! Motivo para sacanear. Nunca mais esquecerei. Durante a aula, falando de antônimos, perguntou se alguém sabia o contrário de local. Tentamos tudo e nada. Depois de alguns minutos falou: "- Express". Todo mundo riu. Local e express são os dois tipo de metro daqui.

O frenesi de hoje é o jantar no restaurante brasileiro, que estarei "promovendo". Na verdade como Ela trabalha hoje até às 11:00 e amanhã faremos 10 anos que nos conhecemos, resolvemos jantar e depois sair. Comentei com um dos meus amigos e ele perguntou se não poderia ir ao restaurante, pois não conhecia a comida brasileira. Até então não havia falado do motivo, mas mesmo assim disse que tudo bem e ele então convidou todo o resto da turma para ir junto. Vai ser bem legal. Será um jantar internacional, num restaurante brasileiro, com muito arroz e feijão preto.

Depois do jantar iremos a uma boate. Carlinhos, chefe dos garçons do lugar que Ela trabalha, nos convidou para conhecer a noite gay de NYC. Foi engraçado, pois ele nunca pensou que freqüentássemos lugares gays. Na verdade já faz um tempo muito grande que eu e Ela não fomos a lugares "straight". Por isso só agradecemos ao Carlos (meu amigo), por nos ter apresentado a noite gay do Rio. Sem sombras de dúvidas, muito mais divertida que qualquer outra. Depois do Carlos, até tentamos lugares "Maurício" e "Patrícias", mas não conseguimos. Era chato demais o desfile de modas, a observação constante do nosso comportamento, da maneira que dançávamos, enfim de tudo. Curto lugares onde eu possa me divertir e fodam-se os outros. E Ela é igual a mim!!!

Amanhã contarei como foi tuuudo, com detalhes!!!

Com saudades
Ele ao som de Cher, ABBA, Pet Shop Boys, etc.


Os Mello, 4:16 PM

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SEM NOVIDADES, AINDA

Ainda não tenho novidades. De qualquer maneira, muito obrigado pela força e torcida que tenho recebido de todos vocês. Conversei com o gerente do restaurante da Madison e senti que existe uma grande chance das coisas acontecerem por lá. Na dúvida fui para o restaurante antigo e enquanto nada acontecia, fiquei pensando e não tive como não comparar os dois lugares. Quase chorei... (risos) Vocês entenderão o porque.

Bom, o Italiano chama-se Cento Lire, já o Brasileiro, Girassol. Só no nome o outro já ganhou de dez. Outro dia um cliente me perguntou o que significava Girassol. Falei a tradução e ele muito sem graça disse: "- Hahh, hahh!!!". Tive vontade de virar "peido" e desaparecer no ar. Continuando: um fica na Madison (lugar mais caro de Manhattan), o outro em Astória (Queens). Um e finamente decorado, já o outro tem a foto da dona agarrada a um vaso de barro cheio de que??? Girassóis é claro!!! Alguém tinha dúvidas. Só gente bonita trabalha no primeiro. A Holtess que me atendeu, que negra linda!!! Já o outro somente eu escapo (sem modéstia). Um serve pratos requintados, já o outro churrasco no espeto. Um só é freqüentado por gente rica e generosa que dá gorjetas incríveis, já o outro (ai meu Deus!!!) só gente feia e mão de vaca.

Só para vocês terem uma vaga idéia, um dia desses fui servir um guaraná antártica para uma mexicana cara de totem miserável, e a mesma disse em espanhol para eu não abrir a lata. Como só falo inglês e português, fiz que não entendi. Não satisfeita, tirou a lata da minha mãe e fez com a mão, para eu não colocar no copo. A feia mal educada, bebeu na lata mesmo. Aí, quem não ficou satisfeito fui eu. Fui até o balcão e peguei um canudo. Quando entreguei a ela, eu ainda disse que era perigoso beber daquela forma, para que ela usasse o canudo. Ela respondeu que não com a mão de novo. Já posso parar???

Mas até que role alguma outra coisa, aquela é minha realidade. Horrível. Eu sei. Mas é o que tenho até o momento. Nesse final de semana que os Yankees perderam e que chouveu baldes, o movimento foi muito fraco, levando a maluca da dona a sair de porre carregada na Setxa, no Sábado e no Domingo. De verdade, ninguém merece isso.

Esses dias foram de contatos. Por aqui só se consegue as coisas desta forma. Acredito que em breve contarei novidades melhores.

Com saudades,
Ele sonhando com o "céu" mas ainda no "inferno" * (com direito ao capeta agarrado no vaso de girassóis e tudo mais.)

* Juro que antes de sair tirarei fotos e publicarei no blog para vocês terem uma noção (pequena) do que estou falando.

Os Mello, 4:15 PM

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MAIS UM FINAL DE SEMANA

Novamente eu sem postar por três dias. Só não fiquei com delíriuns tremes, pelo fato de poder entrar no computador, ler os blogs que gosto e responder meus e-mails. Adivinharam??? Mais um final de semana (inteirinho) na casa da minha sogra. Eu sei, eu sei. Poderia ser pior se ela estivesse lá. (risos...estou brincando!!!)

Computador mais rápido do mundo (sem acento). Cama mais confortável do mundo (não para meu peso). Apartamento mais decorado do mundo (não para meu gosto). Tudo o mais do mundo, mas nada como as minhas coisas. Gosto das minhas próprias coisas simples, mas minhas. Compradas com o meu dinheiro e da Adriana (e as vezes do Osi...risos).

Ainda choveu baldes o final de semana inteiro, incluindo a segunda-feira. Sol mesmo com dia bonito, apesar de frio, só hoje.

Chega!!! Graças a Budha acabou. A ainda bem que não é sempre.

Com saudades,
Ele que já disse algumas vezes que tudo na vida passa.

Os Mello, 4:15 PM


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Quinta-feira, Outubro 23, 2003

NOVA TENTATIVA

Enquanto vocês lêem os posts eu ainda estarei lá...levando minha vidinha sem vergonha de estudante. Só que amanhã estarei tentando novamente um novo emprego. Calma todos!!! Continuo ainda no restaurante antigo e ficarei lá até que arrume coisa melhor. O que pintou foi uma "conversa" para um restaurante na Madison. Se conseguir, será ótimo!!! No sábado pela manhã conto a novidade.

Com saudades,
Ele

Os Mello, 11:45 PM

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FRIO

A temperatura por aqui caiu muito. Como não bastasse não termos tido Outono, saímos direto para o Inverno. Ontem comentando com Ela sobre isso, concluímos que só tivemos dois meses de verão - Julho e Agosto.

Aqui é o país do frio. E eu até que gosto bastante. Curto um casaco, um sobretudo, uns cachecóis, enfim tudo que possa nos deixar mais quentes. Já Ela odeia. Prefere o calor do verão e o uso de poucas roupas (não que Ela ande por Manhattan de shortinho e barriguinha de fora ... até que está podendo!!!). Acha que as pessoas ficam mais alegres e que os dias também.

O que é foda é ficar sem aquecimento interno por dois dias. E é isso mesmo que esta rolando. Ontem à noite achei estranho pois o aquecimento interno não ligou. Moramos num prédio onde o aquecimento é regulado por um termostato. Quando a temperatura externa chega nos 40 e 50 F, à noite e de dia, respectivamente, o aquecimento é ligado. Quando cheguei em casa ontem por volta das 11:00 da noite, a temperatura estava perto dos 45 F e nada de aquecimento. Hoje pela manhã cerca de 40 F e nada novamente. E ainda temos a sexta inteira.

A notícia então foi dada por um funcionário do prédio chamado Lopez. Esse cara é uma figura à parte daqui. Acredito que só saiba falar uma frase em inglês - How are you doing??? O bom é que ele usa para perguntar e para responder. Pela manhã, conversou com Ela em espanhol. Sorte de ambos que eu não estava presente. O papo foi mais ou menos assim:
LOPEZ: " - How are you doing ma'm?"
ELA: " - I am great, but is too cold. What's happenning with the heating?"
LOPEZ: " - ????"
ELA (falando em espanhol): " - Mui frio. ¿Que se passa???"
LOPEZ: " - ???"
ELA (partindo para mímica): " - Mui frio!!!" *
LOPEZ: " - La tubulacion esta rota, abarro de la tierra."
ELA: " - Ah!!! La tubulacion...Ok!!! Muitas gracias. Thank you."
LOPEZ: " - De nada... **

* neste momento Ela cruzou os braços e bateu os queixo, dizendo mui frio, mui frio...
** momento de silêncio.

Fiquei imaginado a conversa. Se existe uma coisa que me nego é tentar falar espanhol. Ela tem facilidade para aprender outros idiomas e não comete erros...mas eu, nem pensar. Acho que seria uma afronta ao povo hispano, eu tentando no espanhol. Tem expressões que acho muito engraçada e na semana passada, em tudo que eu podia, eu aplicava a seguinte frase:
EU (De sacanagem o tempo inteiro): " - Mui me encanta!!!"
Tudo mui me encantava...risos
Existe expressão mais engraçada. Imagina um homem falando isso??? Não combina. Simplesmente não combina.

Com saudades
Ele, mui encantado...risos.


Os Mello, 11:45 PM

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FALTA DE DINHEIRO

Hoje cedo li um post no www.deusdoebano.blogger.com.br, que muito me emocionou. O texto descrevia uma situação presenciada pelo cara, onde um casal pedia comida e foi mal tratado por alguns jovens. Ele contou uma passagem, onde ele precisou andar por 12 km, por não ter um real para completar a passagem.

Meu pai deu sociedade uma vez para um cara que seria o futuro sogro de um irmão da minha mãe (putz, que confuso!!!). E foi roubado até o momento em que se desfez do negócio. Acontece que para sair limpo junto ao mercado, meu pai precisou vender todos os bens que juntou durante a vida, deixando a gente numa situação muito ruim. Não entendia o porquê daquilo e achava que meu pai estava completamente errado. Acreditava que se não fosse tão honesto quanto deveria, não passaríamos por tudo aquilo.
Nessa época, ele ficou desempregado, precisando começar do zero. Ao mesmo tempo que isso acontecia, saíamos de uma casa grande onde morávamos e nos mudamos para uma de um quarto, ao lado da casa dos meus avós (pais da minha mãe). Os momentos foram extremamente felizes. Tenho ótimas recordações dos meus avós e do carinho que eles davam para mim e para o meu irmão.

Eu devia ter uns 9 anos, quando num dia chuvoso, meu pai demorou a chegar em casa. Estava preocupado, mas a minha mãe disse que tudo estava bem e que certamente ele estava demorando pois estaria visitando mais clientes do que deveria. É claro que acreditei. Fui dormir e quando meu pai chegou, lembro dos dois chorando juntos pela situação. Nem dinheiro para comprar uma ficha de telefone, para avisar na casa dos meus avós, ele tinha naquela época. Comentou que demorou a chegar em casa, pois havia andado cerca de cinco horas, pois também não tinha o dinheiro para pagar o ônibus. Como essas lembranças são vivas ainda na minha memória.

Não tinha dívidas. Não tinha o nome sujo. Não tinha dinheiro. Tinha dois filhos. Uma mulher que estava ao lado. Milhões de problemas. E muita, mas muita dignidade.

Hoje me orgulho muito do meu pai. E vejo o quanto fui cretino em achar que a situação poderia ser diferente caso aceitasse alguma situação contrária a lei. Ele reconstruiu a vida ao lado da minha mãe. Fizeram todos os sacrifícios para que eu e meu irmão estudássemos em escola particular (coisa importante para eles) para que passássemos para faculdade pública (o que aconteceu conosco). E sempre que pode, ajuda alguém, mesmo que achem tolice da parte dele.

E eles passaram tudo isso para mim e meu irmão. Tivemos momentos difíceis e sabemos reconhecê-los sob qualquer circunstância. Sempre que podemos, estamos dispostos a ajudar. Não passamos fome, graças à Deus, mas conseguimos entender tal sofrimento. Recebemos grandes lições desses dias ruins que esperamos não voltar jamais.

Por isso tenho certeza que em algum momento da vida do deus do ébano, alguém sentirá este mesmo orgulho de ter uma pessoa dessa ao lado. Que passou por problemas, deu a volta por cima e que hoje procura ajudar aos outros entendendo a real situação de quem precisa de alguma coisa, tem dignidade suficiente. E é só isso que importa.

FRASE DO DIA (Ops!!! Dos Mello): " I' ve got two jobs, four children, five classes and thousand reasons to give up. But this is not enough."

Com saudades,
Ele.

Os Mello, 1:20 AM

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CURISIODADE

Olhem como são as coisas nessa cidade maluca...Voltando do trabalho de metrô ainda pouco, meu vagão foi invadido por pelo menos 30 Marlyn Mansons. Isso mesmo. Me senti dentro de um show do cara em pleno vagão do E (linha que liga Manhattan ao Queens).

Todos jovens, aparentando no máximo 25 anos. Lembrei da minha juventude e das pequenas transgressões que cometi. Nada demais mesmo. E aqui não foi diferente. Todos com roupas estranhas (ou melhor trapos estranhos), sapatos e maquiagens esquisitas, alguns até meio drogados, mas sem qualquer zoeira que incomodasse o restante das pessoas.

É engraçado...até para as transgressões rola um certo limite por aqui. Acho que gosto disso. Eu posso ser o que quero, vestir o que estiver a fim, e basta eu não incomodar ninguém que está tudo resolvido...É assim o pensamento da galera por aqui.

É a transgressão vigiada!!!!

Com saudades,
Ele, que transgrediu sob a vigilância (dos pais).


Os Mello, 1:19 AM


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Terça-feira, Outubro 21, 2003

SUMIÇO

Acordei cedo, pois tinha milhões de tarefas domésticas para realizar. A casa fechada por três dias, tudo meio bagunçado. O chão da cozinha e do banheiro meio que colando. Pegar umas roupas na tinturaria. Fazer supermercado. Preparar almoço. Levar a Outra para escola. Puta merda, vida de dona-de-casa, não é fácil não!!!Posso garantir.

No meio da preparação do almoço, abri a gaveta onde ficam alguns utensílios, e para minha surpresa não havia uma colher-de-pau sequer. Nós temos cinco aqui em casa. Da última vez que elas sumiram, achei que haviam sido abduzidas por marcianos cozinheiros, até que um dia (uns dois meses depois) arrumando as malas que ficam embaixo da cama, descobri duas. As outras três estavam no heating, embaixo da cômoda e dentro da minha bota de inverno.

Hoje, muito louco da vida, procurei nesses lugares e nada. E quem pensa que é só perguntar para Outra que ela buscará ou dará uma pista, está enganado. Tenho andado até meio preocupado, pois cada dia que passa a Outra tem ficado mais muda. Por um lado é ótimo. Quem agüenta duas mulheres em casa falando sem parar. Era assim até pouco tempo atrás. Mas com a ida da Outra para escola acho que a cabecinha, que já não era muito boa, despirocou de vez. Não tem dito coisa com coisa. Solta algumas palavras em inglês, outras em português e algumas outras em sei-lá-o-que.

Resolvi então substituir a colher de pau por uma de plástico mesmo. Fiz a comida e pronto!!!

Na volta da escola fui arrumar a sala. Enquanto tirava o pó depois que passei o aspirador, encontrei as colheres de pau. Na verdade as cinco. Todas dentro do abajur branco da sala de estar. Bem escondidas, ou melhor... guardadas pela Outra.

Com saudades,
Ele, o cozinheiro.

Os Mello, 9:30 PM

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ALGUÉM DISCORDA???

Três dias sem postar e hoje fui acordado pelo meu sogro perguntando por que não havia posts desde de sexta. O cara tá viciado... em posts, pode isso??? Mas tarde conversando com o meu amigo, o Carlos, pelo MSN, a mesma cobrança, só que desta vez menos educada.

CARLOS: "- Porra cara cadê os posts de sexta, sábado e domingo??? Não acredito que esteja trabalhando mais do que trabalhava no Rio."

É verdade. Não tenho trabalhado tanto quanto trabalhava no Rio, mas até que tenho trabalhado. Por sinal as gorjetas tem sido legais. O trabalho não é o que eu desejava mais até que dá para rolar. Tirando a quantidade de mulher feia, bichas velhas e gente estranha, que frequenta, até que sobra bastante (risos...). Desta forma deixo meu charme, dou um sorriso e no final tá lá a gorjeta gorda. É até engraçado a quantidade de cantadas que recebo durante um dia de trabalho. Ainda bem que sou descolado para essas coisas e levo numa boa. Agradando quem esta cantando, sem me desagradar.

Fiquei todos os dias sem postar, pois não estávamos em casa. Passamos desde da última sexta-feira na casa da minha sogra. E sabem de uma coisa??? Não existe lugar melhor que a nossa casa. Tudo já estava meio que me irritando no final. Queria a minha cama, mesmo menor; a minha televisão, mesmo que tela comum; o meu DVD sem surround de cinqüenta dólares; os meus canais do cable, mesmo sem o pacote completo... enfim as minhas coisas e a minha tranqüilidade. Quesito igual a propagando do Credit Card... priceless. Já com as nossas coisas podemos deixar onde quisermos, com o foda-se ligado no dez. Sem satisfações.

Já tinha tempo que não sentia isso. Desde que chegamos aqui, estamos reconstruindo nossa vida. Começamos sem nada e já temos nossas coisas e até gozamos de um certo conforto. Acho que não mais suportaria uma situação dessas novamente. Nada melhor do que as nossas coisas para nos fazer feliz. Mesmo que simples. Alguém descorda???

Com saudades,
Ele pedindo desculpas pela demora

Os Mello, 9:30 PM

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MOTIVO

Tudo na vida tem o seu motivo. Às vezes alguns motivos são importantes para uns e nem tanto para os outros. Já o motivo pelo qual a música do Phill Collins tanto me emociona, e que mesmo quando meu inglês era muito ruim (agora anda só ruim...) o que eu conseguia entender, me dava meio que um nó na garganta.

Outro dia, saindo do curso, passei em uma loja da GAP e esta música estava tocando. Comecei a prestar atenção na letra e tive alguns "flashs" do nascimento da Outra e do que isso significou para mim. Lembrei do dia que soube que Ela suspeitou da gravidez, do resultado do exame, das ultras, das consultas do pré-natal, e do grande dia. Acredito que muita coisa mudou depois daquele dia e tem mudado diariamente.

Uma vez minha mãe me falou que era preciso eu ser pai um dia para entender realmente o que um filho representa. Naquela ocasião, só ri. Hoje consigo entender o real significado daquelas palavras simples, mas ao mesmo tempo muito sábias. É preciso ser pai de verdade para entender isso. Tive contato, e ainda tenho, com muitos "pais" que eu não queira ser, sequer, parecido. Às vezes alguns mal exemplos servem para nos mostrar o que realmente não queremos ser. Nada pode substituir o carinho, o amor e atenção. Disso eu tenho certeza.

A música tem trechos incríveis. Na verdade, nem tudo que fala, é realmente verdade para nós adultos. Algumas coisas serão impossíveis de serem amenizadas por nós, ordinários pais. Mas para as crianças, não. Somos heróis e estaremos sempre ali ao lado para combater qualquer mal. Dos menores aos maiores. Para minha filha, eu não tenho defeitos. Como farei quando meus beijos não mais curar a dor das quedas??? Quando meu cafuné não mais acalenta-la como hoje acalenta??? Como farei para falar que eu já cometi injustiças, já magoei outras pessoas, enfim, já errei muito e continuarei só que em menor número de vezes (assim espero!!!)??? Não conseguirei suprotar a tristeza no olhar da Outra quando souber dessas verdades. Sei que serão necessárias, pois fazem parte do crecimento de cada um.

E a Outra confia em mim sobre qualquer circunstância. E poderá ser assim para sempre. Só que aquele poder que a Outra pensa que tenho, não existe. E isso me deixa triste. Queria ser um herói de verdade só para evitar tal sofrimento. Mas isso é impossível...eu sei. Não terei como retirar sofrimentos, dos mais simples aos mais complexos, da vida da Outra. Poderei sim, estar ao seu lado para qualquer coisa. E isso eu farei. E certamente a Outra saberá que está e estará em meu coração, para hoje e sempre, assim como diz a música.

Com saudades,
Ele o pai da Outra que ainda é um grande herói.

Os Mello, 9:29 PM


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Quinta-feira, Outubro 16, 2003

You´ll Be In My Heart
Phill Collins

" Come stop your crying
It will be all right
Just take my hand
Hold it tight

I will protect you
from all around you
I will be here
Don´t you cry

For one so small,
you seem so strong
My arms will hold you,
keep you safe and warm
This bond between us
can´t be broken
I will be here
Don´t you cry

´Cause you´ll be in my heart
Yes, you´ll be in my heart
From this day on
Now and forever more

You´ll be in my heart
No matter what they say
You´ll be here in my heart, always

Why can´t they understand
the way we feel
They just don´t trust
what they can´t explain
I know we´re different but,
deep inside us
We´re not that different at all

And you´ll be in my heart
Yes, you´ll be in my heart
From this day on
Now and forever more

Don´t listen to them
´Cause what do they know
We need each other
to have and to hold
They´ll see in time, I know

When destiny calls you
You must be strong
I may not be with you
But you´ve got to hold on
They´ll see in time
I know
We´ll show them together

´Cause you´ll be in my heart
Yes, you´ll be in my heart
From this day on
Now and forever more

Oh, you´ll be in my heart
No matter what they say
You´ll be here in my heart, always
Always "

Esta música tem um significado muito especial para mim. Todas as vezes que escuto, me emociono. Dá aquele bolo na garganta e os olhos ficam cheios de lágrimas.
Amanhã juro que explicarei o motivo. Por enquanto só curtam a letra simples, usada num desenho animado para crianças.

Com saudades,
Ele.


Os Mello, 10:45 PM


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Quarta-feira, Outubro 15, 2003

A ENCOMENDA

Meu sogrão Osi fez um pedido de equipamento de escalada pela Internet numa firma no Canadá e pediu para que fossem entregues aqui em casa. Até aí nada demais. O problema foi que o cara colocou a encomenda no nome dele. Até aí nada demais também, exceto pelo fato de que quando o correio chegou para entregar, não havia ninguém em casa. Desta forma a encomenda é enviada para o correio central e é necessário documento para pegar. Vocês imagem a confusão!!!! Provar para maluca da mulher que Ela era filha dele. Que o nome indicado (Osiris) era o mesmo indicado no passaporte dela, uma vez que a companhia não colocou o nome de família e que ele morava no Brasil (desta forma não poderia ir até lá para buscar a encomenda). Foi duro.

Merda feita. Merda devidamente resolvida. Mas como sei que não falho absolutamente nada, falei que isso não ficaria desta forma. Por volta das 8:00 da noite resolvi telefonar para o Osi e falar do que havia chegado para ele. Contei o que aconteceu e fui passar os equipamentos que ele havia comprado. Resolvi então dar um trote no cara para vê-lo nervoso. De posse do catálogo, eu descrevia todos os equipamentos que o cara nem sequer havia comprado. Coisas que ela já havia levado quando nos visitou, materiais para crianças e iniciantes. Enfim, o cara só falava: " - Caramba, cara tá tudo errado!!!", numa calma irritante. Em nenhum momento ele se desesperou ou ficou puto com a situação. Só ria e falava que não havia pedido aquilo. Mesmo com Budha no meu coração, eu ia ficar muito puto. Até porque não tenho a pretensão de ser o 15o. Dalai Lama. Certamenta falaria um número enorme de palavrões.

Por que estou falando disso??? Na verdade esse é o Osi que conheço há dez, quase onze anos. Nunca perdeu a calma com qualquer que fosse a situação. Nunca brigou por nada que não fosse importante. Nunca perdeu tempo com coisas menores. Sempre teve uma homem-hora meio cara para coisas pequenas. E por pior que seja a situação, o melhor jeito para resolvê-la será encontrado. É formal quando precisa. Permitiu que eu tomasse da cerveja, reclamasse da comida, mijasse na tábua do vaso da casa dele, por este tempo, sem sequer reclamar. Resumindo, o cara é dez!!!

Tenho que agradecê-lo por muitas coisas!!! Sem a ajuda e o apoio dele, jamais estaria aqui tentando realizar um sonho antigo de trabalhar, morar e estudar em outro país. Mesmo dolorido pela distância que lhe proporcionei, afastando duas das "coisas" mais importantes para ele, nunca deixou de dar o apoio que preciso para ir em frente.

Hoje entendo o nervosismo que ele passou no dia em que, pela primeira vez, pedi para viajar com a filha dele sozinhos (três meses de namoro); no dia em que ficamos noivos(um anoe meio de namoro); no dia em viajamos para fora do Brasil pela primeira vez (um anos e meio de namoro); no dia do casamento (que ele deu Ela para mim...risos); no dia que a Outra nasceu; e no dia em que decidimos ficar aqui.

Sinto falta da companhia dele. Da amizade que desfrutávamos. Dos conselhos que ganhava. Das músicas e grupos novos que eram apresentados por ele. Dos passeios que fazíamos. Dos almoços maloqueiros em casa, no Il Piatti ou na Parmê. Até das viagens anuais para o Palmital (hotel fazendo em Minas Gerais, que depois de dois dias de estadia você tem vontade de matar todo mundo com requintes de crueldade e se matar depois). Do meu outro pai careca e mais novo do que o primeiro.

Peraí, ninguém morreu, porra!!! A distância é que é foda. O telefone, a Internet com web cam e microfone (que nem sempre funcionam), amenizam mas não matam a saudade e não substituem o contato.

Ele está verdadeiramente vingado. A praga do cara foi tão forte que estarei pagando coma mesma moeda no futuro. A Outra certamente fará comigo o que Ela fez com ele. Só espero ser um cento e vinte e cinco avos (ele sabe porque referi este valor) com o futuro "Juquinha" (apelido cretino que Rô e ele inventaram para mim) do que o cara foi e está sendo comigo. Desta forma o futuro "Juquinha" estará bem pacas, podem crer!!! E eu talvez chore toda vez que assistir ao filme "O pai da noiva" e escutar a música "My girl".

Com saudades,
Ele, que anda com saudades dos dois pais que deixou por enquanto no Brasil.

*Chegou outro Junior lá nas Laranjeiras...risos. Que azar hein, Osi??? Outro para "roubar" a outra filha. Ninguém merece!!!!



Os Mello, 11:24 PM

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VIVA A TECNOLOGIA

Cada dia que passa fico mais BEGE com esta cidade. As vezes me sinto como que saído do interior do Acre quando comparo algumas situações que tenho vivido por aqui.

Hoje não foi diferente. Depois da minha vidinha sem vergonha de estudante de curso de inglês, fui até a Biblioteca Municipal - 5th Av. com 41st Street, para pegar uns livros e ver a seção dos ligados a minha área de atuação profissional - ENFERMAGEM. São muitas delas espalhadas pela Cidade e basta ser sócio de uma para ter acesso à todas. Putz!!! Essa biblioteca não é a das maiores, mesmo assim tem 5 andares. Tem uma outra a um quarteirão que é gigante, tipo a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro.

A metade de um andar é só com livros destinados à área de saúde. Um sonho!!! Lembro que quando estudava Na UFRJ, lá no CCS - Ilha do Fundão (comecinho dos anos noventa e nem existia linha vermelha*), muitas das vezes não conseguia o livro que estava afim, pelo simples fato de ter apenas um exemplar, um milhão quatrocentas e vinte três mil reservas antes de mim, ou mesmo por não poder sequer consultar o livro em casa (tarja vermelha). É a vida!!!! E eu achava que aquilo era tudo de bom no mundo.

Fucei até não poder mais esta sessão e escolhi um livro para o teste do Nclex e o outro para leitura diária - uma biografia (tipo de leitura que curto de montão), já no primeiro andar. Um dos andares e só com vídeos e DVDs de séries da televisão, filmes, documentários, etc. E TUDO NA FAIXA!!!! Cheguei assim meio com vergonha e na primeira tentativa para pedir ajuda, a funcionária era surda. Completamente surda. Daquele tipo que põe a mão em forma de concha no ouvido e pede para falar alto. Decididamente não merecia um castigo desse. Precisei falar alto. Na verdade muito alto.

Já o segundo mico ficou por conta do check out (retirada dos livros). Tudo é automático. Viva a tecnologia que nos poupa um tempo enorme!!!! Como diz meu sogro, minha homem-hora é cara, então não posso me dar ao desfrute de ficar em filas esperando. Você escolhe o livro em um dos cinco andares e leva para o térreo (saída). Existem umas oito máquinas que você insere seu cartão com código de barras e então acende uma leitura que tira um recibo com o nome do livro escolhido, data de retirada e entrega, além de outras informações. Porra, é tudo!!!! Tempo gasto na operação, 3 minutos (até porque tentei passar o livro fechado umas cinco vezes e mais umas três no código de barras no verso da capa. Então saiu sei lá de onde, uma mulher que pediu "delicadamente": "- Open your book, Sir!!!". Acredito que da próxima vez eu gaste uns quinze segundos (tempo da impressão à laser dos recibos).

*Não ousem me chamar de velho pelos dados fornecidos. Tenho 31 anos, mas não pareço mesmo.

Com saudades
Ele, sem qualquer saudade da biblioteca do CCS.



Os Mello, 11:24 PM


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Segunda-feira, Outubro 13, 2003

AS ÚLTIMAS DA OUTRA

Silêncio absoluto na casa. Certamente é alguma merda sendo planejada ou executada pela Outra. De repente um barulho alto e surdo. O silêncio continua. Corro até o quarto e vejo a cômoda virada por cima da Outra. A Outra imprensada entre a cômoda e cama, segurando o aquário- abajur com peixes de plástico que nadam com uma das mãos. Muda. Completamente muda.

Tiro a cômoda de cima daquele corpinho. Tiro o aquário, que não derramou sequer uma gota de água no chão. Dou aquele esporro. Dois minutos depois, o choro assustado do acontecido. Converso novamente e digo que estou muito triste com tudo, e que a Outra não pode abrir a gaveta, subir na cômoda para mexer no aquário- abajur com peixes de plástico.

Meia hora depois, coloquei o almoço da Outra e fui ao banheiro para tirar uma "água do joelho". Minha mãe sempre falou que depois que os filhos nascem nem tempo para ir ao banheiro se tem. Nunca acreditei. Volto a cozinha e cadê o prato??? Vou até o quarto puto, achando que a Outra está comendo com as mãos. Quando vejo, a Outra estava sentada na mesinha dela, assistindo televisão e comendo com o garfinho. A Outra abriu a gaveta, pegou o garfo, a comida que estava no fogão já no prato e partiu para dentro. Decididamente a Outra não se aperta quando está com fome. Rolava um programa chamado Dora, the explorer (um mexicana totem que fala inglês e ensina as crianças a falar espanhol). A Outra vira para mim e fala: "- Papai, amarillo."
EU: "- O que???"
A OUTRA DE NOVO: "- AMARILLO...yellow". (Faltou só completar com seu burro!!!)

Na hora do lanche, a Outra pediu um Nescau. Abro o armário. Pego a lata de Nescau e depois de aberta digo:
EU MUITO MAL: "- Nossa!!!! Acabou todo o Nescau do mundo...OOOOHHHHH!!!! Meu Deus do céu..."
A OUTRA SEM PALAVRAS. SÓ CHORAVA MUITO.

Vi que estava sendo muito mal, aí resolvi parar para explicar. Não adiantou muito. Mais meia hora de choro.

Depois do jantar, mais um silêncio absoluto. Vou até o quarto da Outra e encontro a figura, com o rostinho de boneca (da própria) todo rabiscado (depois do banho geral que tomou hoje).
A OUTRA: "- Tô beautiful papai???"
Só enforcando!!!! Ainda bem que estou lendo "Limites sem trauma". Sorte da Outra.

Às vezes fico prestando atenção no comportamento da Outra e fico tentando imaginar o que passa por aquela cabecinha de merda. Será que a Outra fica maquinando a próxima cagada à ser feita??? Ou será que a Outra não tem nada dentro da cabeça, exceto Nescau e uvas sem caroço???

Não sei. Só sei que quando a Outra resolve executar alguma coisa é merda na certa.

Com saudades
Ele, tentando dar limites sem trauma.

Os Mello, 11:51 PM

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A LIÇÃO DO BAMBU CHINÊS

Recebi um texto bem legal sobre isso e resolver descrever meu sentimento em relação ao que li.

" Depois de plantada a semente deste incrível arbusto não se vê nada, por
aproximadamente 5 anos, exceto o lento desabrochar de um diminuto broto, a
partir do bulbo. Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível
a olho nu, mas... uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende
vertical e horizontalmente pela terra, está sendo construída. Então, no
final do 5º ano, o bambu chinês, cresce até atingir a altura de 25 metros
."

É fácil fazer uma comparação entre o crescimento do bambú e nossas vidas. Sempre que lutamos perseverantes, investimos tempo e esforço ao máximo, às vezes por semanas, meses ou anos e ninguém sequer "vê" nossos atos e não "enxergam" nossos resultados. É preciso paciência (e lá está a palavra novamente nos meus textos).

O que aprendi é que o "quinto ano" chega para todos, e sobre isso eu tenho a maior certeza, basta esperar.

Na verdade, alguns de nós somos bem parecidos com o bambú em crescimento. Não faço essa comparação levando em consideração o tamanho ou peso que apresentamos (depois de perder oito quilos e não ter diminuido sequer um centímetro, ainda não estou um "bambú", apesar de estar chegando lá...), mas pela atitude e flexibildade que alguns de nós possuem.

Atitude para crescer sem atrapalhar ninguém. Só crescer de forma honesta e livre. Simplesmente, crescer.
Flexibildade para se curvar pela ação dos "ventos", indo às vezes ao chão. Mas voltando para sua posição normal, sem "quebrar".

Wagner Mello

Os Mello, 11:51 PM

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FALTA

Perdi o horário hoje no curso. Não que justifique, mas ontem cheguei em casa por volta de 01:10h. Aí toma banho, conversa com Ela, conta como foi o primeiro dia lá na "labuta" nova, como são as pessoas, fala mal de um de outro (também sou gente de carne e osso e língua afiada)...pronto, 2:30h.

Mais uma vez fica registrada minha atitude de estudante sem vergonha. NÃO FUI AO CURSO HOJE!!!

Não curto gente pessimista. Já tenho problemas demais para administrar e me incomoda pessoas que só fazem reclamar da vida. Aprendi que tudo passa e pronto!!! Na volta do serviço, um dos brasileiros (a bichinha pessimista) veio comigo. Que saco!!! Ninguém merece aquela figura reclamando da vida, das pessoas, da falta de dinheiro, da saudade (esta aqui há 4 dias), do lugar que mora, enfim de tudo. Porra, tá infeliz, pega um avião e volta para o Brasil, mas não fica me perturbando o juízo, que já é curto. Por úlitmo perguntou se eu não poderia alugar um quarto para ele. Muito simples disse: "- Não". Não satifeito com o meu "não", perguntou porquê. Aí eu disse: "- Pelo simples fato não te conhecer". Foi exatamente o que disse para ele. Como ele não me conhece, não sabe da facilidade que tenho para falar 'NÃO", que só perdem para os "SIM".

Quando cheguei na minha rua que é arborizada pacas, vim abraçando todas as árvores. São onze ao todo. Li, ainda no Brasil, que não existe coisa melhor para descarregar toda energia negativa. Já era adepto dessa técnica no Rio e ontem coloquei em prática novamente. Parecia um louco, um bêbado, ou coisa parecida. A rua ainda movimentada. Eu abraçando as árvores. Uma a uma. Algumas pessoas nem aí para mim. Outras olhando meio estranho. Eu nem aí para elas. Só no abraço. New York é assim!!! Você faz o que quiser que ninguém nem "tchum" pra você. Curto isso de montão!!!!

Com saudades,
Ele, o currador de árvores sozinhas e desamparadas da rua..

Os Mello, 11:50 PM

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AÍ VAI A NOTÍCIA

Conforme havia postado no sábado estava aguardando por notícias boas. Bom aconteceram algumas coisas bem legais neste final de semana. A melhor delas foi que a baby sitter sobreviveu. Está ótima de saúde física e mental. E se precisarmos (fiz ela jurar por Deus!!!), voltará.

Ontem não postei por falta de tempo mesmo. Estava meio enrolado e um tanto quanto ansioso para escrever qualquer coisa.

No sábado, me foi oferecido um emprego como garçom num restaurante brasileiro em Astória. Astória é um bairro muito particular no Queens. É lá que se concentra a maior quantidade de brasileiros que vivem em New York. O lugar chega a ser engraçado. As lojas vendem produtos brasileiros, inclusive brazilian jeans (imaginem os estilos???), e é impossível não ouvir alguém falando português nas ruas. Tem horas que me sinto em São Paulo. Outro dado importante sobre o lugar é que em Astória se concentra a maior quantidade de Gregos fora da Grécia, no mundo. Incrível!!! Muitos gregos e brasileiros. Na verdade mais gregos do que brasileiros e pouquíssimos americanos.

O nome do restaurante é Girassol. Até aí nada demais. Um nome brasileiro para um restaurante brasileiro, mas o lugar é meio "over" demais, chegando ao brega. Logo na entrada tem uma foto da dona do estabelecimento (tamanho quadro muito grande) agarrada com um vaso, adivinhem do que??? De girassóis é claro!!!! Tem girassol para todos os lados. Artificiais, naturais, nos quadros, no cardápio, nos pratos... vai ser cafona assim no inferno, mas o lugar é bem legal pela grana que posso fazer. Eles pagam um diária e ainda tem as gorjetas que são boas.

Além de oferecer os especiais, tirar os pedidos, levar e retirar as bebidas e comidas, ainda faço as caipirinhas (que modéstia à parte ficam boas paracaralho!!!!).

Tudo veio a calhar. Consegui ficar num horário ótimo, que não coincide com os horários dEla. Desta forma passo o bastão (a Outra) para Ela e vou trabalhar, na sexta, no sábado e no domingo. E nos outros dias, a Outra ou fica comigo ou com Ela, sempre nos enlouquecendo.

Ontem foi o meu primeiro dia ganhando "la plata" (como os mexicanos que fazem as entregas e cozinham falam) e fiquei bem satisfeito. Na semana que vem terei mais coisas para contar, com certeza!!!!

Trabalham comigo outros 3 brasileiros: uma nordestina gente boa pacas, uma bichinha pessimista e um crioulo rastafári looouco chamado Sheik, que lava os pratos e panelas e toca o maior pagode usando os apetrechos da cozinha.

Com saudades,
Ele, de bandeja na mão, gastando todo o inglês que aprendeu até agora e colocando "la plata" no bolso.

Os Mello, 11:49 PM


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Sábado, Outubro 11, 2003

REZEM POR NÓS

Amanhã vai rolar um compromisso e se tudo correr bem terei novidades legais para contar. Em função desse compromisso a Outra vai ficar com uma baby sitter nova. Tentamos a menina antiga que costumava vir, mas nas últimas três vezes que solicitamos, recebemos só boladas nas costas (ainda bem que foram nas costas), por isso estaremos tentando uma outra, para a Outra amanhã.

Ai meu Deus!!! Que medo!!!! Será que a menina estará viva quando chegarmos em casa??? Não falo da Outra, falo da baby sitter. Será que ela voltará quando nos precisarmos novamente??? Será que se ela não morrer ficará aleijada e impossibilitada de trabalhar para sempre??? Será que seremos expulsos do prédio depois de amanhã???

Por isso REZEM POR NÓS, OU MELHOR POR ELA (a baby sitter)!!!! Precisamos de alguém para cuidar da Outra em alguns momentos, afinal somos filhos de Deus também e merecemos alguns momentos de silêncio e tranquilidade, e estamos torcendo para que tudo dê certo e ela fique viva, sem seqüelas, e mais, que queira voltar.

Com saudades,
Ele, cheio de esperanças.

Os Mello, 12:28 AM

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O QUE EU QUERO. . .

Quero correr sem rumo,
Buscando o nada, e
Acertando em cheio.

Quero dormir profundo,
Num quarto escuro e quente,
Sonhando com o mundo de pessoas que conheci.

Quero manter o amor,
No sofrimento, na alegria e na dor.
Esperando passar.

Quero aprender mais,
Com o pouco tempo que tenho,
Retendo o que resta.

Quero falar menos,
Escutar mais, mas só o que realmente interessa.
Observando tudo.

Quero ajudar,
Sem ter que fazer,
Dando ao outro a oportunidade única de entender.

Quero andar descalço, sujar os pés.
Pisar na grama úmida,
Sentindo o chão de verdade.

Quero ouvir música boa.
Cantar baixinho,
Chorando alto quando tenho vontade.

Quero falar besteira.
Conversar com amigos,
Esquecendo do tempo.

Quero viver.
Sem medo de perder,
Lutando para vencer.

Quero lembrar sempre do passado.
Viver o presente com intensidade,
Pensando num futuro próximo.

Quero tudo.
Não espero nada,
Andando no meu caminho.

E você o que quer???

Com saudades,
Wagner Mello.

Os Mello, 12:25 AM


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Sexta-feira, Outubro 10, 2003

DE ONDE VOCÊ VEIO???

Dando continuidade à minha vidinha sem vergonha de estudante, saí do curso hoje e fui a um encontro internacional. Nada de reunião na ONU. Foi só um simples café Numa praça simpática chamada Bryant Park, com nove pessoas de sete países diferentes do mundo. Peru, Equador, Portugal, Espanha, Rússia, Eslováquia, Marrocos e Brasil.
Muitas culturas e costumes diferentes numa sala com vinte cadeiras. Esse é o curso que me proporciona a vidinha sem vergonha de estudante escrita acima. Representantes de todos os continentes. Tem gente que acho que é de Marte também... mas isso é um outro post. É SÓ FANTÁSTICO!!!!

Como é gostoso saber da cultura alheia. E estar aberto para essas novidades é melhor ainda. Não ter preconceito e não julgar o que não conhecemos, tem sido um exercício diário. Não dá para condenar costumes "estranhos" para mim, pelo simples fato de nunca ter feito aquilo. Infelizmente tem gente que olha torto, mas não sou deste tipo. Estou ali para ensinar e aprender tudo que puder e fazer dessas poucas horas no dia, as melhores possíveis.

Conversamos sobre inúmeras coisas, e descobri uma coisa engraçadíssima. José Carlos, o brasileiro que estuda comigo é de São Paulo. Até aí nada demais. Quem não pode ser de lá??? Qualquer um. Na verdade ele é do interior de São Paulo e para minha maior surpresa, o cara é conterrâneo do meu sogrão Osiris. Pode alguém do mundo sair de CAÇAPAVA para New York??? Quando ele disse que eu certamente não conheceria o lugar de onde veio, eu insisti e aí ele disse: "- Saí de CA-ÇA-PA-VA, viu você não conhece...tá até rindo". Não só ri como quase morri, e disse que não só conhecia como tinha parentes de lá. Dá para acreditar??? Acho que no início ele achou que eu estava sacaneando, mas depois eu provei que não. Afinal conheço Caçapava...só de passagem, mas conheço. Na verdade, acho que Caçapava era aquilo tudo que vi mesmo....risos.

FRASE DO DIA (ou melhor dos Mello no mundo): "CAÇAPAVA É TUUUUDO!!!!"


Os Mello, 11:43 AM

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O PORQUÊ...

Ontem postei algo sobre a elegância do comportamento. Na verdade, escolhi este tema pois cada vez menos tenho notado este item nas pessoas. Por sorte casei com alguém que possui, e de sobra. Tem tanto que até me dá um pouco, fazendo com que eu também conquiste tal virtude.
Conheci um brasileiro aqui chamado Fernando. O rapaz é gente boa, do interiorzaço do sul do Brasil e tentou me ajudar arrumando um emprego assim que cheguei. Na verdade não rolou o emprego, pois o dono da loja acreditou que eu não precisava. O Fernando não tem muita cultura. Teve muito pouco acesso à educação formal, mas por outro lado nunca deixou a desejar no quesito do post de ontem. Provou, com sua elegância, que falta de instrução não necessariamente tem a ver com falta de educação (aquela que recebemos em casa dos nossos pais).

Não sei porque ainda me decepciono com as pessoas. Aprendi a não esperar absolutamente nada de ninguém, mas juro que isso não é fácil. Por mais que não queira, ainda espero alguma atitude, no mínimo educada. Algumas vezes, me decepciono.

Bom, ontem fui visitar o Fernando na sapataria, como sempre faço a cada mês ou quinze dias, e fiquei feliz em saber que ele esta namorando uma menina nascida no Brasil, mas com cidadania americana. Conforme disse a cima, o cara não tem muita instrução, mas tem um potencial enorme para crescer e sair de lá, e além de tudo é novo tendo uma vida inteira pela frente, e isso pode ajudá-lo bastante.
Enquanto conversarmos um pouco, presenciei a maneira que o russo babaca dono da loja o tratava. Sem qualquer respeito. O pior é que eu achava que o cara era gente boa. Outra decepção. Olha que com pouco tempo por aqui, poderia citar uma lista enorme delas.

O Russo não é provido, apesar da idade avançada, do dinheiro e da cultura que possui, de qualquer elegância naquele comportamento "chucro". Tal atitude foi boa só para reforçar o que eu já havia falado para o Fernando sobre algumas oportunidades.

Uma boa oportunidade na vida passa na nossa frente, às vezes, uma única vez. Se não a pegarmos com garra, vontade e toda a força disponível, ela simplesmente vai passar, e deixar aquele lembrança maldita com aquela sensação que tudo poderia ter sido diferente . Talvez não mais esbarremos com ela numa outra esquina.
Conheço pessoas de sorte que cruzam diversas vezes com essas oportunidades e as deixam passar. Burros!!! É assim que eu costumo chamá-los. Acredito que o negócio é viver tudo que puder... sem qualquer arrependimento. O pior sentimento é o da incerteza.

Com o Fernando e comigo acho que não. Decididamente a oportunidade foi única, tanto para mim quanto para ele. Quando pintou a chance de ficar aqui, eu aceitei. Estou aqui, com Ela e com a Outra. Felizes, mas às vezes triste pela saudade, às vezes preocupado, pois tenho emprego e aguardo a licença. Já para ele, a grande chance aconteceu quando saiu de onde saiu e parou aqui . Ou se agarra nessa para ficar legal aqui, casando e no futuro, estudando, para "vazar" daquele lugar, se vendo livre das grosseiras daquele babaca, ou passará a vida inteira engraxando sapatos... isso ele realmente disse que não quer.

Com saudades
Ele, triste por presenciar certas coisas na vida.








Os Mello, 11:41 AM


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Quarta-feira, Outubro 08, 2003

A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no dia a dia.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir aos frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se atende.

Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutú, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras".
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.

ESTA É A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO...

Com saudades
Ele, que está com alguém de comportamento elegante ao lado.

E.T. Tô cansado pacas, e por isso, só amanhã explicarei melhor as razões deste post.


Os Mello, 11:53 PM


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Segunda-feira, Outubro 06, 2003

TÔ ENLOUQUECENDO!!!!

Graças ao feriado judaico, a Outra está sem aula desde a última sexta feira. Alguém merece????
E segunda-feira que vem tem mais outro maldito feriado. Alguém pode me mandar uns comprimidos de Dormonid 15mg pelo correio??? Até pago pela remessa Fedex (a entrega é garantida e mais rápida).

Alguém pode me dizer o por quê que criança peste, na idade da minha, não anda, só corre??? Putz!!! Acho que falo umas cinco mil vezes por dia: "- AAANNNNA, não corre, poooora!!!". Nada adianta. Já disse outro dia, a menina vai ser velocista quando crescer. O mais engraçado é que quando grito muito alto, a Outra diminui o ritmo dos passos, fica dando aqueles passinhos curtos, pulados, rápidos e olhando para trás...é muuuito bonitinho.

Como a Outra adora me "ajudar" lavando a louça, hoje tirei uma foto que postarei em breve....ficou uma figuraça!!!!

Com saudades
Ele, na camisa de força, quase sendo enviado para o manicômio.

Os Mello, 11:18 PM

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A NOTÍCIA

Hoje foi um dia importante... muito importante mesmo. Fico triste por precisar me despedir de todos vocês, mas não poderei postar por um longo tempo. Conforme todos já sabiam, fui para uma entrevista hoje e começarei a trabalhar como Enfermeiro da Marinha Americana a partir da próxima semana. Estarei sendo enviado para o Iraque. Na verdade, ficarei no Golfo Pérsico, num dos maiores navios hospitais do mundo, chamado Roosevelt. Como por lá, Internet é só para receber e mandar e-mails, não terei como manter o blog. Fico muito triste com isso. Rezem por mim. Estou um pouco assustado, mas sempre tive vontade de desempenhar a minha função de Enfermeiro, em situações de guerra...chegou a minha hora!!!

Quem acreditou nisso, se deu mal...risos. Lá no fundo queria que fosse verdade, mas não foi. Sei que muita gente estava meio preocupada..mas já passou. Na verdade estou rindo para não chorar. Como já estou acostumado a notícias não muito boas, desta vez não foi diferente e isso nem me deixou tão mal quanto às primeiras.

Cheguei lá quinze minutos antes do horário marcado e em trinta, minha conversa já havia chegado ao final. Porra, nem eu me alistando, me oferecendo para trabalhar como Enfermeiro na guerra ou perto dela, me aceitaram. Acho que foi uma praga dEla, com uma do meu irmão, misturada com uma praga da minha mãe que não sabia de nada, mas que mesmo assim rogou uma. Se juntassem todos esse pensamentos positivos (para eu não conseguir), acredito que derrubariam o Empire State. Minha mulher, meu irmão, minha tia e minha mãe que não sabia, mas que fez o serviço dela assim mesmo, são fortes pacas. Eles querem meu bem, eu sei disso. Amo a todos, que mesmo preocupados deram a força que eu precisava.

Confesso que fiquei um pouquinho...só um pouquinho triste. Achei que resolveriam meu problema e que ainda ganharia um bom dinheiro. Para minha surpresa somente o povo pimba (lê-se muito na merda, sem qualificação profissional, e sem qualquer perspectiva) é que pode se alistar, ganhar a cidadania e ficar lá na frente, tipo bucha (o que me fez lembrar o meu amigo maqueiro Moisés, o maior bucha de todos).
Quem tem nível superior com profissão que eles precisam, sem ser americano, fica na necessidade de ter Green Card, para que eles transformem esse documento em cidadania. Quando o cara pegou meu curriculum, disse que não poderia me ajudar pois eu tinha faculdade mas, que quando tivesse Green Card, poderia voltar lá e tudo estaria resolvido, pois nem da licença eu precisaria... Só ri e disse: "Pal..Forget about it!!!". Nunca mais volto lá, pois quando tiver o documento terei também meu emprego... como a Simone no Lá Longe disse outro dia, meu futuro está também atrelado nos "ses".

Ela ficou feliz, meu irmão, minha tia e minha mãe (que não sabia) ficaram também. Entendo que se foi desta forma, é porque deveria ser assim, mas realmente estava disposto. É a vida...nem sempre podemos ganhar todas e nem toda situação ruim é tão ruim assim que não possa ficar pior. E comigo nunca foi diferente...sempre que achava que a coisa estava pra lá de preta, acontecia alguma coisa e me salvava. No momento estou esperando por isso, pela SALVAÇÃO, até porque as coisas estão ficando cinzas!!!

Com saudades
Ele, que está rindo para não chorar.

Os Mello, 11:05 PM


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Sábado, Outubro 04, 2003

REINCIDÊNCIA

Eu já não sei mais o que fazer. A situação está ficando fora de controle. Alguém quer a Outra de presente???? Mando-a para o endereço solicitado, só que não aceito devoluções. Esse será o trato.

Putz!!! A menina ontem não satisfeita de ter colocado giz de cera no aquecedor da sala, deixando o ambiente com cheiro assim de vela, tipo Gleid fragrância "centro de macumba em dia de festa", ainda roubou (isso mesmo!!!!) os bifes à milanesa, feitos por Ela para o jantar. Vai chegando à noite, e não sei o que acontece...parece que um bicho carpinteiro fica caramunhando dentro da Outra simplesmente não pára sequer um minuto. Nuca anda...sempre corre pela casa inteira. Parece até bombeiro atendendo à alguma emergência. Sem contar que vive caindo e dando "encontrões" nas paredes. Já estamos com pena do vizinho de baixo. Qualquer dia, saímos e o cara fuzila a família inteira... e com razão.

Não sei se lembram, mas isso já aconteceu uma vez com os frangos empanados que Ela havia feito. Na época foi punida, mas não suficiente.
Tenho que confessar que às vezes, mas só às vezes, cometo alguns "crimes" também. Meu último foi ter deixado "esquecida" uma forma de pudim dentro do forno, por uns 8 dias, muito suja. Odeio com a força do peito lavar panelas, afins e mamadeiras. Tem coisa pior??? Então, deixei a fôrma lá...quietinha, de molho. Quando "lembrasse", juro por Deus que iria lavar.

Mas voltemos a situação da Outra... Enfim, a Outra é reincidente!!! E não terá fiança e não responderá ao processo em liberdade. Foi pega em flagrante. Olhem a situação e depois tirem suas próprias conclusões. A Outra já havia jantado, quando cheguei na cozinha e a vi com a cadeira em frente ao fogão já metendo a mão no bife (acho que terceiro). Muito na cara de pau, a Outra então desceu da cadeira e a arrastou até a mesa. Saindo depois meio que cantarolando. Quem merece???

Descobri o motivo da obrigação que os moradores têm, de manter suas janelas abertas só 10cm e as que abrem com grades e telas, quando o ambiente é habitado por crianças menores que 10 anos...pelo simples fato de evitar um suicídio em massa...DOS PAIS. Se a minha não tivesse esses aparatos, acho que já teria tentado pular. E nós ainda temos 7 anos pela frente.

Com saudades,
Ele, já enlouquecido.

Os Mello, 8:49 PM

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O JANTAR

Sempre tive vontade ter amigos de diferentes nacionalidades. Esta experiência está sendo bem legal por aqui. Tenho conhecido gente do mundo todo. Depois do curso fui convidado por alguns colegas de turma para um café no shopping. Tinha gente da Polônia, do Equador, da Rússia e México. Foi bom demais!!!!!

O jantar de ontem foi engraçado. Peguei o Akira no trabalho que um dia foi meu, e fomos até o curso encontrar com o Danny. Fiquei sabendo também que na verdade o Danny não chama Danny. Esse cara é Coreano e, seu nome é impronunciável, então pela dificuldade ele passou a se chamar de Danny.

Já no curso Ele então resolveu nos convidar para um restaurante Coreano. Expliquei que não estava com grana e que os restaurantes coreanos são meio caros. Então ele falou que era um convite dele e que esse restaurante não era nada caro e que iríamos gostar bastante da comida.
Um parênteses: Akira é o Japa do tipo Japa. Fala baixo, ri baixo, é envergonhado pacas e cheio das regras. Não curti tumultos. Já o Danny é um brasileiro de olho puxado, nascido lá do outro lado do mundo - Korea. Fala alto, ri alto, sacaneia tudo que vê e adora um lugar cheio. Completamente sem regras. Notei que seria legal algmas horas juntos.

Mais cheio impossível. O lugar estava lotado de pessoas coreanas, que comiam muito, riam alto e conversavam muito. Esperamos cerca de um 15 minutos para entrar. Já dentro, o Danny indicou a comida e eu preferi ir pelo que conhecia...macarrão com molho de vegetais. Estava enganado. Na verdade completamente enganado. O macarrão não era bem um macarrão, nem os vegetais eu conhecia. Tudo com pimenta...muita pimenta e frio. Era um prato de verão...que merda!!! Com o frio que fazia lá fora, eu lá dentro comendo coida fria. Comi tudo, pois não seria grosseiro, mas provei de tudo também que eles comeram. Até queijo de arroz eu comi...uma delícia.

Os orientais usam os "palitos" para comer em todas as refeições. Os coreanos comem cachorro mesmo. Akira ficou assustado com a declaração, pois tem um cachorro em casa (Tokyo). Danny tentou explicar e juro que fiquei com a maior vontade provar também. Acho que Akira não gostou da idéia. Não existe uma "etiqueta" para comer. Todo mundo meio que cutuca o prato de todo mundo. O Akira ficou meio assustado, mas eu nem liguei. O cara enfiava o palito do prato dele, no meu prato, no prato do Akira e nas vasilhas com as porções maiores. Não satisfeito falava: "- Wagner, prova isso aqui!!!" e enfiava na minha boca, às vezes a comida do prato do Akira. Até a sopa eu provei, só essa era comida com colher... no mínimo estranho. Comi pacas e adorei tudo.

No final, uma bebida que parecia um chá pela cor, mas na verdade era um suco de arroz com mel e castanha... bem gelado. Até repeti de tão bom que era!!!
O encontro foi ótimo e eles agora querem conhecer algum restaurante brasileiro. Imaginem o Akira comendo uma feijoada, perguntando: "- Wagner o que é isso???", e eu respondendo: "- Pé e rabo de porco Akira...". Tô até imaginado a cena...vai ser no mínimo divertido.

Com saudades,
Ele, com a boca ardendo de tanta pimento do macarrão gelado.


Os Mello, 8:37 PM

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ATENDENDO AO PEDIDO DELE:

Vcs sabem que a minha participação por aqui se resume a dar algumas "piruadas" nos bastidores desse blog. Mas, não pude resisitir a linda declaração de amor que recebi e deixei um comentário no post "Não, não vou me separar". Só que Ele reclamou que ninguém ia ler porque o post era antigo. Então, copiei o comentário e colei aqui:
"Pois é...quem tinha qq pretensão com Ele, pode ir tirando o cavalinho da chuva....ele é só meu e de mais ninguém. Só admito dividí-lo com a Outra. Tive e tenho muita sorte de ter ao meu lado um homem como Ele. Só não concordo com Ele qdo diz que já errou mais do que eu. Eu já tive várias falhas tb e umas até bem graves mas, como acho que nascemos um por outro, tudo passou e tenho certeza que ficaremos juntos pra sempre, bem velhos e chatos mas um ao lado do outro. Te amo mais maior que o mundo. Bjs, Ela"

Os Mello, 8:03 PM


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Quinta-feira, Outubro 02, 2003

LIMPINHA

Esta semana está sendo produtiva. Consegui mudar de turma no curso. Putz!!! Vocês vão pensar o que de mim. Já não bastasse essa vidinha sem vergonha de estudante de curso de inglês (coisa que por sinal já poderia ter terminado ainda na terrinha, mas isso é um outro assunto). O melhor dos encontros foi com o me antigo colega de turma o Abúh (é isso mesmo...o nome do cara é esse!!!). O cara é uma figuraça...veio de Mali (País minúsculo da África) e caiu aqui em New York. Conversarmos e rimos bastante durante a aula.

Na saída da aula de hoje, fui abordado por uma figura, tipo bicha velha de Copacabana, que puxou um assunto antes de me dizer que poderia me ajudar com o processo. Me deu (calma aí vocês!!!!) o endereço de umas páginas na internet de lugares que teriam como interferir caso tivessem interesse. O problema que o cara é terapeuta ocupacional e só trabalha com crianças, e esses lugares pedem experiência em Pediatria (umas das poucas coisas que tenho só pavor, e não a maldita experiência), mas vou tentar assim mesmo.

Conforme havia escrito anteriormente, enviei uma solicitação para a Marinha daqui pedindo informações ligadas ao quadro de oficiais. Li que como sou Enfermeiro, rola uma possibilidade. Então...hoje a tarde, checando a correspondência, lá estava ela. Junto a uma fita de vídeo (bizonha por sinal) veio uma "convocação" para uma entrevista de trabalho. Putz!!! Me deu um puta frio na barriga depois que li o conteúdo da carta. Segunda-feira, com Yom Kippur e tudo estarei lá, ao meio dia conforme agendado. Quero saber de tudo e só aceitarei se os benefícios para mim e minha família forem bons. Não sei direito como será quanto a cidadania. Nunca falei, mas não tenho qualquer interesse de me tornar cidadão americano. Quero só trabalhar na minha profissão, ganhar um dinheiro e nada mais.

A Outra tá foda!!! A novidade de hoje fica por conta da escovada de dentes(com a maldita escova da Cinderella), lavagem das mãos e rosto, com água, nada mais nada menos, do vaso sanitário. Que vontade de lavar aquela boquinha linda, as mãos e a fuça, que me beija sempre de bico, com clorox, oxiclean e windex (materiais potentes de limpeza vendidos por aqui). Alguém merece uma criatura assim. Sentei e tentei conversar. Até gastei meu português e meu inglês, explicando a Outra que dente se escova na pia, rosto e mãos também, e que água do vaso é suja, tem coco e coisa e tal.

Depois dos dentes escovados na água do vaso, e do esporro, a Outra chegou como gato pedindo carinho, me abraçou, me beijou de bico ainda. Se não fosse minha filhinha eu juro que não deixaria, mas...

Com saudades,
Ele, que tem atirado para todos os lados.


Os Mello, 11:07 PM

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CINDERELLA

Esse é o filme do momento aqui em casa. Puta merda, já não aguento mais assistir. Para completar a desgraça, lançaram Cinderella II. É demais para um pai que tenta ser normal. A Outra passa o dia inteiro com uns livros na cabeça, imitando bandeja, trazendo café para mim e para mãe. Quando entra no quarto com o apetrecho na cabeça, nós somos obrigados a falar: "- Cinderella, I want coffee." E aí a Outra vem cantando: "- Cinderella, Cinderella, Cinderella..." Assim são nossas tardes depois da escola.

Fui comprar umas coisas para Outra e entre elas estavam uma escova de dentes e fraldas tipo calcinhas (já que está na fase das calcinhas).
Pela idade dela, a escova de dentes indicada é a de estágio II. Para minha surpresa e raiva, só tinham disponíveis essas escovas, adivinhem com a cara de quem??? Não de outra personagem, se não a cara da vaca da Cinderella. Procurei um tempo enorme, e nada!!! Era Cinderella de todo tipo. Sem opção, comprei.

Quando cheguei em casa e fui desembrulhar as fraldas para colocá-las na gaveta da Outra, descobri que as fraldas-calcinhas, eram das Princesas também. Enfim, a Outra não cabe em si de tanta Ciderella que tem. É na escola, na bolsa, na boneca, nas fitas de vídeo e agora nas calcinhas...

E.T.: Frase do dia aprendida hoje pela Outra: "This is mine." E a Outra ainda consegue usar esta frase para tudo.

Com saudades,
Ele, que odeia a Cinderella, a Branca de Neve, a Jasmim, enfim, todas essas Princesas idiotas da Disney.

Os Mello, 12:17 AM


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Quarta-feira, Outubro 01, 2003

ESCOVA DEFINITIVA...

Ontem nada demais, exceto uma dor no corpo e um sono incontrolável durante a tarde. Até que achei que ficaria resfriado, mas hoje tudo passou. A Outra está ótima na escola, já conhece a professora, a assistente e os colegas.

Hoje, muitas foram as novidades...Tiramos as últimas fotos na escola, para revelarmos os filmes. Em breve teremos fotos novas no blog. Bom, a maior de todas foi um conversa informal com a mãe do Nicholas. Um pouco mais cedo havia comentado com Adriana sobre como algumas coisas são diferentes por aqui. Nunca, ninguém perguntou para qualquer um de nós, qual a nossa profissão ou em trabalhamos por aqui. Durante a conversa a mulher perguntou no que Eu trabalhava e como entendi e achei que pouco caberia este questionamento, disse que estava aqui há oito meses...papo de louco mesmo.

Agora o pior está para ser contado... a mulher contou que o moleque fala da Outra o tempo inteiro em casa. É Ana pra cá, Ana pra lá, She is my best friend, etc, etc. A Outra até que gosta bastante e brinca com ele sempre. Normalmente depois da escola, num parque que tem ao lado.

O "mais pior de ruim", é que além da peste falar espanhol, nasceu aqui só que também tem cidadania Argentina...puta-merda, ninguém merece mesmo!!! Imaginem se o "namoro" engata... Eu até adoro a Argentina (para passeio), mas ter uma peste Portenho como "genro" isso foi praga do OSI (meu sogro). Só falta num futuro distância (muito distante, eu espero!!!) Eu ser chamado de "abuelo" e Ela "abuela", pelos filhos da minha filha. Chris, aqui estarão os verdadeiros "abuelos" !!!

Liguei para o Brasil e falei um quase uma hora com a Kyvia. Depois desse tempo ela me ligou e falamos por quase uma hora novamente, pois a mesma havia esquecido de comentar uma "coisinha". Kyvia estudou comigo no Fundão há quase dez anos. Nos formamos e depois trabalhamos juntos por um tempo no Pró-Cardíaco e um maior ainda na Clínica São Vicente. Ficamos muito amigos depois disso, e falar ao telefone com ela é sempre risada garantida. Ela faz faculdade de Direito e diz que não agüenta mais ser Enfermeira. Na verdade, acho que nunca conseguirá deixar de exercer a profissão. Tá viciada em ser Enfermeira!!! Me contou coisas sobre a Clínica e sobre as pessoas que lá trabalham. Algumas vão morrer sem mudar absolutamente nada...que merda para elas!!!

A melhor de todas, fica pela escolha da época em que ela e o namorado (o Brad) pretendem nos visitar.
KYVIA: "- Conversei com a Patrícia ontem e fiquei morrendo de vontade de ir visitar vocês aí me NY também... na verdade fiquei morrendo de inveja. Queria tanto ver vocês."
EU : "- Então quando vocês virão???"
KYVIA: "- Pô Vaguete, não sei não... minhas férias estão marcadas para Julho."
EU : "- Puta merda Kyvia...esta época é foda por aqui...o calor é insuportável."
KYVIA: "- Eu tô super acostumada com calor...basta um ar-condicionado ou um ventilador que fica tudo bem..."
EU : "- Alooou!!! Você não está entendendo...aqui o calor é da porra. A umidade é muito alta e a impressão é que estamos dentro de uma sauna comunitária todas as vezes que saímos a rua... Já no frio é foda também!!! A melhor época para vir é final de Agosto, começo de Setembro."
KYVIA: "-Xiii, Vaguete!!! É muito úmido é??? Como farei com os meus cabelos???"
(Nunca vi Kyvia sem escova em pelo menos quinze anos que a conheço. Até na praia...)
EU : "- Porra Kyvia, sei não..."
KYVIA: "-Vou ter que fazer um alisamento japonês..."
EU (morrendo de rir): "..."
KYVIA (morrendo de rir também): "- Cara adivinha quem fez isso lá no hospital???"
EU : "- Porra Kyvia sei lá. Quem???"
KYVIA: "- A "fulana".. Eu achei que combinou com a carinha dela... ficou muito legal. Você precisava ver a cara do Marcos Budha quando encontrou com ela... quase se mijou de rir depois... E você acha que combina com ela??? Você sabe ele não vale porra nenhuma, quando comentei com ele que iria trabalhar com a "beltrana" no home care, ele disse o seguinte: - Enfermeira tome cuidado hein!!! A "beltrana" gosta de colar um velcro. Vê lá hein???"
EU (me mijando de rir): "- Pior que gosta mesm..."
KYVIA: "-Acho que vou no inverno...não sei se vou agüentar o frio, mas meu cabelo fica tão bom nessa estação. Outro dia fui a Lambari, aqui do lado, com o Brad e pegamos dez graus...cara quase morri de frio. Levei luvas, touca... "
EU : "- Kyvia, dez graus está fazendo hoje... No inverno passado fez - 20 C fácil. Você não vê noticiário não é, porra???"

Esse é minha amiga!!! Fiel. Telefona sempre. Escreve pouco, porque consulta e-mail uma vez por mês (inacreditável!!!). Se preocupa muito comigo e com a minha família. Torce pacas por nós. Uma das melhores Enfermeiras com quem trabalhei nos últimos anos. Maluca...completamente maluca.


Com saudades,
Ele, que chamava a atenção dela no trabalho, de vez em quando, mas tem uma grande consideração por ela.

Os Mello, 11:48 PM



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