Os Mello no Mundo
Pouco importa o que os outros pensam a nosso respeito. Pouco importa a notoriedade, o reconhecimento social. Em compensação, não neglicenciemos o impacto das marcas deixadas no espírito por nossas ações negativas. Essas marcas são determinantes para nosso futuro e nossa felicidade...Isso é que interessa.
PERFIS
Nomes: Ele - WAGNER Jr., Ela - ADRIANA e da Outra - ANA BEATRIZ.
Como se chamam em casa: Ele - Jú (sem sacangens hein!?), Ela - Tita e a Outra: BUBI.
Idades: Ele - 31 (mas não parece mesmo!!!), Ela - 29 (também não parece nem um pouco)e a Outra - 3 (mas parece ter mais, é muito madura!!)

Signos: Dele - Não poderia ser outro, leão, é claro!!!!, Dela - Aquário (alguém conheceria outro para aturar???) da Outra - Escorpião (ninguém merece)
Podem vir para todos: amigos, comentários e dinheiro(muito).

Tipo de Música: Ele - RAP, R&B e POP; Ela - MPB e Rock Nacional a Outra - Cássia Eller, Xuxa, Blue's Clues. Os três odeiam pagode.
Bandas Preferidas: Dele - ColdPlay e RadioHead, Dela - Titãs e da Outra - Barney (um dinossauro roxo e escroto)
Cantores: Dele - 50 Cents, Byoncee, Annie Lenox; Dela - Caetano e da Outra - Cássia Eller, Marisa Monte e Dos três: Igual aos da Outra.
Filme que fizeram pensar: Para os Dois - The hours e Para a Outra - Slepping Beauty (Ela tem medo do Bruxa) e a Snow White (Ela adora a Bruxa)

Lugar que vivem: New York, apesar de amarmos o Rio de Janeiro. Ele e a Outra gostam mesmo da praia!!!

O que cada um faz no BLOG: Ele só escreve, Ela só corrige e a Outra enche o saco antes, durante e depois.
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Segunda-feira, Setembro 29, 2003

NÃO, NÃO PRETENDO ME SEPARAR..

Achei melhor postar alguma coisa esclarecendo o mal entendido do post chamado "SEPARAÇÃO". Não, eu não estou separado ou me separando dEla. Se o mercado esperava por Ela...SIFÚ. Ela, a princípio, é só minha. Já que o pai dela me deu de presente no dia 16/05/1997. Tarde demais para os outros de plantão!!!

Se homem tá difícil no mercado (olha que não entendo do assunto), posso garantir que mulher também não está fácil. Não igual ao que tenho do meu lado. Assim do tipo café com leite, pão com manteiga, barzinho, até que é fácil de encontrar, mas igual a Ela não.

Conheci Ela em situações adversas, que poderei contar em pelo menos uns três posts. Se vocês nunca acreditaram em amor a primeira vista, pré-descrito, deveriam mudar os conceitos, pois isso existe mesmo. No primeiro dia que a conheci, pensei assim: "- Eu vou casar com Ela". E casei!!!

Já brigamos muitas vezes. Poucas as vezes foram sérias...muito poucas. A maioria é por besteira mesmo. Não pensem os que estão de fora que tudo sempre foi um "mar de rosas", que nunca aconteceu nada. Vivemos um relacionamento igual a de todos "Os Normais", com direito a todas aquelas situações que aparecem na televisão e tudo, mas o segredo é passar. Acho que já pisei na bola mais vezes que Ela...bom isso também não interessa. O que interessa é que passamos por cima de todos os problemas e estamos juntos, felizes e satisfeitos até hoje.

Conheci pessoas que não acreditaram nisso... SIFÚ eles!!! Estamos juntos até hoje. Ter alguém como Ela ao lado, fica fácil para superar qualquer problema. Ela dá força, empurra, aconselha, briga e ajuda muito sempre. Não acredito naquele ditado que diz que atrás de todo grande homem tem sempre uma grande mulher...é ridículo, um casal de verdade não anda um atrás do outro, se escorando. Eles andam, crescem juntos...um ao lado do outro.

Uma vez minha avó contou que o meu avô estava preocupado com a compra de um dos imóveis que compraram no decorrer da vida. O primeiro. Meu avô comentou com a sogra sobre isso, pois minha avó precisaria trabalhar para ajudar nas prestações. Minha bisa disse o seguinte: "-Se Ela disse que te ajuda, não se preocupe...feche o negócio já!!!". E ela ajudou e muito. Quando minha avó me contou isso há muito anos, pensei: "- É com uma mulher assim que quero me casar". E casei...muitos e muitos anos depois.

Conto comEla para tudo. Na verdade quem está assumindo as despesas neste momento é Ela. Ela tem trabalhado para pagar nossas contas. Ela pesou, calculou e negociou minha saída do emprego pois mostrou, com inteligência, que seria melhor a Outra ficar comigo ao invés de ficar com estranhos. E que meu salário, por ser menor que o dela, mal pagaria a baby sitter. Sendo assim, eu poderia arrumar alguma coisa com mais tranqüilidade, no horário que quisesse, podendo me dedicar ao curso...o que realmente preciso. De verdade, não é melhor situação do mundo para mim, mas é a situação que temos no momento. Não sei direito o que seria da minha cabeça maluca se não estivesse com Ela ao meu lado.

Concluímos outro dia que depois disso, se não nos separarmos, nunca mais acontecerá. Envelheceremos juntos, ranzinzas, Eu reclamando e Ela nem aí para mim. Eu muito chato e Ela levando a vida na flauta, sem pressa, com a certeza de que tudo dará certo no seu tempo. Como já passamos da metade do processo... quem estava de olho nela... sinto muito... so posso dizer uma coisaSIFÚ.

Com saudades,
Ele, que não SIFÚ.

Os Mello, 11:40 PM

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THE OSCAR GOES TO. . .

A Outra na verdade veio para me ensinar muitas coisas... A primeira e mais importante delas é o amor incondicional. Aquele que a gente é capaz de qualquer coisa mesmo e não da boca para fora...sem esperar absolutamente nada em troca. É um amor tão puro que não tem como descrevê-lo. Você só sabe que ama muito e ponto final.
A segunda coisa foi para eu pagar minha língua. A menina é peste do tipo assim, eu quando mais novo. Desafia, respeita as regras que quer, cria as suas próprias e até enfrenta se necessário. Ele testa os limites até as últimas instâncias. Sempre me vejo nessas atitudes e por isso talvez seja tão duro para mim. É como se eu, do tamanho de um toco de gente, estivesse me enfrentando na fase adulta da minha vida. Um espelho invertido . Coitada da minha mãe...comeu um dobrado comigo. Praga dela!!!
E a terceira delas é a paciência. Aquela que eu não tinha quando meu irmão era menor. Já falei e repito, o moleque era chato pa-ra-ca-ra-lho!!! Capaz de chorar horas sem colocar uma lágrima sequer... esse é o tipinho Mauricio, meu irmão. O Filho dele meu afilhado, Rafael, puxou a mim e a Outra, afilhada dele, puxou a Ele. Chora horas sem lágrimas por qualquer motivo.

Hoje não foi diferente. A escola tem ido de vento em polpa. Ela até é bem madura e enfrenta numa boa o fato de não falar uma outra língua. Se vira, não como o Mauricio, mas como eu. Só que conforme eu disse outro dia para a professora dela: "- Ms. Sandy, the Oscar goes to...", todo dia é dia de Oscar. Aquele choro só para falar que chorei... tipo você não me venceu de todo...Eu não estou adaptada...Eu chorei. É assim e já acostumei.

Deixei a Outra lá e quando falei que ia embora, Ela chorou é lógico, só que se confundiu e ao invés de correr para o meu colo, já que Eu é que iria embora, foi para o colo da professora. Na volta, preocupado, perguntei como havia sido, e como resposta recebei: "- Dad... She won the Oscar... the best actress... Ana Beatriz".
Esse é a vida de pai de artista, passando um carão atrás do outro.

Meu primeiro dia de turma nova no curso de inglês foi legal. Turma estranha com gente esquisita...lembrei do Renato Russo. O professor saiu de uma estória em quadrinhos qualquer...parece uma caricatura e ainda se chama Vagner... conforme Anita diria, UÓ!!!
As pessoas bem receptivas...mas basta falar que veio do Brasil, os coreanos e japoneses logo perguntam se gosta e sabe jogar futebol. Só gostar não interessa...tem que saber jogar, e bem. Desta vez menti e disse que sim, sendo que o segundo Oscar ficou para família também. Nunca jogarei com eles mesmo. Fiquei POP logo no primeiro dia!!!

Com saudades,
Ele, que disse ser Zico mas na verdade é Toninho Cerezo.


Os Mello, 11:34 PM


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Domingo, Setembro 28, 2003

LOUCURA

Quero ser louco mesmo!!! Vi isso no dia que entrei numa enfermaria psiquiátrica, ainda quando era acadêmico e tive contato com os loucos. Até me preocupava com a possibilidade de ser meio maluco. Isso me incomodava só pelo fato de não conhecer a tal loucura de verdade. Não sabia nada sobre seus benefícios. Talvez pelo fato de ter visto pessoas iguais a mim, com suas famílias, histórias de vida e idades é que pude concluir isso. Era queria muito ser louco, apesar de ainda não ter assumido essa vontade para ninguém.

Percebi então que o limiar entre a loucura e a realidade eram muito tênues e por isso qualquer um poderia ultrapassá-lo sem sequer perceber que o fez. Despertou em mim um interesse enorme. Eu poderia cruzar a linha e ser mais feliz. Passar da realidade para loucura assim, muito facilmente e talvez ninguém notasse...isso sim era loucura.

Não era realmente louco naquela ocasião não. Não havia vivido nada com a intensidade que deveria. Não havia amado intensamente, não havia arriscado intensamente, não havia mergulhado em nada intensamente. Que merda era aquela situação, não queria aquilo para mim. A idade estava chegando o que teria para contar para os meus filhos, netos e bisneto sobre a minha "vidinha" - porra nenhuma, assim eu pensava comigo mesmo. O engraçado que até pensar comigo mesmo e falar sozinho eu não fazia. Ficava pensando no que os outros iriam pensar caso vissem ou mesmo pensassem no que eu estava pensado...cara que coisa mais normal!!!!

Então tudo que não era intenso eu desprezei. Deixei para trás pessoas, coisas, atitudes que achava que não viveria sem, e não morri pela falta delas. E aí resolvi viver tudo de forma intensa. Resolvi assumir minha loucura. Não foi fácil não. Demorou até um pouco. Eu era "zinho" e precisava mudar muitos conceitos sobre mim, sobre as pessoas e sobre a vida principalmente. Por sinal Eu odeio os "zinhos" de uma forma geral. Os "zinhos" não mostram a intensidade. Foi preciso abandoná-lo sem sequer despedir.

Comecei a pensar comigo mesmo e a falar sozinho quando não tinha ninguém para conversar comigo. Passei a não mais pensar no que os outros estavam pensando caso me vissem dessa forma ou mesmo pensassem no que eu havia pensado. Danem-se os outros. Na queira magoar ninguém, mas passei a me preocupar mais comigo mesmo. Amei e amo intensamente, arrisquei e arrisco intensamente, mergulhei e mergulho em tudo intensamente. Comecei a ser eu mesmo. Com os meus defeitos, minhas qualidades, minhas histórias, minhas lembranças, indiferente de gostarem ou não.

Somente quando somos loucos de verdade é que conseguimos a liberdade para essas coisas. Não se consegue ser assim quando se é "normalzinho". Loucura e liberdade andam juntas, caso não sejam a mesma coisa. Me tornei o que sempre fui...louco e livre, e foi ótimo!!!

Hoje conforme disse acima, SOU LOUCO de carteirinha e tudo, e não me arrependo disso!!!

Com saudades,
Wagner Mello

Os Mello, 1:48 AM

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A EX-MULHER DE UM AMIGO MEU

Hoje fui encontrar Ela no trabalho. O dia foi normal, exceto pela saída que nunca é normal para quem tem crianças. Sempre na hora "H" em que tudo está devidamente pronto, rola uma zica (contratempo) qualquer. Nunca são nos dez ou quinze minutos antes...é sempre na hora "H". Para quem não sabe "zica" é aquela merda sem tamanho que acontece num momento inapropriado da sua vida. Pode ser em qualquer momento mesmo.
As zicas vão desde o óculos escuros, chaves, carteira, metrocard esquecidos até aquele cagadão de respeito ou um copo de suco derramado na roupa limpinha.

Estava dentro do atraso normal quando no lobby do prédio vi a chuva caindo pesado no lado de fora. Resolvi então subir e telefonar para Ela, dizendo que não iríamos mais. Foi o maior dos escândalos. Não sei ao certo, mas a Outra chorou por uns vinte minutos e depois dormiu no próprio carrinho. Na verdade a Outra não chorou... berrou aos montes.

A chuva parou e lá fomos nós encontrar com Ela. Fiquei de ligar para o namorado de uma amiga minha chamada Ísis (uma amiga muito especial). O namorado dela, Walter, está aqui em NY há seis meses para um curso e irá voltar ao Brasil na próxima quarta. O cara tá muito feliz por tudo: pelo curso, pelo dinheiro que ganhou, por ter morado sozinho, pelas compras, só que não gostou muito da cidade. Acho que NY é meio assim...ou você ama ou odeia. Não tem meio termo. Na nossa despedido o cara agiu da mesma maneira de sempre, dando aquela força e isso me fez muito bem. Ele além de muitos outros acreditam no nosso futuro por aqui...e por isso ainda estamos nessa luta, só pelo fato de acreditar, teimosamente.

Durante o café que tomamos, papo vai papo vem, fiquei sabendo que trabalhei com ex-mulher do cara. Nunca sequer pensei nessa possilidade. Ela casou com um outro médico que tem cara de trouxa, apesar de ser "legalzinho". Como esse mundo é pequeno... O marido atual dela, levou meu curriculum para eu trabalhar nessa empresa. Conversávamos semanalmente e nunca passou pela minha cabeça que ele fosse casado com a maluca que o Walter tanto fala mal. Outro dia li no post da Madame Oráculo sobre isso. Vim descobrir isso aqui em NY, numa mesa do Starbucks...sei lá a quantas mil milhas de distância do Brasil. Trabalhei com ela durante anos e nunca soube... êta Mundinho pequeno!!!!

Na saída, bem em frente ao Rockfeller Plaza, a Outra deu umas lesas em mim e na Adriana e quase foi atropelada. Meu Deus...quase morremos de susto. Dei uma corrida, que se fosse cronometrada entraria para os recordes mundiais. Foram os cinqüenta metros, que deixariam o Ben Johnson, mesmo anabolizado, na poeira. Não conseguíamos andar depois. E a Outra foi para o carrinho sem sequer reclamar, pois viu de longe a merda que havia feito. No carrinho notei que a menina parecia que havia saído do chiqueiro. Estava com a cara preta de chocolate e sujeira, além da calça preta que era amarelinha. Talvez nem clorox resolva.

Em casa consultando e-mails, dei uma "surfada" básica na net e achei umas coisas bem interessantes. Entrei no site da marinha (www.navy.com) daqui e solicitei informações para um alistamento, como Enfermeiro, caso isso adiante minha licença. Também achei que fosse loucura, como muitos pensarão... mas não é de todo mal. Seria como oficial. O salário é muito tentador. Nunca curti as forças armadas e inclusive não servi no Brasil. Seria muita ironia do destino, servir aqui para que o meu problema fosse resolvido de forma rápida. Seriam por três anos somente e sempre tive vontade de trabalhar em condições não muito favoráveis... mas tudo isso será devidamente pesado e conversado com Ela... afinal é quem manda.

Com saudades,
Ele, fazendo qualquer coisa para receber a licença...até entrando para as forças armadas (se adiantar alguma coisa, é claro!!!).

Os Mello, 12:55 AM

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OBRIGADO

Bruno (Anita ou Annie para os mais próximos),
Muito obrigado pela ajuda!!! Ainda bem que podemos contar com amigos feito você em todas as horas mesmo, principalmente quando existe um problema que fica entre a cadeira e o teclado do computador. Todas as vezes que abrir o Blog e pintar aquela foto linda da BUBI, lembraremos de você pela ajuda.

Os Mello, muito felizes, agradecem.

Os Mello, 12:53 AM


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Sábado, Setembro 27, 2003

RECEITAS II

Quando ouvir novamente as seguintes frases: "- Nossa você emagreceu!!! Tem ido a academia???", darei a receita que usei para tal. Aí vai:
Vá passar férias em um país a algumas horas de avião do Brasil. Quando chegar lá visite algum lugar onde sua profissão é exercida. Depois da visita, receba um convite e decida ficar. Afaste-se dos seu parentes e amigos. Aguarde as licenças por um tempo indeterminado. Trabalhe em outras funções que não seja a sua. Encurte seu dinheiro. E pronto!!!

Já perdi oito e Ela uns quatro quilos...

Muito puto,
Ele.


Os Mello, 12:36 AM

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RECEITAS

Hoje foi o dia de matar algumas vontades. Ela estava louca para comem um pudim, que só Ela consegue fazer (diz que 'e receita secreta de família) e Eu com vontade de maionese de batata (aquela mixuruca com cebola e cenoura). Fui até o mercado com a Outra, que conseguiu infernizar o meu juízo, para comprar os ingredientes. A menina tá parcendo filha de cego. Consegue encontrar coisa "útil" para a mesma em loja de artigos masculinos para adultos.

Leite condensado aqui é coisa rara, já batata, cenoura e cebola, se encontra em qualquer lugar. Não sei já comentei alguma vez, mas essas coisas não tem o mesmo gosto que as do Brasil, mas como não tem outro jeito, compro assim mesmo.

A maionese ficou ótima e o pudim, nem falo... Agora falta matar a saudade dos parentes e amigos que ficaram no Brasil. Pena que eu não possa fazer uns pais, uns tios, uns sogros e alguns amigos de vez em quando na cozinha. Se pudesse tudo estaria resolvido. Imagina eu falando com Ela: "- Adriana olha o forno e vê se minha mãe e meu pai já estão prontos!!!" ou "- Adriana, põe um pouco mais de água no Osi e na Rô e depois deixa em fogo baixo até ficarem prontos!!!".

Infelizmente as coisas não são desta forma. Como aprendi desde de cedo, não é possível ter tudo ao mesmo tempo agora, precisamos aceitar as condições da opção que fizemos e entender a necessidade de abrir mão de umas coisas em detrimento de outras. Nunca tive nada muito fácil e esta conquista não está sendo diferente.

Em breve as coisas estarão resolvidas e certamente o tempo entre as ausências ficarão menor.

Assim espero!!!

Com saudades,
Ele e Ela, na cozinha

Os Mello, 12:31 AM


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Sexta-feira, Setembro 26, 2003


Dá pra acreditar que finalmente conseguimos colocar uma foto nesse blog???? Essa é a Outra em um passeio no Museu de História Natural. Não é lindinha?????

Os Mello, 1:22 AM

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SEPARAÇÃO

Até hoje acreditava que a separação, seja ela qual fosse, deveria ser feita de uma só vez. Sem piedade de si mesmo ou do outro. Não acreditava no tempo que as pessoas acreditam. Sempre preferi a praticidade de falar: "Foi ótimo, mas acabou. Então, tchau, estou indo!!!"

Sempre acreditei que as pessoas mudam com o tempo, com as experiências vividas e quando querem mudar. Ninguém melhora, simplesmente muda. Se melhora de um resfriado, de uma pneumonia..mas conceitos não!!! Esses são mudados, demorada ou rapidamente.

Hoje mudei um dos meus conceitos. Na segunda semana de aula, minha filha com dois anos quase três, tem mostrado-se cada vez mais independente de nós. Nos primeiros dias da adaptação, minha mulher ficou com ela durante todo o tempo. Foi assim na primeira semana inteira. Na segunda, foi a minha vez e a professora pediu para eu fazer o que fiz (contado num post anterior). Hoje, dentro da segunda ainda, houve um choro de dois minutos, daqueles só para dizer que chorei. Sem qualquer resquício de sofrimento ou raiva.
Na saída, uma felicidade só. Mostrou os adesivos que ganhou, o trabalhinho que fez, foi elogiada pela professora e ainda a beijou dizendo bye, bye...como se nada tivesse aconcetido, até porque nada mesmo aconteceu.

Esta foi a primeira separação de uma série de muitas que ainda iremos passar. Espero pelo primeiro passeio, pelo primeiro sleep over na casa da amiga, do primeiro summer camp, do primeiro namorado, da primeira vez que não dormirá conosco e sim com ele, da primeira viagem coma galera e ele, da saída para faculdade e, por último, quando decidir morar só.

Vou, a partir de hoje, preferir as demoradas. Talvez o sofrimento seja menor desta forma ou talvez eu e Ela simplesmente nos acostumemos com o fato de que a Outra esta sendo criada para o mundo, conforme eu vivo dizendo para mim mesmo e para os outros, tentando talvez me convencer desta verdade (já que não tem outro jeito, né???).

Com saudades,
Ele, que mudou o conceito de separação.

Os Mello, 12:17 AM

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SOZINHOS

Hoje tivemos uma hora sozinhos em casa. Só eu e Ela. Já não tínhamos isso desde quando saímos do Brasil e já tínhamos até esquecido. Naquela época, minha mãe dava aquela força e sempre tínhamos algum tempo para conversar ou fazer outras coisas. Era um tempo sem o compromisso ou a preocupação de que deveríamos resolver as coisas rápido.

O tempo de hoje foi pequeno, mas importante, pois lembramos disso. Em nove meses essa foi a primeira vez. Dava até para ter tipo um outro filho neste tempo de "coma profundo", sempre acompanhados da Outra.

Na verdade nem tivemos tempo de curtir muito, só almoçamos calmamente (coisa que nós, pessoas com filhos não fazemos com freqüência) e depois ficamos especulando como a Outra estaria sozinha na escola, se estaria brincando, se havia parado de chorar. Rimos um pouco. Especulamos um pouco mais e, aí, deu a hora de sair para pegar a figuraça.

Não temos saudade do tempo em que tínhamos todo o tempo do mundo, mas às vezes é bom ter um tempo só para nada, ou tudo. Hoje as responsabilidades são outras, bem maiores da que naquela época. Educar alguém é mais difícil do que pensava, consome um tempo enorme e nem nós dá a certeza de que tudo sairá conforme planejamos. A única certeza que temos é que estamos fazendo o melhor que podemos, sem sequer pensar em nós mesmos em determinados momentos...só o melhor. Sabemos que nesta jornada erraremos algumas vezes e acertaremos em outras. Torçam para que acertemos mais.

Com saudades,
Ele, que ficou um tempo sozinho com Ela e só pensou na Outra.




Os Mello, 12:16 AM

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PARA DESCONTRAIR...

Não postei ontem mais descobri por que a Ms. Sandy e sua assistente são E-NOR-MES de gorda. Bom elas chupam "lolipops", comem os "snacks" e bebem suquinho de frutas o dia inteiro. Assim não há quem se mantenha num peso adequado e as bundas só tendem a aumentar cada vez mais (se é que é possível). Sem contar que são duas turmas, uma de manhã e outra à tarde.

Conversando hoje no parque, Ela me contou que uma das crianças é vegetariana e que a mãe é paranóica com isso. Não gosto de certas imposições, mas isso ficará para um outro post. Como não falho nada mesmo e acho a mulher uma chata, falei para Ela que eu mesmo seria responsável pelo cardápio da festinha da Outra. Terá cachorro quente, pizza de pepperoni, coca-cola. O bolo será daqueles bem doces e terá ainda muito brigadeiro e cajuzinho. Abaixo com o suco de maçãs e soja, além dos biscoitos macrobióticos e dos doces que não são verdadeiramente doces.

Como os pais não participarão, quando a mãe pentelha fosse buscar a filha, esta contará o que comeu e dirá que só não aceitou o churrasco-grego...

Com saudades,
Ele, o perverso.

Os Mello, 12:16 AM


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Quinta-feira, Setembro 25, 2003

ALGUMAS LEMBRANÇAS

Tenho tantas lembranças.
Lembro de fatos e acontecimentos tristes e engraçados.

Lembro de mim pequeno, meio que tomando conta do meu irmão.
Lembro de algumas festas que tivemos e de algumas que não tivemos também.
Lembro dos meus pais brigando por causa das brigas que tinha com ele.
Lembro do companheirismo deles também.
Lembro de quando dividíamos o mesmo quarto, a mesma sala, e de quando não dividíamos mais.
Lembro que ele chorava pacas.
Lembro da saudade que sentia quando ele não estava perto e lembro das vezes que implicava com ele só de sacanagem.

Lembro da minha mãe sempre perto apoiando meu pai nos momentos difíceis que passamos.
Lembro de ouvir as pessoas dizerem que ela não suportaria isso. Lembro que suportou, e muito. Lembro do meu pai dono de lojas e depois desempregado.
Lembro do dinheiro que excedeu e que faltou em algumas épocas.
Lembro dos sacrifícios que fizeram por mim e pelo meu irmão, isso jamais vou esquecer.
Lembro do subúrbio, das casas que morei, do jardim e piscina que tive.
Lembro dos meus avós, de cada gesto e atitude que tinham conosco. Lembro que Ele me ensinou a cuidar das plantas e gostar de animais. Lembro que um dia Uma morreu...pouco depois Outro e bem mais tarde a Outra, que deixou uma saudade que também não vou esquecer.

Lembro de alguns professores do colégio.
Lembro de alguns inspetores.
Lembro de alguns amigos, outros acho que esqueci.
Lembro de algumas pessoas e outras quero esquecer... mas nem sempre consigo.
Lembro das idas ao Tivoli Parque. Que lembrança boa!!!
Lembro dos tios que nos levavam. Talvez eles tenham esquecido o quanto nos fizeram felizes naqueles momentos ou talvez não.
Lembro que estiveram muito próximos quando lembrei dos problemas que passamos.

Lembro do meu primeiro emprego.
Lembro do primeiro salário.
Lembro de alguns chefes e colegas de trabalho. De nenhum quero esquecer, mesmo os piores, pois esses me ensinaram mais que todos.
Lembro da minha entrada da faculdade.
Lembro da felicidade dos meus pais. Isso eles não vão esquecer.
Lembro do primeiro ano como acadêmico no hospital.
Lembro do meu enxoval branco da faculdade...a mulher que lavava esta roupa e colocava para quarar no sol, também lembra, só esqueci do nome dela.

Lembro da primeira vez que andei de trem, da primeira vez que dirigi, da primeira vez que comprei um carro e da primeira vez que andei de avião de primeira classe.
Lembro quando e como conheci Ela, mas isso nem todos vão saber.
Lembro da nossa primeira noite juntos, e das outras noites também.
Lembro das festas, boites e barzinhos que fomos juntos.
Lembro das roupas que usávamos, mas isso eu posso até esquecer, apesar de algumas fotos.
Lembro da minha formatura, das promessas de não esquecer os amigos, mas isso tudo mundo esqueceu.
Lembro que minha avó foi.

Lembro do meu casamento, como hoje. Quem estava presente também lembra.
Lembro das brigas e dos entendimentos. Sei que das vezes que o problema foi dela, eu esqueci, mas das vezes que eu fui o problema, não.
Lembro de quando soube que talvez não pudesse ser pai, mas também não esqueço do dia que soube que seria...fiquei tão feliz!!!
Lembro do dia que a Outra nasceu. Estava calor!!! A Outra, que eu me lembre, era a criança mais bonita do berçário inteiro.
Lembro do meu primeiro passeio em família, na Praça Eugênio Jardim, em frente a minha casa. Eu de Canguru com Elas.
Lembro das minhas viagens, dos lugares que conheci, das fotos que tirei e das que não pude tirar também.
Lembro das viagens em que fomos todos juntos. Quem estava neste dia também lembra.

Lembro de quando convenci meus pais a mudarem e ficar perto de nós.
Lembro da felicidade da minha mãe em ser avó da Outra em tempo integral.
Lembro que meu pai ficava feliz também, sempre fazendo vontades bobas.
Lembro que íamos a praia juntos quase toda semana.
Lembro dos dias felizes que passamos, mas só dou valor agora...disso eu não posso mais esquecer.
Lembro que pouco depois eu optei por ficar aqui.
Lembro que tive que falar com eles meio que com certo jeito, mas lembro que falei e Eles me apoiaram mesmo tristes.

Tem coisas na vida que lembro como se tivessem acontecido há poucos minutos. Outras queria que nunca tivesse passado...e algumas outras que gostaria de esquecer, mas nem sempre é possível. Algumas lembranças ficam tão marcadas em nós que não teríamos como ser nós sem tirá-las. São como cicatrizes. E essas, quando profundas, não saem mais.
São marcas que, às vezes, só interessam a nós mesmo, e que morreremos com elas, pois de alguma forma foram positivas para nós, mesmo que na época que ocorreram, não enxergássemos desta maneira.

Com saudades,
Wagner Mello.


Os Mello, 12:29 AM


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Terça-feira, Setembro 23, 2003

OBRIGADO

Já passamos das quinhetas visitas...e eu que achava que só minha mãe, meu pai e o Osi (meu sogrinho) iam visitar esse blog....risos. Até porque falar da vida de uma família nem sempre é interessante. é Uma pena que nem todos comentem.
Muita saudade de todos e louco para retribuir as visitar, ao vivo, quando for ao Brasil.
Conheci pessoas novas por intermédio disso lá no Brasil, aqui em NY e até na Itália. Fico muito feliz por isso, pois adoro novas amizades. Aos que me visitam, visitem os blogs indicados. São ótimos!!! Leio todos, todos os dias e comento sempre.

Obrigado aos visitantes fiéis.
Ele, Ela e a Outra.

Os Mello, 11:30 PM

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DIA DA PORRA!!!

Ontem não postei nada...e nem foi por não ter nada para contar, foi não ter saco mesmo. Todos os dias eu tenho sempre coisas para contar. Por aqui, como tudo ainda é muito novo para mim, observo muito as pessoas, seus comportamentos e ações frente algumas situações. É muito diferente quando você vem em lugar para passar as férias e quando você decide ficar tipo para sempre.
Bom, meu dia sempre tem começado como aquele diazinho-mixuruca-de-dona-de-casa. Há alguns posts coloquei minha indignações sobre isso. Todas as donas ou donos-de-casa deveriam ser remunerados, e bem remunerados. Cuidar da casa e de crianças é coisa pacas e não é mole!!!

Os dias só não se repetem, pois quem tem a Outra em casa, eu posso garantir...nenhum dia é igual ao outro. A Outra tem feito eu passar cada carões...inimagináveis. Ontem por exemplo, num bom inlgês, daqueles sem qualquer sotaque, mandou a professora calar a boca. Confesso que eu estava morrendo de vontade de fazer o mesmo. A mulher maluca cantava aquela musiquinha da fazendinha, onde em determinados momentos é necessário imitar o som dos animais cantando... imaginem uma vaca, um cavalo, uma cabra cantando. Foi por isso!!! No meio da música, já irritada, a Outra vira para a mulher e fala:
A OUTRA (muito puta da vida): "- SHUT UP!!!" Fazendo com o dedo igual a Enfermeira pedindo silêncio em anúncio de corredor de hospital.
MS. SANDY:(querendo enforcar minha filha) "- SO CUTE!!!! She said shut up!!!"

Tive vontade virar a amiga Ema do comercial de televisão. Só queria achar um buraco para me meter minha cabeça nele e sumir. Pedi desculpas umas cinco mil vezes. Morri de vergonha!!!

Fiquei lá por duas intermináveis horas. Observei as crianças e posso traçar um perfil confirmado hoje.
DEBOLINA - Indiana. Ninguém merece esse nome!!! Tem 3 anos. Esperta pacas, mas meio chata. Bate tipo na cintura da Outra. Ela sabe de tudo, ela canta todas as músicas, ela responde tudo, participa de tudo, chama atenção das crianças. É uma oferecida!!!!
AMANDA - Tibetana, com cara de totem mexicano. Chora por tudo e sempre depois larga um vomitão. Não fala nada de inglês. É bulímica!!!
NICHOLAS - Americano, porque nasceu aqui. Tem uma família hispana feia da porra. O moleque até que é bonitinho. Repetente. Não divide nada com ninguém e gosta de bater nos outros. É o único menino. É um marginal!!! E eu ainda corro o risco dele no futuro "pegar" minha filha...Oh!! Mundo cruel.
ELISA - Tailandesa. Tem 3 anos e pouquinho também. Tem cabelos pretos e lisos. Sempre arrumadinha. Sabe das coisas e entende um pouco de inglês. Não chora nunca e cada dia vai com um penteado diferente. É uma perua!!!! A mãe dele que não cuide disso.
A OUTRA - Brasileira. FIGURAÇA. Tem dois anos quase três. É a caçula da turma e a maior de todos em tamanho. Não faz nada que a professora pede, e não porque não entenda, simplesmente porque não quer. Nunca penteia o cabelo. Quer pirulito toda hora e manda a professora calar a boca. É LINDA, LINDA, LINDA!!!! Por ser inteligente demais e esta sempre à frente, não segue ordens imbecis. Certamente será alguém muito importante no futuro. É excêntrica e nossa filha!!!!

Me senti o pior e mais mau dos pais. Cheguei lá sentei no meu lugarzinho, enquanto as mães desovavam seus filhos e abriam fuga. Levei o livro do Nclex para estudar. Não estava me sentindo a vontade, pois a professora talvez não se sinta bem com alguém dentro de sala observando tudo. Na verdade, a Outra foi para escola, pois precisa de certos limites que um professor pode ajudar bastante. Então, lá estava eu. Sentado, estudando e observando tudo. Em determinado momento, a professora falou com a Outra para que sentasse a mesa e participasse das brincadeiras. A outra simplesmente disse: "- N-Ã-O", com a boca mais cheia do mundo. A professora falou então que se a Outra não fosse pediria para eu ir embora. Rapidamente a Outra correu e ficou perto de mim...quer dizer, entendeu o recado, mesmo em inglês. Aí a professora pediu para eu repetir o mesmo recado em português. Fiz isso com o coração sangrando. Não queria deixar minha BUBUQUINHA lá com aquela gorda e aquelas crianças malucas...mas precisava colaborar de alguma forma. Respirei fundo e falei. A Outra cagou um quilo para mim e ainda ganhei outro não daqueles.

Sem opção, saí. Não podia ficar desmoralizado na frente de todo mundo. A Outra, chorou, murrou a porta, pediu please. Eu só escutei com o coração na mão, atrás da porta, com vontade de arrombá-la e pegar minha filhinha. Fiquei ali por alguns minutos até ter a certeza que a professora não gritaria com ela ou sei lá o quê. Recitei uns mantras. Respirei fundo e vazei... deixando três das cinco crianças chorando. Foi um escândalo só!!!

Cheguei em casa, desci até a laundry com as roupas para lavar. Fui ao supermercado, fiz compras da semana para o café da manhã, comprei umas jujubas e um chocolate para levar. Voltei em casa, deixei as compras. Desci até a laundry, troquei as roupas de máquina, sendo que precisei adiantar um ciclo, pois faltavam dez minutos para buscá-la. Será que estaria bem??? Corri mesmo até a escola e às 3:00 em ponto estava lá na porta. Quando a porta abriu, lá estava a Outra, com a mochila de joaninha nas costas, com um pirulito na boca e um peixe que disse: "- Papai, olha o fish, que eu fez!!!" . Beijou a professora, deu tchau para todos, como se nada tivesse acontecido.

Mereceu um parquinho por trinta minutos. Já as jujubas com gosto de tylenol e o chocolate, quem comeu fui eu. Estava muito nervoso e precisava de alguma coisa doce...como não tinha nenhum lexotan ou dormonid, peguei aquilo mesmo.

Talvez eu tenha passado os 60 piores minutos da minha vida. O choro misturado das crianças não saia da minha cabeça na laundry, no supermercado e na rua. Ela nem aí, depois dos cinco primeiros minutos.

Vida de pai e mãe é assim mesmo...Um sofrimento atrás do outro. Mas é preciso superá-los, pois estamos criando nossa BUBI para o mundo e mais cedo ou mais tarde, a Outra não mais dependerá de nós. Terá seus próprias pernas e sua cabeça bem legal para viver o mundo.

Com saudades,
Ele, com coração já dentro do peito...até amanhã no horário da escola.

Os Mello, 11:08 PM


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Domingo, Setembro 21, 2003

Recebi este e-mail que deveria ser cômico se não fosse trágico. Não moro no Rio, mas fico indignado com o servicinho medíodre que essa maldita mulher tem feito. Aí vai o versinho:

" Sou da cidade mais colorida do mundo: o mar é azul, o Jardim
Botânico é verde, a Governadora é Rosinha, o comando é vermelho e a coisa tá preta!
Sou carioca da gema!!!!
"

Wagner Mello


Os Mello, 11:02 PM

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O COCURUTO DO DALAI

"- PUTA MERDA!!! QUE FILA É ESSA????" Foi o primeiro comentário que fiz quando fui chegando perto da muvuca de gente que se aglomerava na entrada da 90th St com 5th Avenue. Saí de casa por volta das 10:30h, por vontade minha, pois se tivesse obedecido à Ela, teria saído por volta das 9:00h. Tudo bem!!! A certeza de que nada daria errado estava comigo.

Anda até a estação (1 quadra) do metrô. Pega o metrô Fque nos finais de semana é local. Demora cerca de 25 minutos até a Lexington Avenue com 63rd St. Anda até a Madison. Já na Madison pega o M101 limited a desce na altura das 90th. Esse foi o meu caminho até o local onde o 14o. Dalai Lama falaria para galera. Programa programado por mim há 2 meses, anotado no calendário da geladeira e tudo. Convidei até o meu amigo japa Akira para ir, mas o cara preferiu ver o jogo de baseball no Shea Stadium, pois disse que já o havia visto no Japão.

Imaginem só... vê o Cara assim de pertinho, falando para só para mim (e para milhares de outras pessoas, na verdade), me trazendo uma puta paz e ainda de graça...É TUUUDO!!!!
New York tem realizado alguns sonhos meus e esse era outro. Isso lembra uma das vezes que fui assistir Marisa Monte no Canecão. Fiquei lá na frente mesmo. Cantei, gritei, mandei beijo e fui até retribuído (por ela!!!). Queria fazer o mesmo, nas devidas proporções, com Ele. Tinha até pensado numa faixa escrita "Free Tibet", "Dalai I love you" ou coisa parecida.
Tenho todos os livros dele publicados no Brasil... sou o maior fã mesmo e não pelo fato de ser Budista, mas pelo fato de admirar a pessoa que Ele é. O Cara é FODA!!! (com o perdão da palavra Sua Santidade!!!)

Conforme disse no início a fila era quilométrica e não estou exagerando ou de sacangem. Começava na 95th com a Central Park West e se estendia até a 90th com a 5th Aveneu. E não era aquela fila fininha não...era das grossas e com gente de todos os tipo. Isso me impressionou, além do respeito à fila, é claro. Os habitantes de New York tem essa qualidade (talvez pela diferença cultural, o respeito entre as pessoas é sempre visto). Todas as religiões estavam lá. Eram Judeus, Muçulmanos, Hindus, Hare Khrisina, Católicos, etc. Todos para ouví-Lo. Sem preconceitos de raças e credos. Só para ouví-Lo (bem que esse povo poderia ter ficado em casa, desta forma a fila seria mais fininha...risos).

E na fila tinha de tudo e durante o percurso também tudo era vendido e distribuído. Tinha "neguim" fazendo yoga, meditando, lendo, conversando, ouvindo música. Se vendia cachorro quente, água mineral, refrigerantes. E se distribuía desde santinhos do Dalai Lama, abaixo assinados "free Tibet" até de candidatos à Presidência. O ECLÉTICO ERA ABSOLUTO!!!!

Descobri que muitas pessoas que costumo ver na rua que acho que são Mexicanos, na verdade são Tibetanos. Sem qualquer sacanagem, o povo do Tibet tem a maior cara de totem...igualzinho aos Mexicanos. Todos parecem ter saído da Península de Yucatan. As mulheres do Tibet vestem roupas tipo vestido comprido com uma porra tipo um avental colorido na frente. Notei que as meninas mais novas não usavam o tal do avental. Já os caras era uma coisa assim meio mix de túnica Japonesa com roupa de alegoria de escola de samba...mas legal, apesar de colorida. Irei até pesquisar sobre isso, pois fiquei intrigado.

Durante todo o percurso se sentia um cheiro gostoso de incenso. Li, meditei, recitei mantras¿só não fiz yoga, pois estou meio enferrujado, mas confesso que me deu uma puta vontade também. Depois de quase 3 horas, cheguei a entrada, onde eram revistadas todas as bolsas e indicado o local.

Bom, assim que cheguei, notei que as pessoas se levantaram e aplaudiram. Achei ótimo, pois pensei: "- Porra agora vai começar!!!! Sorte minha..." Engano meu. Estava totalmente errado. Tudo estava era terminado. Que merda!!!

Ouvi de tudo: burburinho, conversa entre brasileiros e muita gente falando línguas que não entendia sequer uma palavra. Vi muita gente do Tibet fazendo o maior pic-nic além do cocuruto do Dalai Lama nos telões colocados um de cada lado do palco.
Não perdi minha viagem. Sentei na grama, fiz o meu pic-nic. Vi as pessoas. Não fiz o que queria, mas pelo menos peguei um sol sem camisa (coisa que não faço desde quando cheguei aqui).

Só me sobraram os livros escritos por ele. Acho que a palestra e a figura Dele que me transmite a esperança e paz que procuro, ficarão para o próximo encontro. Desta vez saindo com pelo menos 5 horas de antecedência, conforme Ela queria.

Com saudades,
Ele frustrado, mas com a visão inesquecível do cocuruto do Dalai Lama.

Os Mello, 10:57 PM


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Sábado, Setembro 20, 2003

INOCÊNCIA

Outro dia conversando com a minha mãe ao telefone, ele me contou como eu costumava tomar conta do meu irmão. A diferença não é muito grande mas segundo ela, eu tomava conta dele em todos os lugares, principalmente na escola. Foi uma lembrança bem gostosa daquela época.
Achei esse comentário engraçado, pois segunda minha mulher, eu ainda tento fazer isso mesmo à distância. Acho que pelo fato do meu signo, realmente me sinto o irmão mais velho e sempre me dou ao direito de falar o que quero como se ele ainda fosse pequeno ou como se estivéssemos na escola.

Por que estou falando disso???? Lembrei!!! É que quando somos pequenos, temos a errada impressão de que tudo é perfeito e nada precisa de mudanças. Nossos pais são heróis, nos amigos os melhores, no mundo só tem gente boa, ninguém tem sequer um defeito e que o bem sempre vence. Isso é a inocência dos anos, que "sacanamente" perdemos com o passar deles e que quando "teimamos"em preservar, somos mal entendidos e tachados de "bobos".

Minha filha tem esse inocência. Ela tem quase três anos, mas uma personalidade muito forte. Um mix da minha arrogância e orgulho (que tento mudar diariamente), com a doçura e carinho da mãe. Não posso esquecer que tem a mania insuportável de chorar à toa como a do Tio Mauricinho, meu irmão (meus parentes podem atestar o que estou dizendo...o moleque era cha-to-pa-ra-ca-ra-lho!!!).

A Outra ainda acredita em tudo que dizemos sem sequer pensar na hipótese de contestar. Nos últimos dias por exemplo, a Outra tem ido a escola e tem gostado bastante disso. Reclama um pouco para sair, mas depois que chega não mais quer ir embora. Só que hoje a Outra se superou. A Outra tem uma cozinha de brinquedo, com milhões de comidinhas de plástico que adora. Como todo mulher moderna, na cozinha da Outra não poderia faltar um telefone sem fio. De vez em quando o telefone toca e a Outra nos traz para atendê-lo e é sempre o mesmo discurso em inglês que ela fica olhando super assustada, do tipo como a Ms. Sandy (professora da escolinha) tem o telefone da minha cozinha??? É sempre assim:
EU ou ELA: (em inglês) "- Alô!!! Ms. Sandy...Tudo bem???"
Ms. SANDY EM ESTADO GHOST: "........"
EU ou ELA: "- Quem está falando é o pai/mãe da Ana Beatriz."
Ms. SANDY EM ESTADO GHOST: "........"
EU ou ELA: "- Ela está ótima sim, obrigado..."
Ms. SANDY EM ESTADO GHOST: "........"
EU ou ELA: "- Lógico que ela vai para escola na segunda-feira."
Ms. SANDY EM ESTADO GHOST: "........"
EU ou ELA: "- Pode deixar que ela vai usar o pinico sim..."
Ms. SANDY EM ESTADO GHOST: "........"
Eu ou ELA: "- Então tá...vejo você na segunda...tchau."

Durante toda a conversa a Outra nem pisca e fica com uma cara super engraçada. E quando termina, quem atendeu a Ms. Sandy em estado ghost, repete o mesmo discurso em português para a Outra entender melhor.

É engraçado e triste, pois a Outra daqui há algum tempo perderá um pouco dessa inocência. Verá que seus pais não são heróis mas são seus pais capazes de fazer qualquer coisa por ela, que seus amigos tem defeitos, mas são seus amigos, que nem todo mundo é tão bom e que às vezes o mal vence.

Procuramos criá-la de uma maneira honesta...com os nosso princípios e com ela própria. Afinal a Outra será do mundo, como está sendo o meu irmão e como estamos sendo nós mesmo.

Será que deveríamos perder esse inocência, ou mantê-la seria inocente demais???

Com saudades,
Ele, que acreditou e nisso tudo por um longo tempo e que ainda acredita um pouco.

Os Mello, 10:03 PM

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CONSIDERAÇÃO

Como definimos "consideração" ??? Resolvi procurar no dicionário on line e achei a siguinte definição:
do Lat. consideratione s. f., ato de considerar; exame atento, reflexão; raciocínio; importância; razão, motivo que pode determinar um ato; estima; deferência; respeito que se dedica a alguém; crédito; bom nome; (no pl.) reflexões; (no pl.) exposição fundamentada.

Sempre que vejo ou passo por alguma sacanagem, essa palavra vem em mente e por mais que não queira, rola uma cobranças do tipo: " - Porra que falta de consideração!!!" Talvez isso aconteça pois de uma forma ou de outra eu nunca acredito no que tenha acontecido, pois quando me coloco na situação de quem fez, vejo que jamais teria coragem de fazer igual, e por isso acaba sendo mais doloroso.

Não sei se isso tem acontecido pelo fato de estar meio afastado da religião que escolhi, dos meus parentes e dos meus amigos. Sei que foi por escolha minha, mas acreditava ser mais fácil. Só que tem sido difícil por aqui e acho que toda essa situação só faz piorar.

O que me preocupa mesmo é nas coisas que penso que poderei fazer tão logo tudo esteja resolvido. Soa meio como vingança. E isso realmente não é meu perfil, nunca fez parte de mim mas infelizmente tenho pensado nisso com uma freqüência maior do que deveria (uma vez já é mais do que deveria!!!).

Sei que não devemos esperar nada de ninguém e eu vivo dizendo isso.
Sei também que cada pessoa dá aquilo de melhor que possui. Umas dão muito porque são muito, e outros não dão nada, pois não tem nada para oferecer. Sei que até precisam de alguma ajuda, mas não estou no melhor momento para isso.
Talvez um dia eu entenda melhor e até esqueça todas essas histórias tristes, mas por enquanto ainda não dá...por mais esforço que faça!!!

Só a Rô e algumas poucos pessoas que sabem das "histórias", entenderão.

Com saudades,
Ele.

Os Mello, 10:03 PM

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PROGRAMAS

Por aqui rolam todos os tipos de programas de televisão. Vão dos mais interessantes aos mais imbecis. Gosto dos interessantes mas não deixo de assistir aos imbecis também...às vezes (juro!!!). Faz um puta bem rir de coisas idiotas. Bom, hoje cedo acordei e liguei a televisão para a Outra acordar "bem-humorada" - coisa quase que impossível, mas não custa tentar!!! Como tenho a mania maldita de trocar de canal à cada 3 segundos, parei no E! "Entertainment Television" e rolava um sobre o P. Diddy. Porra, não custo o cara mas mesmo assim, de sem vergonha que sou, resolvi assistir.

O nome do programa era "It's good to be" e descrevia o estilo de vida. Mostrou as mansões em B. Hills, nos Hamptons, em N.Y. Falou dos preços dos presentes que deu para J. Lo, dos valores dos carros (R.Royces) que possui, dos casacos de peles, enfim de tudo.
Notei que uma raiva superior tomava conta de mim...e que não poderia controlá-la por muito tempo...Até que me emputeci, e resolvi mudar de canal antes de terminar. Foi então que Ela perguntou o que houve assim:
ELA: "- O que houve, não gostou??? Esse programa é legal, pois tem gírias...e você pode treinar o inglês."
EU: "- O cara é meio exagerado...mesmo que faça caridade ainda acho que ficou meio louco com tanto dinheiro...nada que mostrou tem a cara dele. Por mais dinheiro que tenha, continua com cara de pobre. E depois ele comeu a J.Lo!!!"
ELA: "- Então por que trocou de canal???"
EU: "- Porra Adriana, chega de sofrimento!!!! De que adianta não ter cara de pobre é ser fodido??? Por mais que trabalhemos umas cinco reencarnações, não poderíamos comprar a metade que o puto comprou. Só se eu desse a sorte de vir pagodeiro ou jogador de futebol e você filha de cantor sertanejo."
ELA: "- É você tem razão... ninguém com um trabalho "honesto" ganha tanto assim...Mas não fica triste não...ele tem grana mas tem cara de pobre e você não tem nenhum dos dois, mas tem a mim...risos."
EU: (mudo por alguns segundos) "....."
ELA: (muda por alguns segundos também...se é que é possível) "...."
EU: " - Sorte é a dele!!!"
ELA: (meio puta) "- Sorte a dele por que porra??? Por ter dinheiro ou por não me ter???"

Rimos muito... e concluímos que esses programas não fazem bem para mortais comuns como nós, me fazendo lembrar de um post que li sobre "Caras", a revista que chamo dos bem sucedidos, no Madame Oráculo. Estamos ainda ESPERANDO a licença de trabalho para empregos comuns, eu como Enfermeiro e Ela como Bióloga... Sem mansões, sem jóias caras, sem carrões, sem casacos de peles... mas felizes, e muito!!!!

Com saudades,
Ele, que odeia P.Diddy, mas que adora a J.Lo. também.

Os Mello, 4:06 PM


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Sexta-feira, Setembro 19, 2003

QUASE, QUASE...

A Outra tem até tentado, mas não tem sido nada fácil. Hoje por exemplo, a Outra chegou até a cozinha com a seguinte frase:
A OUTRA: "- Mamãe...ela fez cocô."
ELA: "- Não se preocupa não, que a mamãe limpa tudinho."

Ela então saiu em busca do cocô perdido. Procurou pela sala e viu duas bolinhas...foi até o banheiro e nada...voltou até o quarto da Outra e nada de novo. Resolveu ir até ao nosso quarto...nada de cocô. Pensou: "- Será que ela jogou o cocô pela janela ou escondeu em algum lugar misterioso??? Então, já preocupada olhou para o pinico...na verdade não tinha cocô algum, mas estava todo cheio de xixi... só que na tampa e ao redor dele. A Outra até tentou...baixou a calcinha, fez o xixi no pinico tampado e suspendeu a mesma após... fez cocô depois e aí, avisou.
Ainda precisa aprender duas coisas:
Cocô também pode ser feito lá... e que deve levantar a tampa do pinico sempre que quiser fazer qualquer coisa.

Acho que estamos no caminho certo...

Com saudades,
Ele, limpando tudo para não ficar com cheiro de casa de velho.

Os Mello, 11:54 PM


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Quinta-feira, Setembro 18, 2003

ESPERAR

Ontem não postei nada. Tive um dia de merda!!!!
Ligamos para o conselho daqui e fomos informados que a FDP (filha da puta) gorda, não passou e nem passará o fax conforme combinado. Fiquei muito triste. Não... na verdade fiquei puto. Cheguei em casa super tarde. A Internet não estava funcionando. O metrô deu "zica" e precisei ficar por mais de dez minutos entre as estações (coisa que tenho verdadeiro pavor). E para completar ainda precisei abrir mão do meu "empreguinho", sendo meu último dia ontem, pois fomos fazer as contas e ganharia uns trocados por semana, descontando o dinheiro que pagaríamos para a baby sitter.
Tentei uma troca de horário, mas não rolou. Passei então a chance para o meu "amigo" Japa Akira, que ficou muito feliz e disse que foi o melhor presente de aniversário que recebeu. Pelo menos fiquei feliz pacas por ele. O cara é gente boa e merece.
Na verdade preciso de alguma coisa à noite ou pela manhã. Bom já chega, afinal ESTAMOS ESPERANDO NOTÍCIAS BOAS!!!

Finalmente o Mr. John me chamou. Fiquei lá por 4 horas e descolei uma grana. Conversei com a esposa dele e ela ficou revoltada com a demora do processo. Fez umas ligações tentando me ajudar de alguma forma, já que conhece a maior galera importante por aqui. ESTAMOS ESPERANDO!!!!

Hoje o dia ainda não foi dos melhores. Por aqui só se fala do Hurricane Isabel. Todos os noticiários citam os cuidados a cada momento. Confesso que fico meio preocupado, pois não estou muito acostumado com isso. Afinal de contas o Brasil é um lugar realmente privilegiado por não rolarem essas coisas. Já compramos pilhas e baterias. Temos água e comida para uns dias, caso não possamos sair de casa. SOU PARANÓICO COM ESSAS COISAS!!!! Agora mesmo está ventando mais que o normal por aqui, mas em North Carolina, a situação está preta. Algumas cidades foram até evacuadas.

Como não poderia ser diferente, minha mãe já ligou para saber se estava tudo bem. Falou de sua preocupação umas trezentas vezes e pediu para ligar amanhã. Tentei explicar das distâncias, mas não adiantou...mãe é mãe e pronto. Quando ao furacão por aqui, ESTAMOS ESPERANDO!!!

Fui numa "entrevista" para um restaurante. O lugar bastante sofisticado com um salário bem legal. Depois de tudo resolvido, o cara me perguntou sobre documentos. Expliquei meu "status" e ele pediu para ligar mais tarde, pois precisava conversar com o dono da "bagaça". Vi que não iria rola. Telefonei no horário marcado e a resposta foi negativa...é lógico!!! Disse que não poderia contratar sem documentos, mas quando meus documentos estivem ok, ele me ajudaria. Ri e agradeci. Fiquei com vontade de responder mal, mas como foi indicação de uma família que considero bastante, fiquei na minha, mas pensei o seguinte:
EU pensando comigo mesmo: "- Porra quando meus documentos estiverem ok, irei trabalhar em hospital e Adriana em algum Centro de Pesquisa. Certamente passarei lá para almoçar ou jantar, seu FDP (filho da puta)". ELE QUE NOS ESPERE NESTA ÉPOCA PORQUE NÓS ESTAMOS AINDA ESPERAMOS OS DOCUMENTOS!!!

A Outra tem ido a escola bem feliz. Curte se arrumar e até reclama quando volta. Na sala dela rolam outras crianças do "mundo". ESPERO que ela curta essa vida diferente. Certamente se estivessemos no Rio, jamias teria uma oportunidade dessas. Tem uma indiana, um hispano, alguns orientais e outros poucos americanos. Ontem e hoje nenhum pai ou mãe, exceto nós, ficaram na escola. Todos desovaram seus filhos lá e abriram fuga. A professora pediu um pouco de paciência, dizendo que ela é a menor em idade (porque no tamanho é a maior) e ainda rola a dificuldade da língua. ESTAMOS ESPERANDO!!!!

Telefonei para o Departamento de Educação de NY em Albany e fomos informados que caso o CGFNS não consiga resposta do Brasil, existe uma maneira alternativa de autenticar meu diploma e conceder minha licença. NEM TUDO ESTÁ PERDIDO, mas PRECISAMOS ESPERAR, o CGFNS notificar o Departamento de Educação. Enfim, ESPERAR está sendo a palavra do dia, foi a dos meses anteriores e será a do ano inteiro. ESPERO que acabe logo!!!!

Com saudades,
Wagner, o que ESPERA alcançar alguma coisa.


Os Mello, 10:54 PM

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PRA QUE SABER DISSO???

EU: "- Adriana!!! O que significa "likelihood???"
ELA(muito rápido): "- Verosimilhança".
EU(cheio de dúvidas!!!!): "- O que??? que porra é essa???"
ELA (meio puta porque estava assistindo "Survivor"): "- Ah!!! Deixa pra lá... não é nada muito importante. Depois eu explico."

Quanto a palavra em inglês, não mais esquecerei. Espero que Ela esqueça de me explicar. Certamente também nunca saberei onde aplicá-la mesmo...

Wagner

Os Mello, 10:47 PM

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HURRICANE ISABEL...

Os jornais não falam de outra coisa exceto sobre Ela. Já chegou em Long Island, próximo a nós e chegará em Manhattan ainda esta noite. A temperatura já caiu muuuuito e está realmente rolando um vento sinistro.

Só que na verdade, não estamos nem aí para Isabel, o Hurricane...Quem tem a Outra morando sob o mesmo teto, sabe que Isabel não é PORRA NENHUMA!!!
E podem acreditar. Por exemplo, se eu fotografasse o quarto dela agora, vocês veriam o "estrago" que este Hurricane chamado a OUTRA, fez. Isabel, o Hurricane, ficaria no chinelo!!!!

Com saudades,
Wagner, o que até ano passado (quando a Outra ainda era bebê) não sabia NADA sobre Hurricanes...

Os Mello, 10:38 PM


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Terça-feira, Setembro 16, 2003

ESPERANÇA

O blog dos Mellos tem recebido muitas visitas. É uma pena que nem todos deixem seus comentários, parece até coisa de "voyuer" (não sei nada de francês...está certo???) ... o cara chega, olha imagina milhões de coisas e não verbaliza (escreve) nada!!! Tenho acompanhado pelo contador e vejo que a cada dia pelo menos 25 pessoas visitam nosso espaço, mas só umas cinco escrevem alguma coisa. De um tempo para cá comecei a visitar outros sites e passei a receber essas visitas também.
É engraçado saber que pessoas que não te conhecem, mas sabem da sua vida da mesma forma que você sabe da delas, torce, espera, fica triste e alegre por você. Rola aquela necessidade de saber como o outro está se sentindo e se teve ou não um bom dia. Essa é a vida de quem se viciou nos blogs. Tô viciado!!!!!

Não sei como definir a palavra ESPERANÇA, mas consigo sentí-la na pele e sei exatamente o seu valor nas horas mais difíceis. As últimas notícias não foram muito animadoras. Adriana telefonou para a Faculdade e para o Conselho de Enfermagem no Brasil. NADA!!! Nenhuma carta ou fax chegou até eles. Pedi então para que telefonasse para a CGFNS (lugar miserável!!!), Ela telefonou e recebeu a informação de que o fax não mais seria passado e que outra correspondência seria mandada no dia 13/10. É FODA!!! Ninguém merece esta espera. Ficamos muito tristes. Até choramos um pouco...eu no meu trabalho e Adriana em casa. O Márcio, meu "colega" de trabalho, figuraça, me consolou e me deu algumas esperanças. Contou algumas histórias engraçadas que viveu para conseguir o Green Card. Ri bastante e depois dividirei com vocês!!!

Como pensamos melhor sob pressão, resolvi ir até o Lennox Hill (meu futuro e tão esperado emprego). Antes, é claro, passei um óleo de peroba na cara e lá fui eu, falar com a Diretora do Hospital sem sequer ter marcado hora...coisa que por sinal eles odeiam por aqui. Só uma palavra do CONFODA-SE PARA ELES...SOLO!!!!
Cheguei lá conversei com a secretária e a Diretora só não me atendeu pelo fato de não estar lá ¿ férias - mas voltará na próxima quarta-feira e estarei lá novamente. Adriana daqui de casa resolveu procurar uma agência que recruta Enfermeiros estrangeiros e deixou um recado para contato. Tal contato acontecerá em dois ou três dias. ESTOU DE NOVO COM A PORRA DA ESPERANÇA COMIGO!!!!

Recebemos um outro telefonema da D. Elza. Ela está agitando um outro emprego para mim, desta vez num restaurante na Park Avenue. Amanhã estarei lá para uma entrevista. Já combinei com o Márcio o que falar para a maluca da dona da loja.
Quem sabe não consigo aquela vaga como BARTENDER..seria TUUUUDO, conforme Daniel fala.

Por falar em ESPERANÇA, ainda tenho uma pequena do Carlos escrever, mandar um sinal de fumaça, ou até mesmo um contato telepático. A porra do cara foi para um evento chamado SKOL Fest Qualquer Coisa em Brasília, só para ver a Alanis Morrisete, e NADA!!! Será que ainda está vivo??? Será que casou com ela e foi para o Canadá??? Será que esta internado em coma alcoólico como indigente em algum hospital por lá??? Será que está com amnésia temporária??? De verdade, não sei até porque o cara não escreveu... Carlos, se vivo, me escreva, ok??? Nunca esqueça: "- O Exército brasileiro precisa de vc!!!!!!"

Para encerrar, acabei de assistir um programa na Discovery Times, chamado "Kids behind bars" (crianças atrás das grades), que mostra as prisões para crianças e adolescentes no mundo inteiro...mostrou prisões na Inglaterra, nos EUA, no Camboja e no Brasil. Mesmo com todo aquele sofrimento, a maioria delas tinha aquele sentimento descrito a cima....ESPERANÇA.

Infelizmente, somente quando olhamos para trás é que sabemos que nossos problemas não são tão grandes como achamos. Por que nós não deveríamos tê-la???

Com saudades,
Wagner, o esperançoso.

Os Mello, 11:10 PM


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Segunda-feira, Setembro 15, 2003

"GENTINHA"

Como existe "gentinha" neste mundo...por aqui, posso garantir que as coisas não são diferentes. Hoje, uma cliente da loja deu-se ao trabalho de perder 10 minutos do seu tempo, só para ligar para loja e pedir que lhe enviasse uma (eu disse uma) rosa para sua casa, pois a que foi no arranjo não estava adequada. ESCROTA!!!! A dona da loja pediu para que eu fosse, então saí com uma rosa na mão para levar para a PUTA.
Quando o porteiro me viu com uma rosa só na mão, logo falou: "- I can't believe...Did she complain about one stupid rose???" Eu disse que sim. Então ele soltou inúmeros fuck's e terminou dizendo que gente rica é assim mesmo. Será???

Citarei alguns exemplos de "Gentinha". Para começar, tem "gentinha" feia, bonita, pobre, rica, homem, mulher, judia, católica... enfim ser "gentinha" não é uma posição, mas um estado de espírito, entendem??? Se alguém souber de mais, me avise. Aqui vão os exemplos: discute sobre a divisão da conta (eu tomei um copo da cerveja, comi três batatas fritas e uma manjubinha, por isso vou pagar R$8,43); manda voltar a entrega do supermercado feita pela internet (olha só, esse tomate está amassado, quero trocar???); não paga os quinze por cento de gorjeta em restaurante (eu não fui bem servido!!!); deseja mal aos outros por qualquer coisa; reclama do barulho do vizinho de cima e de baixo; pensa só em si próprio e os outros que "SIFÚ", etc... Tive contato com pessoas desse tipo no Rio, algumas com dinheiro e outras nem tanto e poderia citar algumas situações constrangedoras pelas quais passei.

Quero deixar claro que NÃO estou dizendo que devemos ficar calados diante de insatisfações, mas reclamar requer uma boa dose de educação e postura que só algumas pessoas possuem. Adriana, minha mulher possui, e confesso que não sou um primor de educação "tipo inglesa", mas tenho aprendido a "gastar meu inglês", somente quando necessário e da forma correta (graças à ela). É necessário falar as verdades para a pessoa certa. Não adianta querer "matar" o caixa do supermercado, por exemplo, pelo preço alto ou por alguma informação dada errada, se ele realmente não irá resolver nada e nem tem culpa por isso.... e por aí vai.

Pensei sobre o que ele disse e não acredito que isto tenha a ver com dinheiro. Na verdade, a PUTA me pareceu realmente rica. Um apartamento do tipo gigante na Park Avenue, mesmo na altura das 90, ainda continua sendo uma apartamento tipo gigante na Park Avenue, mesmo na altura das 90.
Acredito que este comportamento diz respeito a educação, ou melhor, a falta dela. Quem tem educação, não age desta maneira. Talvez ela não tenha o que fazer, ou mesmo com o que ou quem se preocupar, por isso inferniza a vida dos outros. É triste, pois certamente morrerá sozinha, num apartamento tipo gigante na Park Avenue, mesmo na altura das 90, ou no meio de uma grande confusão para saber quem ficará com o dinheiro que ela guardou durante toda sua vida estúpida. Não terá, sequer um amigo para segurar sua mão e dizer: "- Eu estou aqui por perto...não se preocupe!!!"

Eu tenho alguém para segurar minha mão e dizer: "- Eu estou aqui por perto... não se preocupe!!!" Assim como poderei segurar a mão de muita gente para dizer as mesmas coisas. Espero, de verdade, que vocês também o tenham e se pensarem sobre isso é ainda não tiverem, SEMPRE EXISTE TEMPO PARA MUDANÇAS E AMIGOS SÃO CONQUISTADOS E PRESERVADOS DURANTE O TEMPO (quanto mais velhas as amizades, melhor)!!!

Com saudades,
Wagner...o inconformado.

Os Mello, 10:03 PM


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Domingo, Setembro 14, 2003

A FESTA

Tivemos uma festa para ir hoje no Chelsea Pier. Para os que não conhecem o lugar irei explicar. Bom, o Chelsea Pier, fica num bairro chamado Chelsea...até aí nada de novo, mas este lugar é um grande espaço para prática de inúmeros esportes. Costuma ficar mais cheio no inverno, pois é fechado além de ter a única pista de patinação no gelo, durante todo o ano (é melhor que a Central Park ou Rockfeller Center - na minha opinião). O lugar é ótimo...meio contra-mão para os que não tem carro, mas ótimo. O rio Hudson ao lado dá um charme todo especial ao local, e por isso no frio é muito frio e no calor bem agradável. O dia estava muito úmido, mas não foi o dos piores que já passamos por aqui.

A festa tinha de tudo para ser legal - crianças, brincadeiras, quadras de esportes, bolo, refrigerante e comida. Só que, na minha opinião algumas coisas não são "compráveis" e nem tão pouco "copiáveis"...ou se tem ou não. O americano de verdade não tem o nosso calor e não sabe fazer uma festa, por mais dinheiro e lugares legais que tenha.

Já os poucos adultos conhecidos, eu os chamaria de "dispensáveis". Uma delas começou o papo dizendo assim:
ELA: "- Júnior!!! Nossa, mas eu estou tão deprimida...tão pra baixo!!!"
EU (Já levantando do lugar): "- Então é melhor você procurar outra pessoa para conversar...Tô fora de gente assim."
Porra, já bastam os meus problemas e ainda ficar com alguém deprê ao meu lado. Como diria o Carlos:"- Cruzes!!!". Mas fui salvo pela minha sogra, que desviou a maluca, e a colocou bem longe de mim.

Nada se compara a uma festinha de criança no Rio de Janeiro, a começar pelo "parabéns pra você". É bagunçado...rola grito, palmas, assobios. Putz!!! O daqui foi o "parabéns pra você" mais sem graça do mundo. Ninguém bateu sequer uma palminha, só no final. E ainda o cara ficou cantando assim: "- I get one! I get two!.." até os nove (idade do aniversariante, meu cunhado). Fiquei imaginando se a figura fizesse 95 anos... seria no mínimo cansativo. FODA!!!

Ficou aquela saudade da bagunça mesmo... das coxinhas, dos kibes, da cervejinha gelada, do bolo com glacê, dos brigadeiros e principalmente dos cajuzinhos. Realmente que com tudo isso, mesmo parecendo uma festa de subúrbio, é que se faz uma festa de aniversário de criança...e eu nem citei aquela tia maluca que todo mundo tem, que tira uma sacola plástica da bolsa e guarda os enfeites da mesa para colocá-los na estante de casa.

Ou terei que me acostumar. Ou tentarei sair do padrão dito como "normal", mas muito chato, daqui. Ou quem sabe, talvez comemore todos os aniversários da Outra, no Brasil... essa também é uma outra saída, que deixaria muita gente por lá feliz (né, Mellos e Moreiras???). Deixarei rolar a festinha "xinfrim" aqui na escolinha mesmo, para depois rolar a festa "legal" lá.

Foda-se o preconceito, mas festa mesmo, daquelas que costumam ser chamadas de "festa de pobre", tem que ter essas coisas sim e depois ainda sobrar para, quem quiser, levar para casa.

VIVA OS CAÇAPAVAS!!! VIVA OS MALOQUEiROS!!!

Quem concorda comigo??????

Com saudades,
Wagner, o maloqueiro, com vontade de comer cajuzinho sim...e daí???

Os Mello, 10:50 PM

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BOYS ON THE SIDE

Assisti hoje cedo ao filme do título. Não entendi direito, para variar, pois peguei o filme já nos últimos 15 minutos e mesmo assim consegui me emocionar com o pouco que vi, principalmente com a música que é cantada no final. Já havia escutado dezenas de vezes, mas nunca havia parado para prestar a atenção na letra. Por isso resolvi copiá-la para que vocês também a conheçam.

"Everytime I look into your lovely eyes
I see a love that money just can´t buy
One look from you, I drift away
I pray that you are here to stay

Anything you want, You got it
Anything you need, You got it
Anything at all, You got it... Baby

Everytime I hold you,
I begin to understand
Everything about you,
Tells me I´m your best friend
I live my life, To be with you
No one can do the things you do

Anything you want, You got it
Anything you need, You got it
Anything at all, You got it... Baby
Anything you want, You got it
Anything you need, You got it
Anything at all, You got it

I´m glad to give, My love to you
I know you feel, The way I do

Anything you want, You got it
Anything you need, You got it
Anything at all, You got it... Baby
Anything you want, You got it
Anything you need, You got it
Anything at all, You got it... Baby

You got it
"

Bonnie Raitte
You got it
Soundtracks - Boys on the side 1993.


Os Mello, 10:49 PM


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Sábado, Setembro 13, 2003

NINGUÉM MERECE

Como é bom poder acordar a hora que quer... Pena que depois de alguns dias acordando cedo para ir para "lida" isso passe a ser coisa mais difícil - acordar tarde!!! Mesmo sendo sábado, acordei às 7:00 e sem a menor vontade e fui fazer laundry. Quem imaginaria eu, com as minhas mãos, fazendo laundry???
Bom, acontece que até gostava na primeira semana que viemos morar aqui, mas depois... É foda!!! É igual a neve... da primeira vez é lindo...tudo branquinho, mas o dia-a-dia não é fácil.
Assim começa a novela... põe a roupa no armário de roupa suja, tira a roupa do armário de roupa suja e coloca na cesta da laundry... chama o elevador, desce nele até o térreo....anda um corredor gigante... tira a roupa da cesta, coloca na máquina, separando por cor... põe sabão, amaciante, e cloro...lava. Sobe até em casa, lava uma louça e/ou lê um capítulo de um livro qualquer. Trinta minutos depois, desce. Tira a roupa da máquina e separa as que não podem secar para não derreter. Coloca na máquina de secar...Sobe de novo... Trinta ou quarenta e cinco minutos depois, desce. Abre a máquina de secar, recebe um bafão quente nos peitos...tira a roupa da máquina de secar...queima uns três ou quatro dedos...Sobe... dobra a porra toda, separando o que é para passar (aqui ninguém passa a roupa, só eu...e não me imagino, ainda, saindo amarrotado de casa). Coloca tudo nos armários e gavetas... quando termina, já tem um cacetão de roupa suja de novo. E tudo isso carregando a Ana Beatriz para cima e para baixo. QUEM MERECE SER DONA DE CASA!!!!

Coloquei o café da Adriana e depois de lavar a louça toooda do jantar, tomamos café juntos e ela saiu. E meu dia estava apenas começando....puta merda, alguém consegue acreditar???? Ana Beatriz precisava cortar os cachos, segunda começam as aulas e não dava para ir daquela forma. Como nada poderia ser fácil, estava marcada para às 3:00, logo ali em Astória. O lugar nem é longe daqui, mas é contra-mão pacas. Saí daqui, depois da guerra diária...banho, troca de fralda, roupa limpa e saída efetivamente de casa. Metrô todo zoneado hoje...sábado, nenhuma linha funciona normal...é um inferno. Pega metrô, troca de linha duas vezes, pega táxi...Ana Beatriz é beliscada...aqui não rola bater em crianças, por isso em uma determinada fase da vida, eles levam uma metralhadora para escola e matam os coleguinhas, alguns professores e os diretores...tudo normal!!! Nunca achei que umas palmadas fizessem mal... apanhei muito e até que sou educado, sabendo dos meus limites.
Durante o corte um escândalo atrás do outro. Quando a mulher terminou, os dois estavam cheios de cabelos fora da cabeça. Melhor da história... o corte foi GRÁTIS!!! A mulher merecia bem uns cinquenta...mas não cobrou nada. Pedi para cortar mais atrás, porque ficou tipo um "mullets" (corte Xitãozinho e Xoxoró nas antigas)... e com isso não dava. Volta idem... sendo que além de duas trocas, rolou uma a mais...e em duas dela em pé com a peste me beijando e pedindo para morder o "tucovelo" dela. Já esqueci tudo que passei com ela, todos os escândalos, os vexames...

Chega??? Claro que não... faz lanche, mamadeira, troca fralda, brinca de boneca, faz comidinha, passa aspirador na casa, troca vídeo (rebobina de novo - assim ela fala), molha as plantas, etc, etc e etc. Falo com o Vladimir... fico triste e feliz... triste pela saudade da minha verdadeira função e do meu amigo...feliz quando disse para que não voltasse, mas se precisasse teria uma vaga por lá. Falo com os meus pais... fico só triste. Nenhum e-mail. Nenhum comentário. Tempo feio. Tomo outro banho porque estou cheio de cabelo. Que dia de merda!!!

À noite a D. Jozira (avó da Adriana) telefona para jogar uma conversa fora. Fala da saudade, fala de tudo. Agora entendo por que as avós são abençoadas por Deus por serem mães duas vezes. Toda a avó tem um poder fora do comum de levantar o ânimo dos netos, mesmo que não seja o seu verdadeiro neto. Ela levantou o meu...disse que torce muito por nós e se tivermos que ficar aqui para sempre, e se isso for para o nosso bem... assim será!!!

Fico feliz de novo e cheio de esperanças para mais um dia.

Com saudades,
Wagner, o "Rosário"...mas isso é uma outra história...

Os Mello, 10:25 PM


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Sexta-feira, Setembro 12, 2003

QUE CHEIRO BOM

Para os que não me conhecem ainda, sou Enfermeiro. Estou morando atualmente em New York, mas ainda não estou trabalhando na minha profissão . Cheguei por aqui em Janeiro deste ano e depois de uma visita a um hospital aqui, rolou um convite para ficar...aceitei. Se soubesse que passaria por tudo isso não teria aceitado...juro. Por maior que fosse minha vontade de exercer minha profissão por aqui...ficaria no Brasil. Bom...mas não foi isso que aconteceu. Aceitei e estou aqui esperando. Esse maldito verbo - ESPERAR - é o que mais tenho "conjugado" nesses últimos meses. Aguardo a maldita licença chegar para depois aguardar (novamente) mais três meses e aí sim, começar a trabalhar no hospital.

Atualmente estou trabalhando numa floricultura na Madison Avenue. O lugar é legal, mas juro que não é o lugar dos meus sonhos e nem pretendo ficar lá para sempre...preferiria uma boite, ou um restaurante com BARMAN, talvez...mas é isso que tenho no momento e não estou puto por isso, até estou tirando certo proveito, pois curto plantas e estou aprendendo bastante, além do uso do inglês.

Hoje rolou uma situação muito peculiar. O cara que faz as entregas nos hospitais e lugares mais distantes, não foi...sei lá o que houve com o FILHO DA PUTA...NÃO foi, simplesmente não foi. Por sorte minha (dele não, minha!!!) rolou apenas uma entrega perto de lá (cerca de 10 ruas acima...quase no Harlem). Me ofereci para ir e o cara com quem trabalho nem pensou duas vezes (FILHO DA PUTA!!!). Ele disse que seria num hospital...E eu respondi que não teria qualquer problema. ENGANO MEU!!!Então peguei uma grana para o táxi (lógico que fui de ônibus!!!) e lá fui eu.

Não achei que fosse ficar tão melancólico como fato de precisar ir a um hospital como "delivery boy". Não vejo nada demais e acredito que qualquer trabalho, desde que não roube, mate, estupre ou espanque velhinhos (li alguma coisa assim em algum blog...) valha a pena. Outro dia escrevi que até dinheiro na cueca estou aceitando.
A questão é que tive que passar por dentro do hospital quase todo. Vi os consultórios, a emergência, a hemodinâmica, o setor de radiologia, os Enfermeiros e Médicos nos jalecos, roupas verdes, estetos e pranchetas na mão... enfim todo o primeiro atendimento e funcionamento do primeiro atendimento. Senti aquele cheirinho gostoso de hospital. Aquela mistura de éter com desinfetante do chão. Lembrei das pessoas com quem trabalhei, das histórias que vivi, de alguns pacientes que atendi... da minha vida que deixei para trás.

Estava lá... e não para fazer o que mais sei na minha vida... não para fazer o que gosto e faço bem... fui até lá apenas para entregar umas flores. NADA MAIS ALÉM DISSO.
Talvez ninguém entenda o que senti...ou não!!!

Sei que não me fez bem e pedi na volta para não fazê-lo novamente. Cheguei em casa cansado, amargo e triste. Sei que ninguém tem nada com isso... mas foda-se!!! Penso besteiras, coisas ruins, falo o que não devia e também fico muito puto, às vezes. Sou budista, e não quero (e não tenho) qualquer pretensão de ser o 15o. Dalai Lama, por isso me dou o direito disso algumas vezes (espero que Budha entenda!!!).

Com saudades,
Wagner

Os Mello, 10:35 PM


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Quinta-feira, Setembro 11, 2003

11 DE SETEMBRO

Que dia esquisito hoje!!! Um clima estranho pairou no ar. Acordei cedo e fui direto para o serviço. Logo na porta do metrô, um jornaleiro anunciava a manchete do "New York Post" que dizia: "Nunca esqueceremos!!!!". Isso me preocupou muito. Acredito que este tipo de lembrança só faz remoer a raiva que ainda existe nas pessoas. Tal comportamento não trará de volta as pessoas que se foram, não reconstruirá os prédios derrubados e não prenderá o autor nem tão pouco acabará com essa situação no mundo.

Acredito nas palavras do Dalai Lama. São elas:
" Não devemos jamais esquecer que estamos no exílio, mas que um dia este exílio vai terminar."

Ainda bem que tudo na vida passa.
Dias, meses e anos. Lembranças, fatos, e coisas boas e ruins.
O mundo não pode esquecer o que houve, mas não podemos permitir que a "culpa" disso caia em uma religião, um povo ou uma cultura. Isso é preconceito e não consigo admitir tal situação.


Os Mello, 10:15 PM


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Quarta-feira, Setembro 10, 2003

MR. HERRERA

Estava no meu trabalho pela manhã plantando umas orquídeas, quando entrou na loja um senhor muito elegante. Cumprimentou a todos, perguntou quem eu era e quanto tempo estava trablhando ali. Me apresentei e ele fez o mesmo. Seu nome Mr. Herrera, marido da Carolina Herrera. Elogiou as orquídeas que eu estava cuidando e pediu para eu trocar uma delas de vaso, pois iria levar.

O cara descobriu minha orquídea (sem trocadilhos sacanas...afinal se eu tenho alguma coisa, não é uma orquídea é um antúlio - e dos grandes!!!...risos) quando será que a mulher dele ira me descobrir???? Será que quando ela for até a loja terei que dar uma "desfilada" com a tesoura ou uma orquídea na mão???
Imaginem da Madison para as passarelas de Paris...descoberto pela própria Carolina...risos.

Com saudades,
Wagner que sonha, sonha e sonha.

Os Mello, 11:57 PM

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SONHO DE CONSUMO

Todo mundo sabe que curto uma roupinha nova e de marca. Gosto de coisas confortáveis, boas, bonitas e acima de tudo em "sale"... já fiquei muito LOOOCO por aqui, mas depois de muitas idas e vindas, e morando por aqui há quase um ano, isso não tem mais acontecido.

Estou trabalhando na Madison Avenue. Para os não conhecem muito NY, esta é a avenida mais cara daqui. Todas as grandes grifes da moda internacional tem uma "lojinha" (tipo 500 metros quadrados) nesse endereço. Por lá não rola aquela "visitação" louca que acontece na 5a. Avenida, onde os turistas entram, mexem em tudo e compram pouco. Quem entra numa loja da Madison, normalmente é algum local, e muito, mas muito endinheirado.

Bom falo disso, pois diariamente passo por essas lojas e fico "namorando" algumas coisas, mas meu sonho de consumo mesmo dos últimos meses, tem sido um modelo de pijamão verde, folgado no corpo, tipo centro cirúrgico, que todos os Enfermeiros daqui usam. É confortável pacas!!!! Não aperta na cintura, não machuca meu saco, veste super bem...é o máximo da moda para quem esta louco para trabalhar (que loucura...louco para trabalhar... nem parece comigo!!!!). Fico super bem de verde. Na verdade fico bem com qualquer coisa, mas com verde!!!
Eles sempre vem acompanhados de um crachá de identificação no pescoço, que fica muito bem e combina bastante. Esses pijamas combinam com qualquer sapato ou tênis e ficam bem com qualquer bolsa ou mochila.
Cruzo com esses modelos no metrô, nas ruas, nos ônibus, enfim em todos os lugares... que vontade que fico de ter um igual. Mas eles não são vendidos e não dá para copiá-los em "tailors", até porque eles não reproduzem o acessório mais importante: "o crachá". Não é fashion usar o pijamão sem o crachá. Fica faltando alguma coisa e ainda podem até achar que quem usa é maluco. Não posso ser internado. Tenho família, etc,etc...

Quando tiver, não o tirarei mais. Terei muitos modelos desses com alguns acessórios (crachás) diferentes. Usarei todos os dias, até ficar surrado e precisar trocar por um outro modelo igualzinho, só para matar de inveja, aqueles que como EU nos dias atuais, ainda não podem usar um igual.

Com saudades,
Wagner, o "invejoso" (no bom sentido).

Os Mello, 11:38 PM

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SARGENTO CARLOS

Não poderia deixar de comentar neste blog as palavras carinhosas que recebi no seu último e-mail. Gostei muito do que li e me senti bem melhor com elas (sem viadagens!!!).

A cada dia que passa vejo o grande amigo que tenho, indiferente da distância que nos separa.
Espero que o e-mail que me mandou no começo deste ano, que diz: " QUE A NOSSA AMIZADE SEJA QUE NEM UMA BUNDA: QUE ESTEJAMOS SEMPRE JUNTOS, UM AO LADO DO OUTRO E QUE NENHUMA MERDA, POR MAIOR QUE SEJA, POSSA NOS SEPARAR ", seja seguido desta forma até ficarmos velhos e ainda mais chatos (se é que isso é possível...).

Obrigado por tudo.
Wagner.

Os Mello, 11:31 PM

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ALARME FALSO

Aos leitores assíduos, desculpem-me a falta do post de ontem. Carlos tem razão... não interessa o número de empregos, o que interessa é que alguma informação tem que ser postada.. SARGENTO CARLOS, SOLDADO RASO MELLO SE APRESENTANDO!!! DESCULPE SENHOR!!!

Hoje cedo, todas as nossas esperanças foram meio que por água abaixo. A Bubi largou um mijão de respeito na nossa cama, com direito a troca do colcha, edredon, lençóis e protetor de colchão. Adriana foi na reunião da escola dela, e para surpresa dela e minha, todas as crianças peste da praça irão estudar lá também. Tem um japinha que é foda!!! O moleque é peste mesmo... um pouquinho mais velho que ela. Espero que ela não aprenda mais coisas ruins com ele. De resto, nada diferente. Sempre por volta das 10:00 (noite) rola uma agitação, tipo possessão- não- sei- do- quê. Já dei até agora uns cinquenta gritos, umas cinco sacudidas, três palmadas...e nada, absolutamente nada adiantou... É FODA!!!

Com saudades,
Wagner, o desesperançado.


Os Mello, 11:29 PM

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QUASE PLÁGIO...

Diariamente leio os blogs que coloquei como preferidos. É engraçado pois mesmo de longe, consigo participar da vida de pessoas que nunca vi ou conversei pessoalmente, da mesma forma que estas participam da minha. É meio vício, mas não consigo passar um dia sem saber o que eles tem a dizer. Costumo escrever sobre nosso dia-a-dia e alguns dos meus momentos aqui.
Hoje lendo um dos textos não pude deixar de "retribuir", com outro que recebi há algumas semanas. Quero deixar registrado que não é nada pessoal, adoro São Paulo (já trabalhei e estudei tempo por lá...), mas nada se compara ao Rio. O restante do mundo que se morda de inveja, mas o RIO É BONITO PA-RA-CA-RA-LHO!!!!!
Aí vai:

" Ser carioca é...
Começar alguma conversa com o usual "olha só..."
Ser marrento porque pode ser... afinal, olha só onde a gente mora!
Dar inveja nos "não cariocas" pelo simples fato de ser carioca...
Se indignar com a inveja dos "não cariocas" com o habitual "faaala sério"
Tratar tanto homens quanto mulheres de "cara" sem que isso seja considerado afronta.

É comer pizza com catchup sim, e daí?!?!
Ter certeza de que esta é a cidade mais linda do mundo, mesmo sem conhecer nenhuma outra;
Falar com o "r" arrastado e com o "s" com som de "x" e exagerar ainda mais quando está perto de paulistas;
Saber que a maior torcida do mundo é a do Flamengo;
Saber que o maior estádio do mundo é o Maracanã;
Saber que a maior floresta urbana do mundo é a Floresta da Tijuca;
Saber que a maior favela do mundo é a Rocinha;
Entender porque a maioria dos estrangeiros acham que o Rio de Janeiro é a capital do Brasil;
Odiar as palavras: "mano","mina","meu", "chaveco", entre outras aplaudir o pôr do sol no posto 9.

Beber no AM/PM antes da night;
Comer no Cervantes depois da night;
Parar no meio da night estrategicamente no Bar do Osvaldo e depois (quem conhece sabe... quem nunca foi vai continuar na curiosidade)
Chegar na boate à uma da manhã;
Ver o nascer do sol na praia depois da night;
Ficar feliz com o horário de verão começa, porque isso significa uma hora a mais na praia;
Agir com naturalidade ao encontrar artistas globais na rua;
Buzinar assim que o sinal abre;
Tomar mate sempre que estiver com sede;
Torcer para alguma escola de samba, mas viajar no carnaval porque a
cidade fica cheia de paulistas;
Sair no bloco do Suvaco e no Simpatia é quase amor;
Sair da Faculdade na segunda-feira e passar no Baixo-Gávea pra tomar uma gelada.

Ir à praia sempre no mesmo lugar;
Acampar na Ilha Grande pelo menos uma vez na vida;
Odiar os argentinos que vão para Búzios nas férias e tratam as brasileiras como lixo;
Passar horas na academia, nem que seja fazendo social;
Nunca ter ido a São Paulo e não ter a menor vontade de ir;
Ter amigos no condominio onde mora;
Ter amigos na academia onde malha;
Fazer amigos na praia;
Ir ao shopping fazer compras e não fazer social, porque isso é coisa, de paulista;
Saber que as obras do "Rio Cidade" foram desnecessárias, mas até ficaram bonitinhas;
Odiar a atual situação das praias da Zona Sul;
Estar sempre perto de uma favela;
Morrer de rir ao ver paulistas dançando funk na televisão, como se esta fosse a última moda;
Usar os engarrafamentos para comprar biscoito Globo e apreciar a paisagem (Fazia isso direto e ainda ligava para Sampa para falar com o meu Irmão Marcon que mora lá...risos).

MAS PRINCIPALMENTE...
Amar e respeitar muito esta cidade porque, mesmo com todos os seus problemas, ela é a CIDADE MARAVILHOSA!!!!!! "
risos....
>

Aceito comentários... só não vale xingar a MÃE...

Os Mello, 9:19 PM


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Segunda-feira, Setembro 08, 2003

NOVIDADES

Hoje o dia foi cheio delas... A primeira e mais importante de todas, Ana Beatriz (a Outra) resolveu fazer xixi no pinico. Os dias de Jaccuzzi das Barbies estão contados, e a comida que era preparada lá, também....risos. Tudo bem, verdade seja dita rolou um cocô no chão...mas também teve um xixi dentro primeiro. Estamos caminhando... a passos curtos, mas progresso é sempre progresso. e como disse: "- Até dinheiro na cueca vale". Já estava começando a achar que nada daria certo nunca e que ficaria gastando meu dinheiro com fraldas pelo resto da minha vida. A Outra no College e eu mandando dinheiro para comprar fraldas...imaginem só??? Fiquei muito feliz...e ela também. Quando cheguei em casa hoje, ela disse:
A OUTRA: "- Papai, ela não está beautiful???"
EU: (sem saber de nada) "- So pretty!!!"

Então Adriana me contou e além das cambalhotas, fogos de artifícios e malabaris, dei muitos beijos e "congratulations". Afinal a Outra merece de vez enquanto isso também...risos.

Meu dia foi bem legal. O primeiro dia de trabalho é sempre meio esquisito, mas até que este não foi dos piores. Gostei das pessoas e obrigatoriamente falei inglês por sete horas (uma delas estava almoçando e não estava a fim de conversar com ninguém...até tentaram).
Aprendi a cuidar e a replantar orquídeas. Preparei rosas e outras plantas para deixá-las expostas. Foi bem legal. Meu almoço foi no Central Park, vendo o movimento e estudando um pouco depois.
A freguesia da loja é pequena, mas é certa. A loja é tradicional, conforme disse anteriormente. Vi gente gastar US$480,00 com plantas para enfeitar a casa. Cabe ressaltar que as mesmas ficarão vivas por duas semanas. Eram lindas de verdade... mas ainda não tenho dinheiro para bancar esse luxo. Quem sabe um dia????

No curso, poucas foram as novidades. Cheguei um pouco mais cedo para mudar de turma. Rolou um pequeno barraco, pois a responsável pela mudança, me colocou numa turma do livro 6 (penúltimo) só que na lição 1. Foi o que faltava para rolar um pequeno barraco, desta vez em inglês. Tenho que assumir, que às vezes sou meu barraqueiro. Perguntei o seguinte, com toda a cara de pau que possuo: "- ARE YOU KIDDING???"
Como, se já passei do meio, voltar para o início... Será que a vaca japa pensa que meu dinheiro dá em árvore???
Ela então me ofereceu o último livro, aí eu disse: "-I don't know if I will be able to do this book." Continuei dizendo: " - Please, can I talk to any teacher???" A vaca japa ficou muito puta...mas chamou o professor e então conversei com ele. Durante a avaliação ele disse que eu não teria problema em fazer o novo livro. Voltei e refiz a matrícula...é lógico com a mesma pessoa.
Esta turma é meio esquisita. Muito polonês e equatorianos... me sinto meio fora de sintonia. Curtia a turma anterior, e já tinha até meus amigos... mas não tenho tempo para choramingas...preciso é correr atrás do tempo perdido (ainda no Brasil!!!).

Recebi dois e-mails, bem especiais. O primeiro foi da Tia Wanner. Fiquei muito feliz com as palavras dela e ganhei força com elas, para mais uns meses aqui, longe da minha verdadeira profissão ... Quero agradecer também , porque parte desta vitória (xixi no pinico) pertence a ela. Sem sua "consulta" certamente não conseguiríamos. Quem tiver filho mijando fora do pinico, procure-a. Darei o contato, com prazer!!!
O outro foi da Roberta, grande amiga com quem trabalhei no Barra D'or. Sei o quanto gosta de mim e da torcida que, fez e, faz para que tudo dê certo. Também estou com saudades. Por aqui tudo caminhando.

Com saudades,
Wagner, o jardineiro.



Os Mello, 11:12 PM

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BUBI CONSEGUIU!!!!!!

Gente, eu sei que a minha "função" nesse digníssimo blog é meramente fazer algumas correções mas, como toda boa mãe orgulhosa de sua prole, não pude resistir.......MINHA FILHA LINDA FEZ XIXI SOZINHA NO PINICO PELA PRIMEIRA VEZ!!!!!!!!!!!!!!!!!
Estou muuuuuuito feliz porque meus dias de ficar limpando carpete mijado estão contados..... e tb não vou gastar mais dinheiro com fraldas!!!!!
Bjs,
Tita, a mãe coruja!!!!

Os Mello, 8:54 PM


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Domingo, Setembro 07, 2003

DOMINGO NO PARQUE

Amanhã começarei no serviço novo e certamente terei muitas coisas para contar neste primeiro dia. Começo também numa nova turma no curso de inglês. É chato porque curto a professora e a turma e eu como sempre, odeio gente nova (e odeio ser o novo tb...), mas não tem jeito!!!

Ontem não rolou muitas novidades por aqui. Falei com a minha mãe por um tempo e notei que não tenho curtido muito isso. Comentei uma outra vez que fico sempre meio triste depois que falo com ela. Deve ser a saudades... Ana Beatriz desde que chegamos aqui se nega a falar ao telefone com os nossos parentes no Brasil... essa é maneira que ela encontrou de se defender da saudade. Talvez se tivesse a mesma idade que ela, faria a mesma coisa, mas infelizmente não tenho e por isso não tenho como fugir às minhas responsabilidades...é a vida!!!

Tenho muita saudade do Brasil, dos meus parentes e dos meus amigos. Sinto aquela falta de ouvir o telefone tocar a cada 5 minutos e de precisar escolher o que realmente vou fazer, ou até mesmo para só jogar um pouco de conversa fora, sem qualquer compromisso...just talk!!!. Por outro lado, não tenho qualquer vontade de voltar a morar no Rio. Gosto daqui e sei que devo manter meu pensamento neste único objetivo, demore o tempo que for. Preciso me anular um pouco agora, pois assim minha filha terá um futuro melhor... disso eu tenho certeza!!! Uma vez minha mãe comentou sobre os sacrifícios que os pais costumam fazer pelos filhos...ri na época. Hoje sei que isso é verdade...Faria qualquer coisa pela minha filha. Não que morar em NY seja um sacrifício...risos, mas ainda não estamos como gostaríamos.

Hoje encontramos com o Akira, meu novo futuro "amigo" japa do curso de inglês. Admiro algumas coisas desse povo e a principal delas é a dedicação. O cara é muito dedicado e parece ser uma pessoa bem legal. Preciso deste tipo de contato, pois consigo ver que a minha situação não é boa, mas existem piores. Ele, por exemplo, vive sozinho, sem família e não tem sequer um amigo para conversar de vez em quando, em japonês. Eu não conseguiria me imaginar sem falar português...como e para quem iria comentar as coisas que vejo nas ruas??? Eu tenho minha famíla e não deveria reclamar mais de nada. É verdade eu sei...

Nada se compara com a amizade que tenho com o Carlos, por exemplo. Acredito que por mais tempo que o conheça (Akira), jamais teríamos a mesma liberdade. Não consigo imaginar o Akira chegando aqui em casa, por exemplo, sem avisar com duas ou três semanas de antecedência, ou mesmo chegando aqui para almoçar... Já com o Carlos, seria perfeitamente possível...risos. Afinal Carlos e Brasileiro e Carioca...Já o Akira é Japonês de Tóquio, cheio das formalidades.

Fomos ao Central Park e conversamos bastante sobre muitas coisas..matei algumas curiosidades sobre o a cultura Japonesa. Rolou assunto de comida típica, família, casamento, dinheiro, tecnologia, hospitais, bebida alcoólica, enfim muitas coisas. Fizemos um "pic-nic", que acredito ter sido meio surpresa para ele. Levei uns sanduíches, bebida típica brasileira (guaraná) e frutas...além é lógico da toalha listrada. Se fose o Carlos, mesmo sem levar porra nenhuma ainda ia falar:
CARLOS: "- Cruzes Wagner!!! Você não come presunto mais eu como... porque não colocou mais manteiga..."
CARLOS: "- Porra Wagner...esse guaraná natural tá UÓ de doce... dá próxima vez vê se não exagera tanto..."
EU (muito puto com um bico): "- Carlos, NÃO FODE!!!"

Tiramos fotos, que assim que puder, colocarei no Blog.

Estou falando sobre essas coisas, pois encontramos um grupo de brasileiros que estavam com uns hispanos. Junto à todos tinha uma fox paulistinha de nome Alegria. Que cachorra engraçada!!! Ana Beatriz brincou muito com ela, na verdade até meio que preferiu a cachorra às crianças indianas próximo a nós.
Durante a conversa com o cara brasileiro, ele me disse de sua vontade de ir embora. Comentou que não gosta daqui e que se sente meio mal com o lugar e com as pessoas. Fico puto com isso!!! Não consigo imaginar este tipo de situação. Comentei educadamente o seguinte: - Por que você não volta logo então???. Já não é a primeira vez que rola este tipo de estresses. Porra, não está satisfeito, volte de onde veio. Não sou e não ficarei americanizado, mas enquanto estiver por aqui, respeitarei as pessoas e o lugar.

Com saudades,
Wagner, o puto.

Os Mello, 11:10 PM


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Sexta-feira, Setembro 05, 2003

AMIZADES...

Todos sabem o quanto gosto de NYC. Conheço poucos americanos, mas os que conheço são bem legais exceto pela formalidade que possuem no trato com os outros...até que gosto de certas formalidades, mas tudo que é demais é FODA!!!! E depois, acredito que, para algumas coisas nem há tanta necessidade assim.

Agora o melhor de NYC são os imigrantes. Poder conhecer pessoas do mundo inteiro com toda sua cultura e costumes, diferentes do nosso É BOM DEMAIS!!!
Estudo em um curso de inglês próximo ao Time Square, com pessoas do mundo inteiro. Cara, tem gente que é da Bósnia, dá para acreditar nisso???
Hoje na saída do curso, fui até a biblioteca pública, na 42th ST com 5a. Av. com um colega de turma chamado Akira. O cara é japa e é bem gente boa. Conversarmos bastante e trocamos bastante informações sobre os nossos países. Falamos das coisas boas e ruins de cada um e concluímos que somos privilegiados por estar aqui, podendo desfrutar de tudo isso. Na verdade fui até lá, pois um Japonês que se preze é sócio de alguma biblioteca e ele não acreditava que eu ainda não fazia parte de alguma, apesar de frequentá-las bastante.

Na segunda-feira começarei em um "emprego" novo. Ainda não será no hospital, mas ficar em casa está me ENLOUQUECENDO. Qualquer dia desses serei internado se continuar nessa vidinha-sem-vergonha. Será numa floricultura para basicamente ajudar um carinha brasileiro, cheio de sotaque americano, a cuidar das milhões de orquídeas que são vendidas lá. O lugar me pareceu muito requintado e a floricultura existe desde 1831 (achei simplesmente o máximo...mais tradiocinal impossível!!).
Estou feliz, pois melhorarei meu inglês, aprenderei uma atividade nova e ainda por cima ganharei uma grana esperta.

HOJE FOI UM DIA MELHOR...E AMANHÃ SERÁ MELHOR AINDA... EU ACREDITO!!!

Com saudades,
Wagner

Os Mello, 11:35 PM

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The Scientist

" .... Oh lets go back to the start
Running in circles, coming in tails
Heads on a science apart
Nobody said it was easy
It´s such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start

I´m going back to the start..."

Coldplay
A Rush Of Blood To The Head

Os Mello, 2:41 PM


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Quinta-feira, Setembro 04, 2003

AMANHÃ SERÁ UM DIA MUITO MELHOR...EU TENHO CERTEZA!!!!

Wagner.

Os Mello, 11:47 PM

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UMA HISTÓRIA

Hoje dentro da Livraria Barney & Noble's eu li uma história budista que falava mais ou menos o seguinte:
Um dia um monge foi visitar seu mestre e disse: "Vim sem trazer- lhe nada". Sabe o que o mestre respondeu? "Então coloque o que trouxe no chão". O Monge não entendeu nada e ficou furioso, pois já havia dito que não havia trazido nada. Então com muita calma o mestre lhe disse: "Por favor, pegue o que trouxe e volte para sua casa".

Acho que estou aprendendo a colocar, a cada dia, o meu "nada" no chão... até porque se eu não ganhei, como posso achar que perdi algo???

Vão me achar meio louco com esta coisa toda, mas não estou...podem acreditar. Sair em busca de algum trabalho, sabendo das suas pontos fortes e fracos, não é nada fácil, mas talvez seja mais confortante quando EU coloco o meu "nada" do dia no chão.

Acho que já escrevi alguma vez sobre isso. Durante muito tempo da minha vida acreditei ser "essencial" para tudo e todos. Ridículo!!!! Ninguém, nem nada é essencial.
Como perdi tempo com isso!!! E como fui burro, por não enxergar isso anteriormente.
Precisei então mudar de país e deixar minha vida para tras, longe dos meus pais e amigos, para então entender a estupidez deste pensamento. Hoje, quando ganho um não, consigo enxergar que quem esta perdendo sou eu e não eles. Acredito que alguma coisa boa está sendo reservada para mim, num futuro próximo, mas o "imediatismo" não me deixa enxergar isso com a clareza que deveria... o que posso fazer???? Por que nunca aprendemos as lições mais importantes de nossas vidas da maneira mais fácil???

Com saudades,
Wagner, sem nada.

Os Mello, 11:40 PM

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OS BENEFÍCIOS DO SOFRIMENTO...

O sofrimento traz benefícios??? Acredito que sim. Não é a forma mais fácil de se aprender algumas coisas, mas ele traz. As separações também fazem sofrer, e muito.
Alguns de vocês, que já passaram ou estão passando por isso, e entenderão o que estou dizendo. Quem nunca sofreu por alguém ou por alguma coisa, como por exemplo: uma palavra não dita ou dita de forma "errada", um esquecimento ou alguma lembrança...por saudade.

Infelizmente, quem nunca passou por isso um dia passará, e certamente tirará algum benefício. Esta seria uma outra certeza, além da morte, que temos na vida.

É difícil acreditar, mas até algum momento você estava lado-a-lado com a tristeza, assim meio "borocoxô", depois, um belo dia, a calma se instalará dentro de você. No começo de tudo, perdeu o apetite, não conseguia ver nem as árvores nem as flores, até o dia que, sem saber por que, acordará revigorado. Olhará tudo a volta e perceberá, então, que a vida continua e que, superada a prova, você estará mais forte do que antes... e o pior, pronto para outra.

Assim é a vida!!!!

Com saudades
Wagner, um dos beneficiados

Os Mello, 11:36 PM


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Quarta-feira, Setembro 03, 2003

WE WENT TO PHILADELPHIA !!!

Bom conforme o título de hoje indica, nós fomos a Filadélfia. Juro por Deus que não fomos para fazer qualquer tipo de turismo. A Cidade consegue ser mais provinciano que Petrópolis, com a diferença que esta última e muito mais bonita. Que lugarzinho feio!!!! Foi exatamente este o comentário que fiz assim que entrei lá. Na verdade fomos até lá para checarmos pessoalmente o "status" daporradomeuprocesso (assim tudo junto mesmo) junto ao CGFNS (a comissão que regulamenta os enfermeiros de fora). Não dormimos direito, pois estávamos meio nervosos. Não sabíamos o que iríamos encontrar e se seríamos recebidos. Para nossa surpresa tudo correu bem. Jenniffer (mais preta e gorda impossível) foi de uma gentileza ímpar. Explicou o que normalmente acontence e aceitou a nossa sugestão de mandar tudo por fax, sendo que deverá receber (tuuudo) via correio. Contou algumas coisas curiosas do tipo os Coreanos e Filipinos são os que respondem mais rápido e poucos são os processos do Brasil. Que vontade que fiquei de não ter nascido na Korea. É uma sacanagem...vejam só, os caras são do outro lado do mundo e agilizam tudo, nos que somos do mesmo lado do mundo, uma demora "caramulesca" (palavra procedente do caramujo). Já conversei com algumas pessoas no Brasil e as coisas agora vão...

Quem acompanha esta novela mexicana sabe do que estou dizendo. Há algumas postagens, pedi para que o povo rezasse e prometesse o que quisesse que assim que tudo se regularizasse eu pagaria. O pedido ainda continua de pé...ok?

No caminho rimos e conversamos sobre inúmeras coisas. Falamos sobre relacionamentos, casamentos falidos, amigos de verdade, necessidades, trabalhos, apertos de grana, enfim sobre um mundo de coisas. Irei escrever depois alguma coisas que ficaram de lição. Quem nos levou até lá foi uma brasileira que tem feito alguns serviços (tipo táxi) para nós. Ela chama-se Alexandra é tem sido bastante uma amiga e tanto por aqui.

Aula no curso normal, exceto por terem feito uma cobrança indevida para mim. Porra, odeio ser cobrado, sob qualquer circunstância. Confesso que não gosto de pagar nada também. Agora ser cobrado com tudo pago adiantado, ninguém merece!!! Fui até a secretaria para reclamar. Ser taxado de CALOTEIRO é foda!!! Volto amanhã para que a minha queixa seja formalizada. SÓ FIQUEI POSSUÍDO!!! Nada demais. Conversei bastante com os meus dois "amigos" japas (um japa e outro coreanos), chamados Akira e Damy. Estaremos entrando para sócio das bibliotecas públicas daqui ainda esta semana. Tem sido legal.

Amanhã nova entrevista para emprego... Espero que desta vez saia.

Com saudades
Wagner, o esperançoso.

Os Mello, 11:40 PM


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Terça-feira, Setembro 02, 2003

ALGUMA NOVIDADE

Amanhã talvez terei alguma novidade para contar. Estarei indo ate a Filadélfia para tentar resolver, pessoalmente, o problema desta minha licença.

Hoje tive um dia bastante cheio. Nao consegui em momento algum acessar minha caixa postal do hotmail...Nao sei que "zica" que deu, mas não consegui. Os e-mails do Carlos que sempre respondo atrasado, terão um motivo a mais...brincadeirinha.

Passei no escritório da advogada, pois ela queria conversar comigo ou com Adriana. Pela primeira vez, resolvi as coisas sozinho. Acredito que meu inglês melhorou um pouco - não como deveria, mas melhorou. Houve uma pequena exigência do Departamento de Imgrigação, nada ligado a mim, mas ao meu "sponsor". Conversei com ela e falei da minha preocupação, caso isso não se resolva até o final deste visto já prorrogado. Para minha surpresa, o visto de turista pode ser revalidado por até quatro anos. Ela explicou que no caso da minha profissão, isso e possível, uma vez que o processo ja foi iniciado pelo conselho que regulamenta os diplomas aqui. Fiquei mais tranquilo com isso. Não que eu queira ficar por aqui por mais quatro anos sem trabalhar na minha profissão, mas pelo fato de não precisar ficar por aqui ilegalmente. Falei tambem que estava com vontade de ir até lá pessoalmente, e ela até que gostou da idéia.

Fui a dois lugares meio que indicados hoje para ver algum emprego. E engraçado, pois acho que estava meio mal acostumado. Só procurei emprego quando sai da faculdade e já passaram quase dez anos. De lá para cá, foram só indicações e pronto.
Precisar sair e colocar a cara a tapa é meio cansativo, mas ao mesmo tempo é bom pois conheço novas pessoas e treino ainda mais o inglês.
Como as pessoas são engraçadas. Hoje durante uma "entrevista" uma mulher (filha da puta), disse que eu não teria cara de garçom, como se por aqui alguém tivesse cara de alguma coisa, e até perguntou o que vim fazer aqui nos EUA. Já cansei de contar esta história real. No fundo as pessoas acham que eu não preciso trabalhar...mas porra, eu preciso trabalhar sim... por todos os motivos. Vai ter um dia que precisarei comprar mais memória para receber os arquivos de excel que peço para o meu sogro mandar, com a minha dívida. Desta vez testei não falar nada. Disse apenas que vim tentar a vida aqui e chega. Saí dela com a certeza de que a vaca não vai ligar...foda-se... quem saiu perdendo fui eu e não ela conforme pensava durante algum tempo...mas foda-se ela de qualquer forma.

Num outro com nome de "Casa" foi ao contrário. O cara foi super gentil...acho até que vai ligar, mas...o lugar deveria chamar-se "Sala" ou ate "Quartinho" de tão pequeno que é. Achei este bem charmoso, mas minúsculo. Com certeza, um garçom esperto dá conta do bar, das mesas e da cozinha. Pelo menos conheci o lugar e as pessoas que trabalham lá.

Se ninguém me der uma chance para eu mostrar que sei fazer alguma coisa mais além de ser Enfermeiro, vai ser difícil. Há nove anos, uma outra vaca, a Chefe de Enfermagem do meu primeiro emprego me deu. Pude mostrar a ela tudo que eu aprendi na faculdade. Me empenhei e trabalhei lá até sair para o Albert Einstein (um outro sonho realizado). Quando voltei de Sao Paulo, não precisei provar mais nada para ninguém....Agora a "Roda de Sansara" girou...e eu preciso ter essa chance de novo, até que a minha lincença saia. A vida é assim mesmo... pensamos que está sendo cruel conosco mas, na verdade só está nos ensinado algo a mais para aproveitarmos lá na frente.

Estou praticando a humildade... acho que demorei para achar esta virtude dentro de mim... Sempre soube que a tinha em algum lugar, não sabia direito onde...só sabia que tinha. A cada dia aqui tento fazer com que ela aflore um pouco mais. Nunca é demais ser um pouco mais humilde...

Com saudades,
Wagner, o desempregado.

Os Mello, 11:44 PM


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Segunda-feira, Setembro 01, 2003

A A-RA-RA!!!

Conforme havia escrito anteriormente hoje foi dia de feriado por aqui. Não tem muitos não, mas a grande maioria cai na Segunda-feira e as pessoas emendam com o final de semana. É incrivel como o clima mudou também. Saímos do calor escaldante para um clima super ameno...deu até para usar um casaco hoje (coisa que já não fazíamos há meses!!!) É o Outuno que está chegando...e depois o Inverno. Adoro o Inverno!!! Adriana e Ana Beatriz odeiam, mas eu adoro. Me sinto mais confortável, mais feliz, mais bonito (se é que é possível...risos). Dá para sair de casa mais arrumado, com "pull-over", casacos e sobretudos bonitos.

Resolvi postar sobre isso hoje, porque conforme falei o clima mudou e com ele veio uma chuva fina e chata. Fico sempre meio deprê quando o dia fica assim, principalmente final de semana. Acho que sinto aquela saudade, aquela tristeza do Domingo à noite, quando rola aquela musiquinha irritante do Fantástico e a gente percebe que o Domingo de alegria acabou. É foda!!!

Estava meio mal hoje e até pensei em voltar... mas depois Adriana me mostrou que não seria nem um pouco coerente. Odeio admitir, mas ela sempre tem a porra da razão. Preciso me manter calmo e dar tempo ao tempo. Sei que aqui é o meu lugar e não desistirei agora, mas por favor, me deêm o direito de às vezes ficar puto e meio para baixo...

Ainda estou com os resquícios do dia de ontem...uma puta dor nas costas, nas pernas e na bunda...coisa de quem está afastado do exercício físico há algum tempo.

Acordei meio tarde, cansado e triste. Sonhei com um primo muito próximo que faleceu há um ano e às vezes ainda não acredito. É idiota da minha parte, pois o vi morto e participei de tudo...além do mais me considero um pouco religioso e acredito em reencarnação. Sei que um dia encontrarei com todas essas pessoas com quem convivi e que foram importantes para mim aqui. Não deveria ter por que me chatear, mas às vezes fico triste pela saudade que essas lembranças trazem.

Último dia praia aberta, feriado e uma puta liquidação em todas as lojas, inclusive com a isenção das taxas. Quem conhece NY sabe do que estou falando. É engraçado, mas dificilmente você volta para casa sem estar com alguma sacolinha na mão...pode ser uma lojinha "xinfrim" ou de uma cara e até de supermercado...não importa. Tem sempre um ou algumas sacolinhas na mão.

Resolvemos então sair para comprar o casaco da Ana Beatriz, presente da vovó Eliana. Sou um cara antenado e leio sempre coisas sobre moda, compro e uso roupas legais. Já fui apelidado uma vez no trabalho de "GAROTO HUGO BOSS" (fiquei mais feliz por ter sido chamado de "garoto" do que pela marca). Estou sempre antenado. Me considero até uma pessoa que faz certos "milagres" com pouco dinheiro para comprar coisas novas e caras. Sempre encontro coisas bem legais e muito baratas (por aqui e no Rio, quando morava por lá). Só que hoje não rolou uma roupinha legal para sair. Quando cheguei na loja e parei em frente ao espelho, vi que parecia uma ARARA (entende-se uma peça de cada cor ou estilo, nada combinando com nada)...isso mesmo, aquela ave colorida que fica exposta no ZÔO, e para piorar a situação com os cabelos despenteados (sem gel).
Nesas ocasiões me lembro de um outro ensimamento budista: o do não apego as coisas materiais. Enquanto Adriana e Ana Beatriz estavam, arrumadas eu estava de ARARA. PUTAQUEOPARIU!!!! Não estava também nem aí para nada...estava cansado, com dor no corpo inteiro e meio triste ainda. Como ainda comentei sobre ter dançado até "É o Tchan" no restaurante, me sinto no direito de explicar isso direitinho...
Como todo ser humano, eu também tenho os meus momentos de breguice acentuada - não é sempre, mas às vezes rola. Até assumo que gosto de escutar uma músicas "estranhas". Não é sempre, mais às vezes me pego até cantando Sandy e Junior (acho que pelo Rodrigo, irmão da minha mulher, que curte e escuta bastante) e uns pagodinhos do SPC. Eu sei que isso é imperdoável...mas esse sou eu. Quero saber quem vai tem coragem de assumir isso em público e colocar nos comentários suas breguices???

Sorte estarmos em NY...Por aqui você simplesmente é mais um e não passa disso. Ninguém está muito interessado em quem você é ou faz da sua vidinha medíocre. Dá para sair com uma toalha de mesa enrolada no pescoço, que ninguém vai nem notar e se gostarem vai até virar moda com direito a foto na "W"e tudo mais.
Aqui é assim, meio parecido com Copa (lugar que morávamos antes de cair aqui, exceto pela fofocada dos porteiros) nada parecido com a Tijuca (lugar que já moramos quando adolescentes), você faz, diz, veste o que quiser e ninguém tem nada com isso. Só não poder desrespeitar o direito do outro.
Citei isso porque tive uma paciente que foi tijucana como nós, e sempre me falava o seguinte:
"- Wagner existem três tipo de tijucanos: aqueles que nunca vão sair da Tijuca. Aqueles que saem da Tijuca para a Barra da Tijuca e por último aqueles que saem da Tijuca para o mundo."
Acho que eu e Adriana saimos de lá para o mundo.

Com saudades,
Wagner, o amigão do Alexandre Pires (como diz o Carlos: "- Cruzes!!!")

Os Mello, 11:47 PM

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O GRANDE DIA...

Ontem, de verdade, não tive tempo de postar absolutamente nada. Cheguei em casa por volta das 22:00h, complemente exausto...mas bem feliz. De todos os serviços que já fiz por aqui, este sem dúvida, foi o mais divertido e o que mais gostei. Para quem está chegando hoje, vale ressaltar que ontem, Domingo, comemoração da Independência do Brasil em NYC, trabalhei como Bartender, em um restaurante brasileiro chamado Empório Brasil. Sempre tive vontade de trabalhar nesta função, até que fui convidado...pena que foi por um dia só.
Bom, não dormi direito na noite anterior, tamanha era a minha ansiedade. Cheguei no lugar às 7:00h, muito cheio de disposição. Conheci a Bartender oficial, chamada Jeniffer. De início, a achei meio antipática, mas depois vi que era bem legal. Comecei colocando as cervejas brasileiras e guaranás Antártica...os legítimos, para gelar em barris. Depois disso, fui fazer as mil caipirinhas, com ela, para adiantar o serviço. Por volta das nove, já estávamos com tudo pronto, sendo que a festa começaria as 12:00h.

Gosto muito de viver aqui, mas rolam algumas hipocrisias americanas. Outro dia fui comprar umas cervejas no supermercado perto da minha casa e fui informado pela caixa que eu não poderia efetuar a compra, pois ainda não eram meio dia. Perguntei o motivo daquilo e ela me disse se tratar de uma lei federal, onde não se vende bebida antes das 12:00h...Simplesmente ridículo. Procurei saber mais sobre isso e descobri, que além desta lei ainda existia uma estadual, onde não se pode consumir bebida alcoólica em locais públicos e que na rua para andar com uma lata de cerveja, por exemplo, é necessário cobrí-la com um saco de papel...enfim, todo mundo sabe que aquilo é bebida alcoólica, mas ninguém está vendo...risos.

Às doze então, a festa começou...A gerente distribuiu umas camisas horrorosas. Era um mistura de mau gosto de carnaval, com Rio de Janeiro e Bahia. Nada a ver!!! As bichas então ficaram loucas, pois como elas iriam usar aquele modelito horrendo...seria UÓ, uma delas disse. Enfim, nesse momento pude reconhecer todas. No final, estávamos todos de blusa horrorosa e avental e em poucos minutos, o restaurante estava lotado e assim ficou até a hora que a comida terminou.

Trabalhar como Bartender tem as suas vantagens e desvantagens. É legal, pois você consegue ver todo o movimento do local e ainda consegue dançar entre uma servida e outra. É foda quando para um bebum no balcão e começa a querer puxar assunto, falar da vida e reclamar da bebidaem português, inglês ou espanhol, além das cantadas cretinas em local de trabalho.
Me senti mais seguro para falar em inglês...foi um treino legal.

Os garçons são todos figuraças. Não pude deixar de lembrar de todos os meus amigos gays e das festas que fui no Rio, principalmente nos lugares alternativos em que eu e Adriana freqüentávamos. O dia começou com um garçom pedindo o seguinte:
O GARÇOM: - Bebezinho*...eu quero duas bavárias, duas caipirinhas um chopp sem colarinho...
EU: - Mais alguma coisa???
O GARÇOM: - Quase esqueci...você...
EU: - Cara, acho que chegou meio atrasado...sou casado.
O GARÇOM: - Há quanto tempo??? Dois meses???
EU: - Não cara...seis anos.
O GARÇOM: - Hihihi!!!! A bicha chegou muito tarde, mas tentar não custa nada, né???risos.

* Bebezinho era eu.

Fui chamado de bebê, quindim, pudinzinho, gostoso, meu magrinho, dentre outros. Recebi convites e propostas das mais absurdas até as do tipo "casa, comida e roupa lavada".

É foda!!! Aprendi que intimidade só gera aborrecimentos e filhos. Como com as bichas, não poderia rolar filhos...nem tão pouco aborrecimentos (porque bicha não fica nunca chateada...), depois da primeira sacaneada, já estava muito a vontade para sacanear também. Teve uma hora que eu soltei assim: - Presta atenção bicha enrolada..você já pediu essa porra e está aqui pronto. Outra vez eu falei: - Acorda bicha mole, tá aqui o que você pediu. Todo mundo riu bastante, pois apesar de sério, também sei falar sacanagens, brincar, e ser leve (só quando quero!!!). nessa hora ele me respondeu: - Paaára tudo!!! Menino sou bicha mas não sou mole não hein...Sou esperta e vou a academia todos os dias para ficar durinha assim (levantando o avental e mostrando a bunda). Vou fazer queixa a gerente...você me deixou deprimida... O cara foi lá falar com a gerente, que disse: - Para de frescura bicha, o Wagner tem razão. Volta logo para o trabalho.

E por aí foi. Dancei ao som do Capital Inicial, Ivete Sangalo, Oludum, Cheiro de Amor, É o Tchan! dentre outras, enquanto servia a galera que não parava de chegar. Foi muito bom!!!
De quebra, nossa função era embebedar a galera que estava trabalhando, então fazíamos, cafés especiais, batida de maracujá e caipirinha calibrada especialmente, servida para os garçons, caixas e runners dentro de copo descartáveis de café, com direito a tampa e tudo. Foi divertido. Não bebi nada exceto, água e muito refrigerante.

Mulher bêbada perde um pouco do limite. E aí ninguém segura. Conheci uma, que se auto denominou "Garota Bavária". Essa resolveu parar no balcão e perguntar coisas sobre a minha vida. Minha amiga Jeniffer, que achou a mulher com cara de piranha, foi me defender, me chamando para ajudá-la com algumas coisas e dizendo que os clientes não poderiam permanecer no balcão parados. Já um garçom gay, muito do afetado, disse para mim que ela estava mais para "Tia Bavária" ou "Mamãe Bavária", só porque ela era meio, tipo "passada". E disse que "Garota Bavária" era ele...risos.

Tiveram duas reclamações que foram deixadas de lado. As duas feitas por dois caras pentelhos, brasileiros, que acharam a bebida "fraca". Quando faltava um dedo para acabar o copo, chegou a reclamação...Disse que não poderia fazer nada, uma vez que a bebida já estava pronta e que ele já havia bebido quase tudo.

Houve uma situação escrota. Do tipo que eu odeio. Estamos aqui há 8 meses e acredito que por mais tempo que fique, esse tipo de afetação não pegará. Não consigo me imaginar com sotaque americano, para falar português. Isso para mim é coisa de gente limitada. Um babaca chegou com uma camisa do Brasil, perguntando em inglês se eu poderia colocar a bateria da máquina digital dele para carregar. Vi que o cara era brasileiro e respondi em inglês que ele deveria falar com a gerente. O babaca esperou por algum tempo e ai veio perguntando a mesma coisa em português. Respondi o seguinte, muito puto: - Cara eu entendi em inglês o que você me perguntou, só que não posso te responder, nem em inglês ou em português, o seu pedido. Mais uma vez falo, I'm sorry but you need to ask the maneger, ok?.

Em alguns momentos fiquei meio louco com a quantidade de pedidos. Houve horas em que fiquei sozinho e que surgiam pedidos enormes, incluindo certas bebidas on the rocks, mas dei conta.

Às 20:00h, graças a Deus, o lugar fechou, partimos então para a limpeza do Bar. A responsável, veio conversar comigo, elogiando o serviço e perguntando se realmente eu nunca havia trabalhado em restaurante. Disse ter gostado muito de tudo e que tão logo tivesse uma vaga, ou soubesse de alguma coisa, me indicaria. Saí triste, por não ter a vaga logo e feliz com o fato de saber que tenho alguma chance. Mais uma vez terei que treinar a virtude da paciência...


Os Mello, 10:53 PM



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